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Bondeconomia - Edição 587 - 04/05/17

04 Maio 2017 10:40:39

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JOSÉ LUIZ SOMENSI/FIESC

NÃO HÁ SAÍDA QUANTO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA: É FAZER OU QUEBRAR O PAÍS
A palestra do economista Paulo Tafner (foto) na última reunião da diretoria da Federação das Indústrias deixou muitos empresários surpresos e ao mesmo tempo assustados – muitos acreditavam que ainda havia um tempo para executar a reforma da Previdência. Mas os números apresentados por Tafner não deixam dúvidas: hoje, o gasto brasileiro com o pagamento de aposentadorias e pensões, incluindo os setores público e privado, é equivalente a 12% do PIB. O déficit dos regimes dos funcionários públicos da União, Estados e municípios e o administrado pelo INSS alcançou 4,9% do PIB em 2016 e continua em expansão. “Se nada for feito, em poucos anos vamos gastar 24% do PIB só com previdência”, alertou o economista, destacando que a proposta de reforma apresentada não é a ideal, mas “é boa e urgente”. A coluna destaca agora alguns fatos e números recolhidos do debate sobre a Reforma da Previdência para mostrar que o economista não está fazendo terrorismo. 1) Temos 31,5 milhões de aposentados na área privada. Essa massa custou R$ 270 bilhões aos cofres públicos em 2016. 2) Temos 1,5 milhão de funcionários públicos aposentados que custaram R$ 210 bilhões, ou seja, são 5% que consomem apenas R$ 60 bilhões a menos do que 95%. 3) Entre os aposentados privados, 80% ganham menos de R$ 5 mil por mês; entre os públicos, só 8% ganham menos do que R$ 5 mil. 4) “As despesas com a Previdência aumentaram 223% em termos reais de 1988 para cá, num ritmo três vezes maior do que o grau de envelhecimento. E começaremos a envelhecer mais rapidamente nos próximos 25 anos. Se não fizermos nenhuma reforma o País quebra”, segundo Paulo Tafner. 5) Gastamos 50 vezes mais com a aposentadoria rural do que com saneamento. 6) A aposentadoria das classes média e alta é 13 vezes maior do que os investimentos em transporte. 7)  A aposentadoria por idade só do setor urbano é 7 vezes maior do que o aportado no Minha Casa Mina Vida. 8) No caso de pensão por morte, é equivalente a toda despesa com Saúde. É de assustar ou não?


O PRAZER DE ERRAR A PREVISÃO
No começo de maio do ano passado registramos a previsão de crescimento para 2016 feita pelo presidente que saía, Marcos Antônio Zordan, e o que assumia a presidência da Organização das Cooperativas do Estado (Ocesc), Luiz Vicente Suzin (foto). Os dois previam um ano difícil: enquanto Zordan era um pouco mais otimista (de 8% a 10%), Suzin foi cauteloso (de 6 a 8%). Erraram por muito e estão contentes por isso. As 265 cooperativas, com 2,1 milhões de associados e 58 mil funcionários, faturaram R$ 31,5 bilhões e cresceram 15% em 2016. Em 2015 haviam crescido 12,96%, abaixo dos 15,91% de 2014. É um fenômeno no meio da crise e, apesar de seus dirigentes não arriscarem palpite para 2017, já se sabe que os números têm sido bastante favoráveis e que o patamar dos 15% dificilmente deixará de ser superado. É uma boa notícia para mais da metade da população catarinense que, de alguma forma, está vinculada ao sistema cooperativista. 


Soltar amarras
Aos poucos o país vai soltando as amarras que impedem o crescimento econômico e a justiça social.  Não foi fácil, mas o Supremo Tribunal Federal decidiu que universidades públicas podem cobrar mensalidade por cursos de pós-graduação lato sensu, que incluem as especializações e os MBA. Um dos que comemoram é o deputado federal Alex Canziani (PTB-PR), autor da PEC que tentava mudar a Constituição para criar esse avanço, mas que viu sua proposta ser derrotada porque faltaram apenas quatro dos 308 votos necessários para aprovação na Câmara. Canziani lembra que a maioria dos alunos que faz especialização tem condições de pagar por isso. E quando não acontece, são os empregadores que pagam. Por exemplo: um MBA no Instituto Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, custa R$ 75 mil por ano, mas 80% desse valor cobrado de 350 alunos saem do bolso dos seus empregadores, grandes empresas como IBM, Coca-Cola, Siemens e Ambev. Mas o maior avanço dessa decisão do STF está no conceito: é chegada a hora do “quem pode paga; quem não pode não paga” nas universidades públicas. 


AVANÇANDO
Ainda falando em avanços na Educação, é destaque na imprensa nacional o projeto piloto de ensino médio que está sendo realizado numa unidade catarinense do Senai com 80 alunos. O curso une conhecimentos teóricos e práticos visando o mercado de trabalho. A mudança começa pelo diploma: após três anos de estudos, os alunos recebem certificado de conclusão do ensino regular e de técnico em informática. “Há filas de espera”, informa o gerente de educação do Senai Leonardo Oliveira. O currículo seguido pelos estudantes catarinenses foi criado com base na Reforma do Ensino Médio sancionada pelo presidente Temer em fevereiro. A ideia é que, a partir de 2019, os 7 milhões de secundaristas brasileiros possam escolher, numa lista de cinco áreas do saber, o que desejam estudar.


FALANDO NISSO
“É muito importante que os empresários estejam mobilizados em suas cidades e nos ajudem a debater, apresentar e apoiar as reformas que são indispensáveis para que o Brasil volte a crescer.”
Glauco José Côrte, presidente da Federação das Indústrias (Fiesc) 


TILÁPIAS
Uma das atividades de campo que mais têm crescido no país é a produção de tilápias: de 2005 a 2015 houve um incremento de 80%. Santa Catarina tem acompanhado esse crescimento, que tem tudo a ver com a regulamentação do uso de águas públicas, permitindo o cultivo intensivo em tanques-redes, e o adensamento da produção em viveiros escavados. A tilápia é hoje o peixe mais cultivado do país porque tem a seu favor vários fatores, entre eles clima favorável, rusticidade da espécie, forte demanda e bons resultados em cultivos intensivos. Também conta a mudança de hábitos alimentares das classes A e B, que já está sendo disseminado em outras faixas. 


GANHO EXTRA
Um dos bons modelos de incentivo à produção de tilápias está na região de Jaraguá do Sul, onde mais de mil famílias de pequenos agricultores já têm um ganho extra com a atividade. Segundo dados do Sebrae, o investimento inicial para quem criar esses peixes gira na faixa de R$ 21,6 mil a R$ 32,4 mil por hectare (10 mil metros quadrados). 


SOBE-DESCE
No registro mensal do sobe-desce dos índices de confiança dos setores produtivos um destaque: o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio, chegou a 102,3 pontos em abril. O último resultado na zona positiva, ou seja, quando o índice ultrapassa os 100 pontos do corte de indiferença, havia ocorrido em fevereiro de 2015. 

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