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Bondeconomia - Edição 591 - 01/06/17

01 Junho 2017 11:40:09

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LOJISTAS INOVAM PARA ATENDER CONSUMIDOR MAIS INFORMADO E EXIGENTE
No auge da crise o setor produtivo não vê outra saída senão continuar trabalhando e acreditando num futuro melhor. Foi sob esse clima que empreendedores de todo o Estado participaram da 47ª Convenção Estadual do Comércio Lojista em Florianópolis. Principal analista do varejo brasileiro, o empresário Marcos Gouvêa - fundador, sócio e diretor-geral da consultoria GS&MD – foi taxativo: “Os empresários do setor precisam acompanhar a reinvenção dos consumidores, cada vez mais informados e exigentes. Inovar não é mais uma opção, mas uma absoluta contingência” afirmou. Gouvêa há 26 anos lidera uma delegação brasileira na Retail´s Big Show - NRF, em Nova Iorque, maior evento do setor no mundo, onde já foi, por diversas vezes, um dos principais conferencistas.

Como inovar tendo um consumidor exigente e que se transforma o tempo todo?
Gouvêa - A inovação não é uma opção, mas uma absoluta contingência. O consumidor está se reinventando, especialmente com o uso da tecnologia, se informando e comparando produtos. Ele aprende com outros consumidores - interagindo entre si, se atualizando e trocando experiências, o tempo todo.

As empresas do varejo estão distantes dos consumidores?
Gouvêa - Algumas estão nesta posição, mas há outras que se deram conta da importância de estar à frente deste movimento, entendendo as transformações e oferecendo diferenciais. A Amazon - um varejista não convencional - percebeu que o consumidor quer menos produto e mais soluções, e desenvolveu uma linha de serviços incorporada àquilo que já oferecia, poupando o tempo dos seus clientes. Já uma empresa de materiais de construção oferece soluções de pintura e não apenas a tinta e as ferramentas. Esse modelo tem chances de ser cada vez mais atrativo porque agrega à marca, confiança e garantia.

Quando se fala em inovação, há quem pense em escala global. Mas como inovar no varejo catarinense, de cidades e empresas de pequeno porte?
Gouvêa - A diferença entre o grande e o pequeno é de atitude. Em muitos casos os grandes são mais lentos para perceber e implantar a mudança. No cenário de transformação constante, ser de menor porte permite a flexibilidade e agilidade que para o maior é mais complexa. O pequeno varejista de Santa Catarina que oferecer não apenas o produto, mas o conjunto de prestadores de serviços - treinados e qualificados – pode começar já. Aliás, começará mais rápido e fará melhor do que o grande, porque este precisará estruturar a operação, desenvolver o processo, criar mecanismos de garantia etc. O pequeno pode deflagrar isso numa escala mais compacta e imediatamente. Portanto, reforço: inovar tem relação com percepção e atitude sobre a realidade e o tamanho do desafio.

Quais os maiores desafios o momento impõe aos varejistas?
Gouvêa - Não podemos perder de vista o consumidor que se renova em sua atitude e a cada instante, e as empresas precisam aprender a atuar com muito mais dinamismo, flexibilidade e agilidade e, acima de tudo, ter proximidade com esse consumidor. Estar no varejo nesse instante, é um grande diferencial competitivo. Só quem está no contato diário com o consumidor consegue perceber a dimensão dessa transformação rapidamente e incorporá-la. É por isto que grandes fabricantes de produtos estão criando braços de varejo, por exemplo.


SC-Cingapura 
Uma comitiva de executivos de Cingapura participou de encontro na Federação das Indústrias para avaliar oportunidades de negócios e parcerias, especialmente no setor portuário. Eles foram recebidos (foto) pelo presidente Glauco José Côrte, que destacou números da indústria catarinense e colocou à disposição a Investe SC, agência de atração de investimentos mantida por meio de parceria entre a entidade e o governo do Estado. A visita é desdobramento da missão catarinense realizada recentemente a Cingapura. “O senhor Lee cumpriu rapidamente a promessa feita quando visitamos o porto de Cingapura no começo do mês”, lembrou Côrte, dirigindo-se a Peng Gee Lee, executivo do operador portuário PSA. Lee apresentou a PSA International e esteve acompanhado de Joel Julius, gerente da International Enterprise Singapore, agência de promoção comercial vinculada ao Ministério de Comércio e Indústria da cidade-estado.


OPORTUNIDADES
“Temos presença no setor portuário em 16 países, como China, Coreia do Sul, Índia, além de investimentos em terminais portuários na Tailândia, Indonésia e Vietnam. Mas ainda não estamos na América Latina, onde queremos investir também”, disse Peng Gee Lee. “Santa Catarina exporta bastante, com produtos de vários setores. Muitos desses produtos têm a Ásia como destino. Gostaríamos de ajudar o Estado a crescer ajudando a levar sua produção a esses mercados”, completou. Lee ficou bastante impressionado com os números apresentados pelo presidente da Fiesc: o setor industrial catarinense emprega 766 mil trabalhadores e tem 52 mil estabelecimentos. É a indústria mais diversificada do país e responde pelo sexto maior PIB do Brasil.


FALANDO NISSO
O movimento lojista não ignora, tampouco tenta não se contagiar com tais fatos, preocupado com os rumos da economia e os seus efeitos em nossos negócios
Ivan Tauffer, presidente da FCDL/SC, na 47ª Convenção do Comércio Lojista


RETRAÇÃO
Presente à Convenção Lojista, o presidente do SPC Brasil, o catarinense Roque Pellizzaro Junior, já tinha os primeiros números da pesquisa que aponta uma queda de 6,4% na demanda por crédito das micro e pequenas empresas em abril. “A economia brasileira ainda está em dificuldade para ensaiar uma recuperação consistente e assim as empresas de menor porte continuam retraídas na busca por crédito”, avaliou Pellizzaro. Já o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Honório Pinheiro, afirma que “o Brasil levará tempo para restaurar a confiança perdida. Por isso que muitos empresários ainda vão demorar a se sentir confiantes o suficiente para tomar crédito, fazer investimentos e comprometer o orçamento da sua empresa com dívidas à espera de um retorno no futuro”.


INOVANDO
Por falar em inovação no comércio, um dos cases relatados na Convenção Lojista foi o da CDL de Jaraguá do Sul, que pela primeira vez realizou o sorteio da campanha promocional do Dia das Mães de forma totalmente digital. “Foi uma campanha inovadora, porém, muito acessível e também sustentável, já que eliminou o uso de papel nos cupons”, contou Gabriel Seifert, no exercício da presidência da CDL. A entidade já iniciou a campanha promocional do Dia dos Namorados, com sorteio de 20 vale-compras de R$ 500 e uma viagem para Paris, com um jantar romântico na Torre Eiffel e sete dias de hospedagem da capital francesa, além de R$ 3,5 mil para despesas adicionais. Outras CDLs vão adotar o modelo de Jaraguá do Sul.

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