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120ª Festa do Divino Espírito Santo - Parte V
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120ª Festa do Divino Espírito Santo - Parte I
Inauguração do Shopping Via Catarina
Palhoça - Sexta-Feira, 30 de Julho de 2010 - Bom Dia!!!

O jornal Palavra Palhocense comemora esta semana uma conquista: nosso semanário classificou-se em primeiro lugar, na categoria regional, no Prêmio Fatma de Jornalismo. Nosso semanário concorreu entre os 10 veículos de comunicação finalistas de Santa Catarina, trazendo para Palhoça troféu e certificado.
O prêmio, entretanto, vai muito além do acrílico que ganhamos na cerimônia realizada esta semana. Sem dúvida, trata-se da valorização e reconhecimento do jornalismo que defende o meio ambiente, em uma mistura de profissionalismo e preocupação.
A ausência de tratamento de esgoto em Palhoça foi a pauta. Dessa vez, o problema serviu não só de alerta para os moradores da Cidade, mas também para autoridades diretamente ligadas à preservação do meio ambiente estadual.
Nossa esperança, portanto, é que as matérias e reportagens vencedoras tenham servido não só para saciar os objetivos do concurso e destacar a Fatma, mas, principalmente, para a construção de um processo de reflexão sobre os inúmeros fatores que vêm sufocando aceleradamente a natureza que nos rodeia.
Se cada prêmio entregue no concurso for transformado em ação em prol do meio ambiente, daí sim podemos nos considerar ainda mais vencedores. A reflexão, sem dúvida, é o primeiro passo.
Antigamente se propagandeava na mídia e também nas conversas rotineiras que no ano dois mil em toda a família haveria uma pessoa contaminada pelo vírus da AIDS. A então previsão, embora tenha alertado a população de todo o país para o acelerado avanço das doenças sexualmente transmissíveis, deveria ter explorado outra estatística: “a partir do ano dois mil toda a família terá um viciado”.
Na semana em que completa cinco anos de fundação, o jornal Palavra Palhocense apresenta em suas páginas uma realidade fria, doída, preocupante. “Em Palhoça hoje é mais fácil comprar crack do que comprar pão”. O depoimento de um jovem dependente químico revela mais que sinceridade: nosso Município está tomado pela droga.
Os fatos abafam qualquer suspeita de que aqui ainda estamos longe dos cenários aterrorizantes dos grandes centros urbanos. Há mortes em todos os bairros, tristeza e desespero em muitas casas. O tráfico tornou-se um forte negócio em Palhoça e as polícias (Civil e Militar) não têm estrutura física e humana para lutar (incluindo também a omissão política e social).
Caro leitor, faça uma conta rápida. Conte nos dedos da mão quantas pessoas do seu convívio familiar ou social usaram ou ainda usam drogas (crack, sintéticos, álcool e outras). Sim, possivelmente você também acaba de assustar-se, pois um ou dois palmos não foram suficientes para calcular tamanha irresponsabilidade e covardia.
O assunto merece dedicação política, ação comunitária, esperança e coragem coletivas. Se não estamos percebendo a droga tão perto, sendo vendida em lugares de referência como praças e igrejas, é porque algo está errado. Ou somos cegos, ou não queremos enxergar.
Os leitores palhocenses poderão testemunhar, através desta edição, um crime cultural: o abandono de um dos últimos casarios açorianos do Município, na Barra do Aririú. O local já serviu de abrigo para a Colônia de Pescadores e até uma escola da comunidade, mas acabou transformando-se em esconderijo para vândalos e usuários de drogas.
Moradores dizem não conhecer o responsável pela construção e lamentam profundamente o desinteresse do poder público em intervir no problema. A intervenção, nesse caso, poderia acontecer de duas formas: realizar a fiscalização e limpeza do local e, principalmente, tombar a construção como patrimônio cultural de Palhoça.
Os poderes Executivo e Legislativo devem abrir os olhos para a preservação do passado da Cidade, pois é através dela que poderemos construir um futuro promissor. Conhecer o passado é conhecer nós mesmos e isso é também fundamental para mantermos o presente equilibrado.
Por mais absurdo que pareça, o Município não possui nenhum prédio tombado como patrimônio histórico-cultural. Não existe qualquer lei que discuta o assunto. Nem mesmo o projeto de lei criado por um ex-vereador para tombar o prédio da antiga Prefeitura, ao lado da Igreja Matriz, conseguiu sair do papel devido à negra politicagem que insiste em falar mais alto por aqui.
Sem a preservação dessa arquitetura tão rica e cheia de história, Palhoça parece querer planejar e montar seu futuro às avessas, sem preocupar-se, entre outras coisas, em como essas construções podem contribuir na educação e até no turismo. Precisamos desses prédios, precisamos de história, de identidade, de base cultural para traçar nossos objetivos com mais segurança. O resgate do passado poderia vir agora, para ser entregue de presente nos 217 anos de fundação de Palhoça.
Palhoça comemora neste mês 217 anos de fundação. A data, entretanto, deve passar em branco para a maioria dos palhocenses, especialmente para aqueles que não se orgulham da realidade vivenciada pelo Município.
Uma das vergonhas de Palhoça está na segurança pública. Nas últimas duas semanas, pela primeira vez, a Cidade registrou quatro homicídios, um número recorde para tão pouco tempo. Há vítimas da violência em todos os bairros, briga de gangues, machas de sangue e corpos espalhados pelas ruas.
Na iminência de comemorar mais um ano de existência, Palhoça vive o caos da violência, a qual é alimentada diariamente pela omissão do poder público e desinteresse dos seus cidadãos. Não é exagero afirmar que aqui a polícia está perdendo para os bandidos, especialmente para a guerra do tráfico de drogas e armas.
O discurso para reverter esse quadro, de tão explorado, parece cansativo. Não há efetivo suficiente, estrutura adequada e ânimo nas polícias civil e militar. Não há sequer interesse do Governo do Estado em apresentar perspectivas, planos, projetos.
Palhoça cresceu significativamente nas áreas urbana, social, econômica, porém ainda não recebeu proteção suficiente para espantar o medo do assalto, do roubo, do estupro, da morte. Indiscutivelmente, vivemos o recorde da vergonha na segurança pública. Quem ainda está vivo deverá proteger-se cada vez mais.
No dia 02 de julho comemora-se o Dia do Bombeiro, por decreto do Presidente da República, desde 1954. A história registra que antigamente, ao sinal de incêndio, o badalar dos sinos alertava homens, mulheres e crianças que ficavam em fila e, do poço mais próximo, passavam baldes de mão em mão, até chegarem ao local que estivesse em chamas.
Hoje a realidade é bastante diferente. Durante um incêndio ou acidente são os bombeiros quem arriscam a própria vida em favor do próximo. São poucas as profissões que misturam técnica, empatia e coragem para salvar outra pessoa. São poucas as pessoas que vestem o uniforme dos bombeiros para, além de ganhar um ordenado no final do mês, obter experiência e a satisfação do dever cumprido.
Segundo o Corpo de Bombeiros de Palhoça, a média de ocorrências atendidas por mês atualmente aproxima-se de 200, incluindo casos de atendimento pré-hospital, de combate a incêndio e outras emergências.
Tornar-se um bombeiro, seja militar ou comunitário, é, acima de tudo, preservar um grande senso de responsabilidade e preocupação social, sentimentos quase extintos em nossa sociedade. Parabéns aos bombeiros de Palhoça e região por essa data e que ela seja, a cada ano, um reforço à auto-estima e coragem de cada um.
Em Palhoça, o aumento da quantidade de animais abandonados que circulam pelas ruas preocupa moradores e comerciantes há muito tempo. Segundo dados da Associação Amigos e Protetores dos Animais de Palhoça (Aprap), há cerca de três mil cachorros de rua na Cidade.
Existem, portanto, diante desta lamentável realidade, duas situações diferentes: a ameaça constante à saúde pública e também o sofrimento vivido por esses animais, que se alimentam de lixo, têm doenças, sede e fome, sentem dores e tantos outros problemas.
Essa não é a primeira vez que abordamos tal assunto neste espaço. E esta semana, mais uma vez, nossas páginas revelam uma triste realidade: o abandono e o destino incerto de animais de estimação cuja dona faleceu. O que fazer?
A lei que cria o centro de zoonoses de Palhoça, segundo do gênero na Grande Florianópolis, foi aprovada há pouco mais de um ano. Mesmo assim, absurdamente, as barreiras burocráticas e legais ainda são usadas como desculpas pelo poder Executivo.
Cabe à Vigilância Sanitária construir o centro de zoonose e administrá-lo com competência, preservando dessa forma a saúde pública do Município. Palhoça deve, literalmente, colocar a mão na massa muscular desses animais (recolher, castrar, vacinar e encaminhar para doação).
De acordo com a lei, todo animal existente no País está sob tutela do Estado. Por isso, é dever da Prefeitura de cada cidade recolher os animais das ruas e lhes dar socorro. Mas, enquanto as autoridades não se mexem, pessoas agindo voluntariamente continuam assumindo o papel desses centros, alimentando, vacinando, castrando e dando amor a esses solitários animais.
Torcer por qualquer modalidade esportiva é vibrar por alguém, um grupo ou instituição. E quando o assunto é futebol não faltam argumentos para qualquer torcedor. É fato que o esporte é extremamente educativo, responsável por mudanças significativas na vida de tantos brasileiros. Esporte é disciplina, é coletividade, é superação.
Não há como negar que, ao contrário do setor de infraestrutura, o departamento esportivo do Município está muito aquém do que nossas crianças e jovens merecem, especialmente o público de baixa renda. Faltam campos, ginásios, praças, material didático e mais programas sociais. O crescimento de Palhoça já apresenta sim suas consequências, tanto positivas quanto negativas. Seria ridículo e cansativo citar exemplos.
Tramita na Câmara de Vereadores do Município um Projeto de Lei do Executivo que cria a Fundação Municipal de Esporte, uma instituição que pode mudar essa realidade, dependendo da boa vontade e iniciativa da atual administração. Através dessa Fundação, mais projetos esportivos sairão do papel, mais professores serão contratados e, claro, mais crianças e adolescentes assistidos.
Enquanto o esporte ocupar o último lugar na lista de prioridades da administração pública, atletas palhocenses continuarão vestindo a camisa de outros Municípios e alcançando o pódio com sucesso, prova de que o potencial é descoberto pelas oportunidades. Palhoça está, portanto, perto da linha de chegada. Não para vencer e subir ao pódio, mas para iniciar as mudanças. Vamos torcer.
Ninguém gosta de pagar imposto, especialmente se tal tarifa não é revertida em melhorias para a comunidade. Embora a taxa de pedágio não seja considerada um imposto, a maneira como foi imposta aos moradores de Palhoça aproxima-se sim daquelas cobranças que deixam um amargo gosto de impotência, injustiça, decepção...
Não foram poucas as vezes em que reivindicamos neste espaço mais atenção para o problema que transformou-se na grande dor de cabeça dos moradores da região Sul do Município. Em ano eleitoral, entretanto, a atual administração encontrou uma solução rápida, direcionada e justa, porém incapaz de resolver a polêmica.
Isentar os moradores mais prejudicados com a cobrança do pedágio está correto, mas anexar a esse benefício uma condição financeira é absurdo. Seria mais fácil ter divulgado a isenção assim: “Moradores do Sul terão R$ 15 mil de isenção no pedágio”, ou seja, ultrapassando o valor combinado entre concessionária e Prefeitura, o cidadão terá que finalmente voltar para a fila e pagar R$ 1,20 a cada travessia.
Não há como pensar nessa proposta sem considerar as intenções politiqueiras. A ideia é boa, mas foi colocada em prática de maneira desorganizada, autoritária, confusa, muito confusa. Dá pra compreender, afinal, a revolta dos motoristas que foram iludidos com a tal proposta de isenção que mais parece um grande imbróglio entre vereadores, prefeito e empresários. Em nota, a Prefeitura Municipal anunciou que a isenção não irá parar. Caso a promessa não se cumpra ficamos assim mesmo: quando acabar os créditos, dê marcha à ré no pedágio e abra a carteira.
No dia 05 de junho comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Em nosso relacionamento com o planeta temos nos tornado alheios ao vandalismo aplicado à natureza. As consequências do ininterrupto crescimento populacional e nossa atitude desmedida em relação à Terra estão se manifestando rapidamente.
Temos convivido com o argumento de que a “Mãe Natureza” é tão vasta e poderosa que não podemos exercer qualquer impacto sobre ela. Assim, mantemos com ela uma relação disfuncional e tal atitude está destruindo o equilíbrio ecológico bem embaixo dos nossos narizes.
Torna-se cada vez mais necessário, portanto, reconhecermos que fazemos parte do planeta e que somos responsáveis pela sua sobrevivência. Ações práticas (e rápidas) podem começar dentro de casa. Atitudes simples, discursos contínuos em defesa do verde devem ser obrigatórios em qualquer lugar. Afinal, em Palhoça, no cenário que nos rodeia, não faltam exemplos de destruição, omissão, desrespeito à fauna e flora locais.
O meio ambiente de Palhoça está tão frágil quanto a falação de autoridades, profissionais e outras personalidades que fingem se preocupar com a poluição, ocupação desordenada, erosões, soterramento de manguezais, entre outras realidades preocupantes. O Dia Mundial do Meio Ambiente, ao invés de motivar apenas discursos acalorados e eleitoreiros, deve, acima de tudo, motivar a reflexão.
A frequente onda de violência que assola as Cidades brasileiras vem roubando a liberdade de vivência das pessoas. Aterrorizados com a ousadia e o poder de fogo dos criminosos, a sociedade torna-se refém da violência. Aprisionados em suas casas, com medo e insegurança, deixam de viver seu cotidiano. Palhoça não vive uma realidade diferente.
O governo demonstra não ter meios capazes de reverter os inúmeros assaltos, tiroteios, homicídios, crimes que têm, em sua maioria, a marca do tráfico. Grande parte dos casos de violência decorre da ausência de uma política de segurança pública eficiente. Compreender a raiz do problema é o primeiro passo para discutir medidas de combate e prevenção.
Em um país onde o Estado encontra inúmeras dificuldades para prevenir e combater o crime, onde a Justiça não consegue evidenciar seu papel punitivo e onde a corrupção se instala em todas as instâncias de poder a criminalidade encontra terreno fértil para se estabelecer.
Dados recentes mostram que 80% dos que passam pelo sistema carcerário reincidem. Ou seja: fazem das prisões ambiente para especializações e capacitação para o crime. Tal fato nos coloca no meio de um terrível círculo vicioso: Se solto, o bandido gera pânico, se preso, ganha força e prepara o retorno.
Se alguém espera uma solução fácil e rápida para o exposto, esqueça! A resposta não está em uma ação isolada, como a pena capital, nem em medidas assistencialistas cobertas de inclusão e carinho.
Enquanto esperarmos que a chave do problema da criminalidade seja entregue de bandeja por algum ser abnegado caído do céu... sofreremos as duras penas. Enquanto todos não se envolverem na solução, o cenário será o mesmo. Porque a porta é estreita, a fechadura enferrujada e a chave... torta.
Uma das principais deficiências que o Estado enfrenta é a lentidão da Justiça. De fato, a necessidade de criar condições para combater esse problema é premente. Porém, apenas isso não é suficiente, se considerarmos a Justiça como uma mediação entre o poder e a cidadania, torna-se imprescindível também diminuir o distanciamento entre a sociedade e o poder Judiciário, decidindo as questões com base em valores éticos aceitos pela sociedade como razoáveis.
O panorama atual do sistema judiciário brasileiro, com seus cartórios abarrotados de processos não exige tão somente condições para agilizar essas ações, mas também requer que a Justiça seja vista por uma óptica mais humanista, pautando-se igualmente em princípios morais e reconhecendo que o sistema de leis é estratificado e inadequado à complexidade social existente.
Grande parcela da população brasileira, ao se deparar com tamanho quadro de descaso na Justiça, acaba não dando crédito a esse poder que deveria interceder e assegurar seus direitos. É impreterível ao Governo tornar a Justiça um órgão ágil e, sobretudo, democrático, aproximando da sociedade as decisões, para que ela se sinta integrada e responsável pelo futuro do País.
Em breve, a sede da Justiça de Palhoça mudará de endereço. Espera-se com isso maior acessibilidade e agilidade no trâmite das questões legais, aproximando os vilipendiados e oferecendo igualdade de oportunidades. Talvez assim, a Justiça perceba que, há muito tempo, a balança perdeu seu equilíbrio.
Nossa Cidade, Estado e País estão mergulhados em uma grande crise moral. Tal situação está instituída e esse, caros leitores, é um solo fértil para usurpadores, manipuladores, fanáticos, bandidos e larápios.
As palavras ganharam novos significados: o esperto... o ligeiro, são agora usados para definir o sacana... o safado.
Há cerca de duas décadas, o mundo se abriu através de complexas redes de fios e dados, mas o ser humano segue perdido. Nunca houve tanta informação e tão pouca educação.
Nas semanas que se seguem, aqui em Palhoça, acumulam-se denúncias de fraudes, falsificações, desvios e propinas. Dessa vez, acompanhamos a ação que culminou na prisão de, até agora, oito pessoas. A moeda verde não reconhece fronteiras e o poder da grana fácil revela a real face dos que se dizem retos e corretos.
Eneias Forlin, professor de Filosofia Moderna da Unicamp, faz uma análise corrosiva da crise moral brasileira: “No Brasil, a imoralidade virou um traço da cultura. O empobrecimento da noção de educação levou à ideia de que o brasileiro educado é o que fez universidade, fala outros idiomas, tem dentes brancos e um corpo de academia”.
A falta da educação parece mesmo estar no cerne dessa crise. E diante de tudo que já se foi cresce o temor de que percamos, em breve, a capacidade de se revoltar diante de tanta imoralidade.
A poluição, o desperdício, o aumento do consumo, a falta de regras para o uso e a má distribuição dos recursos hídricos são os principais responsáveis pelo comprometimento e escassez de água e a falta de saneamento básico nas Cidades.
É necessária a criação de políticas públicas e iniciativas que promovam o uso sustentável da água e a efetiva instalação de sistemas de tratamento de efluentes; além disso, é preciso adotar programas educacionais que visem tanto a utilização devida desse produto, quanto a sua reutilização.
O que não pode acontecer é a sociedade se eximir da responsabilidade de discutir o tema e interferir nas decisões, permitindo que o Poder Público resolva essas questões em gabinete. É imprescindível, dessa forma, a participação e o envolvimento de todos os cidadãos nas decisões que envolvem o planejamento futuro dos Municípios, como as Políticas de Saneamento.
A população brasileira está acostumada a opinar. Quer um exemplo?! A cada novo reality show os recordes de votos são quebrados... Todos querem decidir o futuro desse ou daquele candidato ao estrelato. Mas para decidir o próprio futuro?! O cidadão está envolvido e preocupado?! Reuniões comunitárias e audiências públicas não têm o mesmo apelo midiático e na maioria das vezes, a televisão continua sendo o programa da noite... Nenhuma ação, por melhor que seja, terá qualquer efeito prático, se não contar com a participação da população. As questões da distribuição da água e o saneamento básico de Palhoça são um exemplo disso. Então aja, opine, discorde para não ser eliminado.
Troca de tiros, perseguição, sequestro, homicídio, tráfico de drogas, pedofilia. O rol de crimes que amplia a escalada da violência nas Cidades é cada vez mais vasto e devastador. O Estado encontra dificuldades para combatê-los e para punir seus responsáveis: policiais em número insuficiente, existência de uma legislação permissiva e desordem do sistema penitenciário.
Torna-se cada vez mais urgente o incremento e a qualificação do contingente policial para o combate ao tráfico, a criação de projetos que visem à inclusão social e ainda uma modificação na justiça brasileira, tornando-a mais acessível e eficaz. Cabe ainda ao poder público investir maciçamente em uma boa formação educacional e fornecer meios para o cidadão trabalhar dignamente. Medidas assim são necessárias para que as futuras gerações sintam-se um pouco mais seguras neste País, que apesar de não apresentar guerras, trava nas ruas das Cidades batalhas que não distinguem civis, militares, adultos ou crianças.
A história nos mostra que grandes guerras acabaram em fatos históricos de proporções tão importantes quanto trágicas. E a nossa guerra?! Quando terá um fim?
Aniversário sem comemoração não vale, não tem graça. Há exatos 116 anos, no dia 24 de abril, Palhoça tornou-se Comarca Municipal (Município) e desmembrou-se das amarras político-administrativas do município de São José.
Apesar de não ser tão independente como deveria, o Município conserva em sua história, tradição e rotina um conteúdo inigualável e muito precioso.
Nesta edição especial o leitor poderá acompanhar, entre tantas notícias, parte dessa diversidade palhocense. Matérias sobre nossa cultura e costumes, novas denúncias e até uma triste descrição do bairro mais pobre do Município revelam uma Palhoça heterogênea, dinâmica, forte. Mas, ao mesmo tempo, expõe uma Cidade imatura, carente e despreparada.
Entre tantos objetivos, entretanto, uma palavra prevalece: potencialidade. Não há como negar o potencial social, econômico e urbano da Cidade. Há potencial de sobra para investir, expandir e multiplicar ações positivas em todos os cantos do Município.
Desejamos, portanto, que a comemoração de mais esse aniversário não seja apenas motivo para entretenimento e aplausos anestesiados. Que os 116 anos de Palhoça motive, acima de tudo, reflexão quanto ao seu acelerado crescimento em todos os setores da sociedade. Daí, sim, poderemos gritar alto: Parabéns Palhoça!
“São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.”
O artigo 231 da Constituição de 1988 é amplo, direto e tornou-se um marco no que se refere à proteção dos direitos e interesses dos índios. No papel, assim, ao abrir um texto, ganha ares pomposos, mas verossímeis. Quem chega de Marte pode até achar que é verdade. Pode até achar que o direito aos costumes, crenças, tradições e a terra está plenamente garantido ao povo indígena. Ledo engano!
É preciso mais que um artigo com 210 letras para corrigir sucessivos atos de opressão de 500 anos de história. Aqui, nessas páginas, já noticiamos atos criminosos e a falta de apoio à cultura indígena, especialmente a tribos enraizadas em Palhoça.
Nesta semana o jornal divulga a Semana Cultural promovida no Morro dos Cavalos. Mais uma ação da aldeia que reflete o esforço em desmistificar e expandir a comemoração do Dia do Índio. Já não é novidade que os índios conhecem bem mais nossos costumes que nós conhecemos os deles. Isso não é desculpa, no entanto, para levarmos para frente preconceitos contra a população que primeiro habitou nosso país.
A serviço da bagagem cultural do homem branco há todo um aparato midiático, que se faz ver em tudo, a todo o instante. Tais apelos têm um efeito impactante junto à cultura indígena, que depende apenas da contação de história dos mais velhos para sua perpetuação.
A Semana Cultural realizada em Palhoça tem dois efeitos práticos: fora da aldeia mostra a riqueza cultural de nossos ancestrais; dentro faz brilhar os olhos dos pequenos curumins que absorvem até pela pele o orgulho de ser índio.
Não dá para entender. Definitivamente, os critérios analisados pela Justiça para decidir sobre quem pode ou não destruir o meio ambiente confundem a cabeça de qualquer cidadão, especialmente de ambientalistas e demais defensores da natureza.
O CTG Tropeiros do Cambirela, do Furadinho, foi impedido pela Justiça de continuar realizando seus rodeios e demais festas na área de preservação permanente que ocupa há mais de 20 anos. A decisão partiu de uma denúncia do Ministério Público e, embora o processo ainda esteja em andamento, as esperanças de uma sentença favorável à entidade seguem ofuscadas.
Por outro lado, e de forma absurda, a mesma Justiça autorizou a emissão de licença ambiental com validade de mais quatro anos para a mineradora Saibrita explorar o morro do Cambirela. A empresa explora o local há quase 30 anos e a cratera da destruição só aumenta com o passar do tempo.
O curioso, e o inexplicável, é que a mesma Promotoria (do Meio Ambiente) que denunciou o caso da invasão do CTG à Justiça, também assinou o Ajustamento de Conduta que livrou a empresa Saibrita do fechamento em Palhoça. Sim, foi com base nesse documento, assinado em 2004, que a Justiça liberou a exploração no maior símbolo verde do Município. Que grande ironia!
Não queremos aqui valorizar os protestos dos tropeiros, nem mesmo defender seus argumentos. Entretanto, é preciso analisar com muita cautela, imparcialidade e total desprendimento a dimensão da destruição registrada nas áreas em questão (Furadinho e Cambirela). Além disso, o testemunho dos moradores, em ambos os casos, deveria ser fundamental. Sempre.
A conhecida história do boi que fica doente, morre e ressuscita pelas mãos do “doutô”, depois de ser importunado pelo urubu, compõe uma das representações mais significativas e importantes da cultura açoriana. O final do enredo, nesse caso, foi diferente: o boi morreu mesmo, sem qualquer fingimento, e nenhum médico ou curandeiro poderá ajudar.
A equipe do Jornal Palhocense apurou com pesar a notícia desta edição sobre a falência do grupo de Boi-de-mamão Filhos da Terra, da Barra do Aririú. O conhecido “Boi da Barra” não vai mais se apresentar. Morreu, vítima da omissão política, do desinteresse social e do culto ao imediatismo da modernidade.
É inadmissível que Prefeitura e Câmara de Vereadores deixem passar em branco o fim do último Boi-de-mamão de Palhoça, que durante 20 anos divertiu e instruiu tantos palhocenses, de todas as idades.
Ao consultarmos o arquivo de fotos, em busca de imagens que representassem o trabalho desse grupo, revisitamos imagens de crianças que, entre a alegria da brincadeira com a Maricota ou o pavor diante da Bernunça, sustentavam a tradição.
Lançamos, portanto, um desafio para os representantes da Secretaria de Educação, Diretoria de Cultura e outros órgãos da área do Município ou do Estado: olhem nos olhos dessas crianças e expliquem porque o Boi-de-mamão de Palhoça morreu.
Uma cidade não se constrói ou se modifica somente à base de asfalto. Projetos na área de infraestrutura certamente são essenciais para ampliar e melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos, mas, definitivamente, asfalto e cimento não são o suficiente para garantir o desenvolvimento de um Município. Há, portanto, uma demanda gigante de projetos de outras áreas que podem ser aproveitados, criados, impulsionados pelas autoridades municipais.
Projetos na área de cultura, lazer e esporte, por exemplo, são boas alternativas quando se busca um diferencial na convivência e evolução social de um povo. As iniciativas públicas e privadas deveriam apostar mais no combate à ociosidade dos nossos jovens, à depressão dos nossos idosos e a tantos outros males que afligem nossa sociedade. Estamos falando, caros leitores, de novas oportunidades.
Nesta edição é possível ler a matéria em que jovens de diferentes idades pedem mais espaço de lazer para prática de modalidades esportivas diferentes, como skate, tênis de mesa e outros. Espaços públicos, bem conservados e localizados em pontos estratégicos, que possam beneficiar bairros diferentes. Palhoça precisa urgentemente de espaços assim.
Portanto, vamos incentivar o esporte palhocense e destacar ainda mais o nome do nosso Município em competições de diferentes níveis. Afinal, o esporte é um bom caminho para elevar o espírito de competitividade, do convívio e da integração social, refletindo-se no desempenho escolar e na saúde do corpo e da mente. Vamos criar novas oportunidades.
Esta semana, mais uma vez, denúncias sobre supostas irregularidades e desvio de dinheiro envolvendo a APAE de Palhoça pautaram nossa reportagem. São denúncias graves, oriundas de uma realidade até então desconhecida pela população, ou seja, a única entidade do Município que cuida da Educação Especial está ameaçada.
Os discursos, as versões, as provas, os comentários, as fofocas... chegam a dar um nó na razão e na emoção. O caso segue sob investigação no Ministério Público, pautou sérias discussões na Câmara de Vereadores e na Prefeitura, virou manchete em nosso semanário. Não, não há como negar a dimensão e a importância dos fatos.
Porém, independente das provas e acusações, é necessário dar prioridade à qualidade da educação dos portadores de deficiências mentais, vítimas de um emaranhado de acordos e desacordos firmados entre seus supostos representantes ou apenas simpatizantes. O caso é grave, entretanto os alunos da APAE merecem respeito, consideração, cuidado.
As autoridades que investigam, que acusam, que se interessam por tais denúncias devem, primordialmente, assegurar a continuidade e qualidade do atendimento aos excepcionais palhocenses, cujos pais ou demais familiares, indiscutivelmente, precisam dos serviços da APAE. Não há razão para apurar tais denúncias senão qualificar ainda mais a educação especial de Palhoça e, claro, punir os responsáveis por essa sujeira.
Embora não tenhamos a pretensão de julgar qualquer comportamento, ou mesmo debater interpretações sobre o assunto, função essa que cabe aos educadores, a polêmica que gira em torno das chamadas “pulseiras do sexo” merece uma reflexão.
A moda, de maneira geral, nos é imposta de maneira quase automática, ao lançar o olhar para as vitrines, explorar a mídia ou assistir a desfiles. Não há como controlar a invasão dessas novidades, porém, comumente, selecionamos o que merece ou não nossa atenção e o que está de acordo com o estilo de cada um.
No caso da pulseira do sexo é quase a mesma coisa. A moda pegou, virou febre entre os adolescentes e vem sendo seguida à risca. Entretanto, assim como optamos em usar ou não uma determinada blusa da moda, devemos, em respeito e atenção aos nossos filhos, selecionar o que há de bom e ruim nessa nova mania.
É muito importante termos consciência que, embora pareçam inofensivas, essas pulseirinhas coloridas podem concretizar experiências que não são para agora, como a primeira transa de meninos e meninas, por exemplo. Tornar o corpo refém de um acessório é perigoso, humilhante e completamente desnecessário – podendo provocar graves arrependimentos.
Entretanto, esse mesmo acessório colorido pode ser o ponto inicial de uma discussão em casa, entre pais e filhos, na medida certa. Conversar sobre o assunto, entender como funciona na prática e prevenir quanto à dimensão das consequências parece, por enquanto, ser a atitude mais sensata e inteligente para a liberação de quaisquer amarras ou algemas.
Nesta edição o jornal Palavra Palhocense aborda um tema que insiste em permanecer nos nossos noticiários diários, seja em jornal impresso, falado, televisivo ou virtual: a segurança pública. Entre outros assuntos, destacamos que mais do que colocar grades nas janelas ou construir muralhas ao nosso redor, devemos olhar para os lados e perceber que o aumento da criminalidade é também consequência e reflexo de inúmeras carências sociais, como por exemplo, a educação.
A formação humana construída de forma harmoniosa, se embasada em bons princípios éticos e se construída sobre pilares sadios da sociedade, dá frutos importantes e fundamentais para a convivência social. Mas, afinal, o que a segurança pública tem a ver com a educação? Tudo.
Pessoas esclarecidas e de boas índoles têm a facilidade de conduzir suas ações para o caminho do bem e da empatia social. Daí nasce também aquela palavrinha tão importante em nossa sociedade: a solidariedade, uma das armas com as quais podemos lutar contra o crime.
E não faltam exemplos ou referências em Palhoça. No caderno especial que homenageia as mulheres encontramos histórias e experiências de vida que emocionam; cujas autoras são mulheres guerreiras e empenhadas no bem coletivo. Vamos multiplicar essa receita: a mistura de educação com solidariedade para combater o que há de ruim.
Sabemos que a Polícia Militar, assim como as demais instituições públicas, também sofre com a corrupção. O fato de policiais se venderem para o crime não é mais novidade, embora mereça sim espaço nos noticiários para alertar a população e, claro, cobrar postura adequada das autoridades.
Um policial comprometido com o crime, seja por opção ou pressão, já abandonou sua responsabilidade social, ética, hombridade, amor próprio. Afinal, a nobreza do caráter está intimamente ligada ao comportamento de cada um, especialmente quando se trata do lado profissional, de onde vem, comumente, o sustento da família.
Esta semana um soldado da PM de Palhoça virou notícia não pela grandeza de suas ações - embora faça parte da corporação há 20 anos – mas sim pela maneira absurda e despreocupada com que abastecia o mundo do crime com informações privilegiadas. Esse caso revela-se, indiscutivelmente, como um atentado não só à imagem da Polícia Militar, como, principalmente, à moralidade pública.
A população, feita de boba mais uma vez, espera, no mínimo, uma atitude enérgica e duradoura das autoridades municipais e regionais, a qual sirva de exemplo aos demais policiais que possam estar envolvidos em esquemas semelhantes.
Falar em Justiça, nesse caso, parece mais uma vez promover a redundância e a irritante repetição de palavras. Ninguém quer discurso bonito, com ênfase acalorada. Quando o assunto é criminalidade ou violência, a população quer medidas reais, práticas e rápidas. E ponto final.
Turistas e moradores de Palhoça festejaram, por força da necessidade, um Carvanal bem diferente na noite do último domingo e segunda-feira: folia à luz de velas. Ironia à parte, o apagão registrado em toda a Baixada do Maciambú revoltou muitos palhocenses e visitantes que apostaram mais uma vez no Município.
Comentários de que o fato ocorrera para não prejudicar o turismo na Ilha da Magia não faltaram, tampouco críticas ao atual governo municipal, o qual prometeu o fim dos temidos apagões, já registrados em revellions passados na mesma localidade.
O fato é que o turismo não sobrevive de promessas, estatísticas ou cifras anunciadas como investimentos. O turista (e também o morador e o comerciante) quer ver pra crer - e então sim, depois, propagar o positivo. Nessa área, indiscutivelmente, a propaganda não é “alma do negócio” e sim o maciço investimento em infraestrutura e na manutenção dela.
Carnaval à luz de velas? Oras, bolas! Que desperdício (de tempo, dinheiro, discursos...)! Prejuízo para os comerciantes, avaliação negativa entre visitantes, desânimo entre moradores. Nenhum argumento da Celesc e do próprio Município, nesse caso, podem recuperar os estragos (financeiros e sociais). O turismo de Palhoça, esse sim, parece mesmo sobreviver à luz de velas.
Nesta semana nada mais propício do que falarmos sobre fantasias. Com ou sem brilho, rendas, fitas, lantejoulas ou qualquer outro adereço, elas têm a finalidade de esconder e divertir, mexer com o imaginário. Imaginem, caros leitores, se Palhoça pudesse experimentar uma fantasia de carnaval para desfilar na avenida ou apresentar-se em bailes de gala. Que tipo de modelo, tema ou cor o Município usaria?
A roupa carnavalesca, claro, estaria de acordo com o enredo: “Palhoça, terra dos mil e um títulos”. De baixo para cima, botas resistentes às ruas enlameadas e esburacadas, principalmente as da região Sul. As calças teriam um acessório importante: bolsos grandes e fundos para guardar bem o que lhe pertence – seja o patrimônio público financeiro ou ambiental.
É necessário também pensar num cinto seguro, apertado, para que nem as calças, nem a vergonha fiquem na mão. Na parte de cima da fantasia Palhoça poderia ser mais ousada. Os bordados na camisa poderiam simbolizar, entre outras coisas, o crescimento desordenado, o caos no trânsito, a poluição do meio ambiente e a omissão política diante de tantos problemas.
Há também outro importante acessório: a máscara, para disfarçar as olheiras de uma cidade cansada de promessas e, claro, esconder a vergonha de divulgar uma realidade carregada de ilusão. Mas essa camuflagem para o rosto, não esqueçam, tem que ser de madeira, simbolizando a cara-de-pau dos políticos que insistem na tal estatística de que Palhoça é a cidade mais dinâmica do Brasil. Viva o Carnaval!
Sim, caros leitores, as fotos publicadas na capa da última edição, para a surpresa e indignação de muitos palhocenses, são do bairro Frei Damião e não do Haiti. A comparação entre o país devastado recentemente por um terremoto e a comunidade mais carente da Grande Florianópolis se dá pelo completo estado de abandono, pobreza em excesso, violência, sujeira e falta de esperança.
É mesmo difícil de acreditar que essa realidade, tão difundida pelo mundo nos últimos dias em relação aos haitianos, esteja tão próxima, latente aos nossos pés. A repercussão de tais imagens em nossa capa, as quais incomodaram algumas autoridades municipais, sugere, indiscutivelmente, uma reflexão: os palhocenses desconhecem a realidade que os rodeia. E o pior: abaixam a cabeça e fecham os olhos fingindo não saber de nada.
As fotos são realmente chocantes, tristes, dignas de revolta. Não há como analisá-las sem pensar na omissão política, na frieza do individualismo e na lamentável falta de empatia social. O Frei Damião, de tão abandonado, tornou-se um bairro discriminado, referência da favelização, violência e ilegalidade, apesar do bom caráter da maioria dos seus moradores.
O projeto de urbanização e humanização do Frei Damião, anunciado pelo Município, em parceria com o Governo Federal, está chegando atrasado. Outros tantos projetos que possam alimentar o crescimento desordenado daquela região terão que realmente sair do papel, de verdade. Abra os olhos Palhoça! O nosso “Haiti” está aqui ao lado, muito perto dos olhos de quem quiser ver e, claro, ajudar.
É lamentável, vergonhoso e humilhante saber que Palhoça, “a cidade dos mil e um títulos”, exclui de seu planejamento uma área tão cheia de vida quanto o Frei Damião. Uma comunidade ativa, pulsante, abundante, onde a fé parece ser a única fonte de inspiração. Não dá para encarar tal pobreza sem refletir sobre a vida, sobre o consumismo, a omissão política, o sofrimento, sobre a morte. Não dá.
Quem já experimentou circular pelas entranhas do Frei Damião conhece a potencialidade daquela gente, e possivelmente chocou-se ao ver tantas casas mergulhadas no esgoto, crianças brincando sem roupas, tanto lixo, tanta sujeira, tanto abandono. É quase impossível de acreditar que logo ali, ao lado das sedes dos poderes Executivo e Legislativo, bem pertinho do Centro da Cidade “mais dinâmica do Brasil”, exista tanta miséria, doença, violência, tanta ausência.
As imagens são fortes, os depoimentos tristes, reveladores e dignos de muita reflexão. A ideia da Prefeitura em transformar aquela comunidade em “bairro modelo”, como foi anunciado nos primeiros anos da atual administração, é, por baixo, uma propaganda política estúpida e desumana. A cada dia que passa aquele bairro se modifica, as crianças crescem, as mães se multiplicam, as pessoas sofrem com falta da mínima infraestrutura.
O exemplo do Marcus, oficial de Justiça que se tornou um amigo da comunidade, como o leitor poderá acompanhar nesta edição, pode sim ser um trabalho de formiguinha, pequeno, porém muito valioso para tantos daqueles moradores. A velha historinha de que se cada um fizesse a sua parte... prova, nesse caso, que a solidariedade de um pode, além de confortar quem precisa, estimular a sensibilidade de quem tem tudo aos seus pés.
Se compararmos a estrutura da Polícia Civil de Palhoça, que possui 122 mil habitantes, com a de Tubarão, por exemplo, com 90 mil moradores, podemos afirmar que aqui se instaura a vergonha. Uma visita rápida à única Delegacia da Cidade denuncia essa realidade: faltam policiais, viaturas, salas de trabalho, espaço para reclusão de presos, estacionamento e tantos outros problemas.
Contra dados, nesse caso, não há argumentos: Palhoça está na lista das 10 cidades com maior número de mortes do Estado e, absurdamente, possui apenas um policial para investigar esses homicídios. Há, ainda, exagerado trânsito de drogas e armas nos bairros.
Esta semana mais uma notícia envergonhou Palhoça, quando sete detentos fugiram da única cela existente sem que qualquer policial de plantão notasse a investida. Aqui, presos já foram acorrentados por falta de espaço nos pilares da Delegacia, que continua, desde 2007, à míngua e à mercê de pedichos políticos.
O Município de Palhoça, sozinho, tem um crescimento populacional que oscila entre 10 e 12%, ou seja, a cada ano, cerca de 11 mil novos moradores fixam residência aqui. A configuração urbana, econômica e social de Palhoça transformou-se rapidamente e é percebida com muita clareza por quem vive na Cidade. Contudo, a estrutura que deveria amparar essa demanda está, definitivamente, apagada aos olhos dos vereadores e prefeito. Que vergonha Palhoça!
Uma matéria seria muito pouco para homenagear a lamentável partida de um dos principais apoiadores e incentivadores do jornal Palhocense ao longo da sua existência. Mais que um amigo de toda a equipe, o escritor e pesquisador Claudir Silveira, um apaixonado pela história do Município, foi um grande orientador, ora sugerindo caminhos a serem explorados pela reportagem, ora alertando sobre os vícios da profissão.
Seu Claudir, além de exemplar personalidade e comportamento, tinha características curiosas e únicas. Chegava de mansinho, observa tudo e todos sempre de óculos escuros e alimentava com orgulho a mania de colecionar qualquer pedaço de papel, livro, jornal ou outro documento que falasse da sua terra natal.
E, seja na fala ou na escrita, estava sempre preocupado com o desenvolvimento desenfreado de Palhoça, com a destruição dos antigos casarios e com o desinteresse político na área cultural. Essas, geralmente, foram suas bandeiras por aqui.
Nosso amigo permaneceu afastado de Palhoça por alguns meses e, para surpresa da nossa equipe, decidiu parar de escrever as crônicas semanalmente publicadas no Palhocense. Mas durante muitos anos cumpriu quase que um ritual: visitar a praça aos sábados de manhã para entregar a coluna, rever amigos, saber das novidades e, claro, coletar os impressos da semana.
Seu Claudir tinha outro diferencial: acreditava que os incensos purificavam ambientes e pessoas e, por isso, sempre os tinha por perto, como um pequeno símbolo e complemento da filosofia espiritual que seguia, a Rosa Cruz.
Nosso escritório ainda guarda com carinho uma das caixinhas de incenso que costumeiramente ele trazia de presente. E, ao tirá-la da gaveta nesta semana, sentimos o “cheirinho do Seu Claudir”, que nos trazia tanta luz para a mente e paz na alma. Que saudade daquelas conversas. Obrigado amigo!
Sempre que um ano termina a tendência é desejar boas vibrações, intenções e perspectivas para as pessoas ao nosso redor, acreditando que os próximos dias tragam novos e melhores rumos, ideias diferentes, realizações especiais. Toda essa boa energia que envolve o Natal e a virada do ano é, de certa forma, resultado da vontade de comemorar essas datas com pessoas queridas, com muitos sorrisos e paz no coração.
Mas, a satisfação de comemorar a chegada do novo ano é também criada a partir da experiência acumulada ao longo do ano que chega ao fim, numa mistura de alívio e gratidão. Com ou sem religião, a sensação de tarefa cumprida vem à tona e desce dos ombros, transformando-se pouco a pouco em ansiedade e euforia pelo novo ano que nasce em nosso calendário, história, memória.
E, ao olhar para trás, amarrados nessa mistura de sentimentos e emoções, percebemos, muitas vezes, que a alegria superou a tristeza em 2009. Que as vitórias superaram as derrotas, que ganhamos muito mais beijos que tapas, mais tranquilidade que estresse. Mas, se esse comparativo igualou-se durante 2009 e se tivermos acertado tanto quanto errado, ainda sim podemos comemorar, porque o empate também é sempre uma vitória. E se perdermos é porque ainda há muito que aprender pela frente.
Antes de desejar boas realizações para 2010 queremos registrar nossos agradecimentos para nossa equipe, leitores, anunciantes e parceiros. Muito obrigado e até o ano que vem!
Lamentavelmente, porém nada surpreendente, Palhoça ainda não definiu a programação de verão para as praias do Sul. Os turistas, mais uma vez, terão que usar a criatividade para despedir-se de 2009, divertir-se ou descansar, já que até agora, nenhum show ou atividade de lazer estão agendados. O jeito será, novamente, admirar as tímidas explosões de fogos organizadas por grupos particulares ou empresários ao longo das orlas. E só!
É inadmissível, frustrante e desanimador pensar que Palhoça, que “coleciona” títulos de melhor isso ou melhor aquilo, não vai oferecer sequer uma programação de Verão aos turistas e visitantes, que insistem em gastar aqui, certamente, somente pelas belezas naturais e hospitalidade dos moradores do Sul – porque em termos de infraestrutura estamos devendo muito.
Mais uma temporada vai passar em branco. Os poucos investimentos anunciados (e ainda não concretizados) chegam a ser vergonhosos: algumas lixeiras e chuveiros públicos, limpeza (voluntária) das praias e patrolagem de poucas vias. Há, ainda, outra péssima notícia: a Prefeitura teve que devolver ao Governo Federal 1,3 milhão que seriam usados na construção de uma estação de tratamento de esgoto na Enseada de Brito por falta de projeto! Pasmem!
Que vergonha Palhoça! Uma administração que possui como slogan “Cidade Bela por Natureza” não merece, indiscutivelmente, usufruir ou divulgar tantos recursos naturais nos quatro cantos do mundo. Que grande ironia! Os moradores da região Sul estão exaustos e, cada vez mais, desanimados em reivindicar qualquer coisa ou lutar pelo crescimento da Cidade. Dá pra entender tanta revolta por parte dos eleitores desses balneários.
Receber uma visita em casa é prazeroso, porém requer atenção e, na maioria dos casos, muito trabalho. Além dos enfeites, que fazem bem aos olhos, temos que redobrar a atenção com a limpeza e higiene, alimentação e as instalações como um todo. Esse é um conceito simples, entendido e repetido por muitas gerações.
No turismo também é assim. Na maioria das vezes, a simplicidade faz toda a diferença. Nem sempre é necessário bacharéis e especialistas no assunto para dizer o que precisa ser feito. Porém disso não podemos fugir: algo tem que ser feito. Não há necessidade de aqui exaltarmos o quão potente é a nossa região no quesito belezas naturais. Esse é um presente que já nos foi dado.
Esta semana nossa reportagem ouviu a opinião de comerciantes e moradores da região Sul, uma prática que poderia ser explorada pelo poder público para alavancar ações de melhorias nos quatro cantos de nossos balneários. Ouvimos palavras lamentáveis e vergonhosas para qualquer palhocense, quanto à preocupante falta de saneamento básico e desatenção da companhia Águas de Palhoça na região.
E a realidade não é só apresentada pelos moradores. O recente relatório da Fatma anuncia água “imprópria” para banho no Rio da Madre, na entrada da vila dos pescadores – fato que vem se tornando comum nos últimos anos. Desenvolvimento e progresso, por lá, não são palavras tão bem-vindas assim. Sozinhas, sem acompanhamento de infraestrutura, elas não empolgam nem moradores, nem comerciantes, muito menos turistas.
Envelhecer com saúde é a melhor coisa do mundo. Assistir à vida passar com todas as suas lembranças, memórias, acumulando experiências ao longo dos anos é prazeroso, estimulante e muito enriquecedor para o ser humano. Mesmo para aquelas pessoas que recusam o tempo e a idade por terem tanto medo da morte. Por que as pessoas não querem envelhecer? Por que a velhice para tanta gente é sinônimo de doença, desânimo, tédio?
Nesta semana 11 idosos do Município (nove mulheres e dois homens) disputaram o título de Rainha e Rei da Terceira Idade de Palhoça, numa clara demonstração de que a velhice só torna-se sinônimo de “feio” ou “inútil” para quem tem vergonha dela. Quem não tem, como nossos competidores, esbanja disposição, beleza e saúde, fazendo da terceira idade uma experiência fantástica e inigualável à qualquer outra fase da vida.
Portanto, a opção de nos tornarmos pessoas velhas com rotinas boas ou ruins só depende de nós, do nosso estado de espírito e comportamento. Mesmo depois dos 60 anos, eles demonstram toda a energia e ansiedade das jovens de 20 anos que disputam títulos de miss em nossa sociedade - um exemplo de muita disposição e amor pela vida.
Os quesitos analisados durante o concurso – simpatia, boa expressão, sociabilidade e melhor traje típico – vão muito além que a demonstração realizada durante o desfile. Antes do início da festa todos são vencedores pela iniciativa de querer viver bem na terceira idade. Parabéns rainhas e reis de Palhoça!
A Organização Mundial dos Estados, Municípios e Províncias (OMEMP), com sede em Brasília, indicou esta semana Palhoça como o terceiro município brasileiro em qualidade de vida no Brasil. A notícia revoltou muitos palhocenses, que sequer aceitam aquele outro título de Palhoça ser a cidade mais dinâmica do País.
Vendo a facilidade com que esses títulos se propagam na mídia fica difícil acreditar na seriedade de tais pesquisas. Palhoça era a 25ª cidade mais dinâmica do Brasil; em menos de um ano passou para o 1º lugar e agora ocupa a terceira posição no ranking de municípios com melhor qualidade de vida.
O leitor, com todo o direito, pode perguntar se trata-se de alguma piada. Não, não é piada. O título foi oficialmente repassado ao Município durante cerimônia no Senado Federal.
Ora, caros leitores, que importante nossa Cidade ficou da noite para o dia! Parece que foi ontem que presenciamos filas em postos de saúde, que vimos ruas intransitáveis, homicídios em todos os bairros e um crescimento urbano totalmente desordenado. É... parece mesmo que foi ontem... e foi!
Não sabemos em detalhes quais os critérios levados em conta para classificar Palhoça como a terceira melhor cidade em qualidade de vida. Contudo, presume-se que o termo “qualidade de vida” esteja atrelado ao bem-estar social em diferentes áreas (saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, infraestrutura, saneamento, entre tantas outras). Palhoça precisa melhorar e muito para chegar lá.
Conversas sobre os perigos da droga nas escolas têm sido mais frequentes e essenciais nos últimos anos, devido à demanda de ocorrências envolvendo o consumo e o tráfico. Conversar, entretanto, diante dos crescentes registros policiais, parece não promover o efeito esperado em nossas crianças e adolescentes. Certamente a maneira de pensar e agir da atual geração mudou, avançou e vai além das paredes do quarto.
Esta semana estudantes de seis escolas municipais atendidas pelo Proerd, programa de resistência às drogas encabeçado pela Polícia Militar, visitaram a sede do Cerene, na Praia de Fora, onde dezenas de jovens, pais e avôs tentam livrar-se do vício. A iniciativa, indiscutivelmente, é importante e necessária, afinal, ouvir depoimentos de um interno choca muita mais que ouvir os conselhos da professora.
Apesar da boa ideia, não são todos os jovens e crianças palhocenses que têm acesso a esse tipo de experiência. Por falta de estrutura e recurso, o Proerd não consegue atender todas as escolas – municipais, estaduais e particulares. Experiências desse tipo, tão valiosas e criativas, não poderiam faltar na agenda de qualquer instituição de ensino, afinal, a droga se aproxima de qualquer idade, bairro ou situação financeira.
O próprio poder público deveria assumir tal iniciativa, atendendo todos os estudantes do Município, independente da existência do Proerd. A Prefeitura poderia, por exemplo, firmar um convênio com as escolas; ou o Governo do Estado poderia ampliar o atendimento do Proerd; ou os pais e a comunidade escolar poderiam se organizar para solicitar que todas as turmas de 4ª série visitem um centro de recuperação anualmente. O resultado dessa ação certamente terá um valor incalculável a curto e longo prazo. A ideia está lançada.
Não é de hoje que defendemos uma política de turismo consciente, responsável e inovadora para a região Sul de Palhoça, cujo potencial vai muito além de cenários naturais tão bem conservados e divulgados por outros municípios catarinenses. Em outras palavras, Palhoça não valoriza sua beleza natural, tão pouco investe neste patrimônio.
Com a temporada de Verão se aproximando, não há outro jeito senão insistir no assunto e lembrar nossas autoridades do problema. Sim, o descaso com os balneários palhocenses transformou-se num polêmico (e cansativo) problema, especialmente para moradores e comerciantes dessas regiões, que conquistam os turistas muito mais pela acolhida que pela infraestrutura existente.
A Prefeitura criou recentemente uma secretaria na região Sul para resolver o caso. Entretanto, a iniciativa chegou tarde, não possui qualquer visibilidade e não conquistou o respeito e a confiança dos moradores, que continuam à mercê das promessas. Dá até para desconfiar que tal secretaria foi criada para abraçar novos cargos políticos – aquelas velhas pendências de campanha.
Há muito trabalho para ser feito. Problemas antigos, que preocupam a comunidade desde a época em que a Guarda do Embaú, por exemplo, firmou-se entre os roteiros de verão mais cobiçados de Santa Catarina. Há, ainda, deficiências graves na infraestrutura de balneários menores, pouco procurados por turistas, porém muito frequentados pelos palhocenses. A criação de um planejamento de obras, turismo e lazer é fundamental nesse caso. E para que ele seja colocado em prática, a comunidade deve reagir.
A burocracia, assim como o desinteresse da classe política, é um dos principais bloqueios na aprovação e aplicação de projetos em qualquer área. Um exemplo dessa realidade é a prometida (e tão reivindicada) construção da sede do 16º Batalhão de Palhoça no Jardim Eldorado. A obra já foi prometida e divulgada em diferentes âmbitos e esferas: municipal, estadual, executiva, legislativa.
Não é necessário explicar neste espaço porque esse projeto é importante – o crescimento repentino e acelerado do Município dão pistas suficientes. É provável que o atraso deu-se, também, por interesses políticos, afinal, qual a graça de inaugurar uma obra desse porte em ano sem eleições? Não, não teria mesmo a menor graça ou impacto naqueles cidadãos cujos olhos são facilmente conquistados pelo colorido dos fogos de artifício presentes nas cerimônias de inauguração.
Além disso, há uma significativa defasagem de 100 homens no efetivo. Trata-se de um grande paradoxo, quase uma ironia, criar um Batalhão sem homens suficientes para representá-lo e, principalmente, trabalhar pela comunidade como deve ser.
O fato é que o 16º Batalhão da PM completa o primeiro aniversário sem ter muito o que comemorar. De que adianta, senhores políticos, reivindicar a instalação de câmeras de segurança se não há soldados extras para fiscalizar as imagens? De que adianta vender a imagem da cidade “mais dinâmica” aos quatro cantos do mundo se não há policiais suficientes para, sequer, atender a população atual? Vamos refletir, senhores, vamos agir.
Há um pensamento, mesmo que sem grandes reflexões, que argumenta: “O artista não é um tipo diferente de pessoa, mas toda pessoa é um tipo diferente de artista” (Eric Gill). A frase ilustra uma matéria especial desta edição, a qual descreve parte do trabalho realizado por estudantes do colégio João Silveira, no bairro Aririú. Juntos, eles promoveram um festival de teatro e cultura, numa soma de muitos sonhos e grande entusiasmo pela arte da interpretação.
Nessa escola, a iniciativa partiu de um ex-aluno apaixonado pelo teatro, que criou um nome, que criou um grupo, que conquistou uma pequena legião de jovens interessados em vivenciar a cultura. Sim, o então estudante Jéferson é um tipo diferente de artista; não só aquele que domina ou ensaia expressões e entonações de voz, mas aquele que semeia um trabalho muito mais importante na esfera educacional; ele é um multiplicador de boas ideias.
A iniciativa, apesar de comum, é rara nas escolas do Município. É lamentável que o poder público invista tão pouco em cultura, uma realidade já tão comentada neste espaço; porém é preciso criar caminhos alternativos que possam, de certa forma, ocupar nossos adolescentes de bons projetos; de novas experiências educacionais; e por que não, de muitos sonhos. Teatro e cultura enchem barriga sim!
As escolas deveriam apostar mais nesses projetos alternativos; os educadores poderiam “sugar” melhor a energia desses jovens para um aprendizado em conjunto, envolvendo disciplinas variadas, com regras novas, porém com um único pré-requisito: notas boas no boletim escolar. Afinal, qual o jovem que não é seduzido pelo diferente?
Falar da cultura açoriana é falar da história de Palhoça e dos costumes deixados pelos imigrantes luso-açorianos. Independente da descendência de qualquer palhocense, conhecer e prestigiar o legado herdado do Arquipélago dos Açores, em Portugal, é somar conhecimento para entender e saber questionar este Município.
O velho ensinamento de que conhecer o passado é importante para planejar o futuro é extremamente valioso, afinal, como posso saber o que quero sem saber primeiro quem sou? A justificativa parece confusa, matéria estranha da Filosofia, mas é verdadeira. Sim, fica muito mais fácil fazer planos com quem você conhece.
É preciso reconhecer que, historicamente, a cultura açoriana é a mais forte do Município. A charmosa Enseada de Brito foi a porta de entrada para esses 496 moradores estrangeiros, que traziam na bagagem pouca informação e muita esperança.
Muito de suas tradições e costumes foi conhecido nesse final de semana, durante a realização do 16º Açor, maior festa da cultura açoriana de Santa Catarina. O evento é itinerante e anualmente percorre diferentes municípios do nosso litoral.
Quem assistiu às apresentações, visitou os estandes, conversou com os expositores ou organizadores, não pode deixar de aplaudir tal iniciativa, promovida pelo Núcleo de Estudos Açorianos (NEA), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Prefeitura Municipal.
Entre tanto colorido, amor pela cultura e vontade de preservar a rotina dos mais antigos, ficou a lição de que não importam quais são as espécies das raízes, mas sim a beleza em conjunto das flores.
Muito se fala em diferentes períodos do ano, na importância de se amar ao próximo e, principalmente, de se colocar esse amor em prática através de ações sociais e trabalhos voluntários. Mas, a verdade é que são poucas as pessoas que enxergam além do perímetro pessoal, ou seja, que se dedicam realmente a cuidar de alguém que não seja seu parente ou amigo próximo.
De sábado a segunda-feira será possível conhecer o trabalho de diferentes voluntários e entidades que promoveram para milhares de crianças palhocenses um Dia da Criança especial, através da doação de presentes, refeições e muitas brincadeiras.
Trata-se de grandes lições de carinho aos pequenos filhos da nossa sociedade, que precisam tanto de educação quanto de diversão e entretenimento. Brincar e sorrir são muito importante. Todos esses voluntários são pessoas raras, que integram um grande exército da solidariedade pronto para lutar a favor do bem comum e do melhoramento do mundo.
A formação humana construída de forma harmoniosa, se embasada em bons princípios éticos, e se construída sobre pilares sadios da sociedade, dá frutos importantes e fundamentais para a convivência social. O fato é que, nesse processo de solidariedade, e consequente construção da formação humana, de boas personalidades e de bons perfis humanos, o trabalho dessas entidades e demais voluntários ganha uma significativa dimensão e importância social.
São trabalhos sociais assim que fixam na sociedade esses pilares harmoniosos dos quais tanto precisamos. Ajudar as pessoas é sim uma forma de repassar a elas boas iniciativas e princípios morais. É mostrar que a solidariedade é uma das armas com a qual podemos lutar sempre. Por que ela sempre apontará para o bem comum.
Por algum motivo, ainda não sabido, o ser humano tem uma atração mística pelos números. Pois bem, chegamos ao Jornal Palhocense número 200. Ao mudar para uma nova centena, é inevitável uma pausa para uma retrospectiva. Na correria do fechamento desta edição, nos vem à mente pessoas e situações que marcaram nossa história. Figuras que, com suas sugestões e experiência, ajudaram a escrever nossas páginas.
Um jornal não é feito apenas de celulose e tinta. Há muito mais entre nossas folhas e muito mais colaboradores do que caberia em nossa redação. Aqui há histórias de vidas, lembranças, fatos históricos, paixões, descobertas. Como esquecer a manhã de julho de 2005, quando apresentamos um novo formato, uma nova proposta aos leitores palhocenses? Como esquecer o entusiasmo e o carinho com que fomos (e somos) semanalmente recebidos nas casas, comércios, escolas?
Isso só engrandece nossa responsabilidade, inflando o entusiasmo de reportar Palhoça para os palhocenses, participando da história e da (in)formação de tantas pessoas. Tal ofício nos enche de orgulho e vale mais que qualquer prêmio já recebido por nossa equipe. Mesmo tão jovem, o jornal Palhocense já subiu ao palco do maior evento jornalístico de Santa Catarina por quatro anos consecutivos.
2009 marca também o 20º ano de criação do jornal “O Palhocense”, um periódico que, apesar de extinto institucionalmente, continua latente na base de formação do Palavra Palhocense.
Entre as bilhões de palavras publicadas ao longo dessas 200 edições, se tivéssemos que escolher apenas uma para estampar este jornal como um todo, seria ela, caro leitor: OBRIGADO!
Recentemente, durante explanação na Câmara de Vereadores, o Superintendente Municipal de Trânsito de Palhoça, Luis Duncke, admitiu: “Podemos formar o motorista do futuro, mas os de hoje podemos apenas tentar controlar”. A afirmação encaixa-se bem na proposta da Semana Nacional do Trânsito, a qual, desde a última segunda-feira, vem explorando assuntos relacionados ao tema nas ruas e salas de aula de Palhoça.
Apesar dos índices assustadores e o aumento vertiginoso da frota, a solução parece mesmo estar atrelada à educação, ou seja, informar, alertar e capacitar os futuros motoristas pode garantir maior senso de responsabilidade.
Difícil encontrar entre nós alguém quem não teve ceifado de seu convívio um parente ou amigo muito próximo por um acidente no trânsito. A dor, porém, parece não servir como remédio. A amarga dor da perda não nos torna pessoas mais prudentes, responsáveis e conscientes no trânsito.
É dentro do carro, e entre as duas calçadas, que expressamos boa parte de nosso convívio comunitário. Não são raros os casos de pessoas que assumem outra personalidade atrás do volante. É ali que também demonstramos nossas emoções e nosso caráter, nossa tolerância e paciência. Nessa corrida sem premiação, motoristas desvairados penhoram a vida em troca do milésimo de segundo. Muito pouco, muito pouco mesmo!
Não podemos subestimar o poder de formação dos mais jovens. Sobre eles, em todas as gerações, recaiu o pesado fardo da mudança, da renovação. E a história mostra que a redenção costuma vir do mais jovem para o mais velho. É sobre isso que se apóia o objetivo das campanhas sobre o trânsito... pode perguntar para o seu filho, ele vai saber!
Todas as vezes em que as cancelas do pedágio autorizam a passagem de um palhocense, não é só o orçamento do cidadão que segue explorado. O movimento repetitivo, da famigerada máquina de fazer dinheiro, é símbolo da falta discernimento, bom senso, inteligência e honestidade de nossos políticos.
Os adjetivos em questão descrevem o recente capítulo de uma novela sem graça: a isenção do pedágio. Outro sentimento que se mistura à revolta da população é a mais pura vergonha. Vergonha dos políticos que nos representam e nos fazem de bobos a cada instante.
No afã de destacarem-se frente aos holofotes, nossos representantes tropeçam nas próprias vaidades. Deixando o dito pelo não dito, eles esquecem dos limites da lei e, com medo de uma vaia, colocam muito a perder.
Como peças de um tabuleiro, os moradores do sul são manipulados. Por duas vezes cadastraram com esperança em um sonho invisível. Nenhuma promessa até agora foi confirmada. Nenhum benefício foi concedido! E o pior: não há qualquer perspectiva para que este cenário de mentiras se desfaça.
Não há intenção ou vontade política por trás dos discursos. Retirando-se o verniz, não fica nada. O pedágio foi um tema que pautou muitas promessas e falas, mas tende a cair na vala do esquecimento. Uma lição fica: nossos políticos tremem de medo quando a opinião pública esboça uma reação. Essa é a dica.
Teoria da conspiração, detalha o dicionário virtual, é um termo utilizado para referir qualquer teoria que explica um evento histórico ou atual, sendo resultado de um plano secreto elaborado por conspiradores maquiavélicos e poderosos. Poderíamos considerar, diante dos recentes e antigos acontecimentos, que teoria da conspiração é também um sinônimo para a conhecida e vulgarizada “política”.
Um amigo comentou outro dia que as páginas de um certo livro lhe abriram os olhos quanto ao comportamento humano: “O ser humano é coerente”, diz a publicação. Mas como é possível, diante das atrocidades que nos surpreendem ou sufocam diariamente? Ora, caros leitores, a afirmação é justificada pelo autor: toda a pessoa é coerente com seus objetivos, ou seja, seus interesses próprios.
Em Palhoça, assim como no resto do mundo, a politicagem se sobrepõe à verdadeira política, aquela que faz jus ao seu significado (conjunto de princípios e medidas colocados em prática para a solução de problemas sociais; arte da organização, direção e administração das nações). E aqui, assim como em qualquer outro lugar, pessoas mudam seus ideais, discursos e bandeiras em prol dos seus negócios.
Esse breve discurso, senhores leitores, não tem outro objetivo senão estimular a reflexão sobre a forma vexatória, humilhante e triste como alguns poucos palhocenses, que ainda mostravam-se firmes, foram seduzidos pelo poder e pelo estrelismo da política. Vendo tudo isso não podemos pensar em outra explicação a não ser a lamentável existência de uma teoria da conspiração a favor do dinheiro e da vaidade. Que pena!
Se compararmos a estrutura da Polícia Civil de Palhoça, que possui 122 mil habitantes, com a de Tubarão, por exemplo, com 90 mil moradores, podemos afirmar que aqui se instaura a vergonha. Uma visita rápida à única Delegacia da Cidade denuncia essa realidade: faltam policiais, viaturas, salas de trabalho, espaço para reclusão de presos, estacionamento e tantos outros problemas.
Contra dados, nesse caso, não há argumentos: Palhoça está na lista das 10 cidades com maior número de mortes do Estado e, absurdamente, possui apenas um policial para investigar esses homicídios (43 casos estão em aberto desde 2004). Há, ainda, exagerado trânsito de drogas e armas nos bairros.
Devido ao notável aumento de mortes na região (o Governo do Estado encomendou um levantamento recente), um plano de combate à criminalidade deverá ser colocado em prática nos próximos dias. As melhorias, se chegarem até Palhoça, chegam tarde demais. O Município já ultrapassou e muito os limites de segurança desejáveis por qualquer sociedade e virou manchete comum nas páginas policiais.
O Município de Palhoça, sozinho, tem um crescimento populacional que oscila entre 10 e 12%, ou seja, a cada ano, cerca de 11 mil novos moradores fixam residência aqui. A configuração urbana, econômica e social de Palhoça transformou-se rapidamente e é percebida com muita clareza por quem vive na Cidade. Contudo, a estrutura que deveria amparar essa demanda está, definitivamente, apagada aos olhos de qualquer palhocense.
Para os filhos da geração do consumo, no qual tudo é efêmero e funcional, certamente uma exposição de arte, como a que será montada pelo artista plástico palhocense Jacob Silveira, no próximo dia 04 de setembro, na Guarda do Embaú, é uma programação nada atraente. Isso porque, os olhos, já tão acostumados com o banal e o entretenimento anestesiante, vão buscar entre os rebuscados traços do artista uma explicação lógica ou uma simples função decorativa.
Nossa lógica de consumo insiste em impor que não há em nossa acelerada vida espaço para o ócio, para a reflexão, para a cultura, para a arte, para o ser. Remando contra essa torrente de modernidade, estão alguns poucos abnegados que penhoram suas próprias vidas em nome de um ideal, seja ele a criação de um centro de cultura, a democratização da arte ou formação social pelo lado mais simples e intuitivo da vida.
Jacob Silveira e demais artistas plásticos de Palhoça, que ousam em exibir suas cores, formas e riscos, são heróis por persistência. Não esperam qualquer reconhecimento ou título – seus trabalhos buscam a autenticidade, a busca interior, inerente a qualquer ser humano – embora a grande maioria das pessoas aprenda desde muito cedo a reprimir essas sensibilidades.
Transformados em hino de uma década, os versos “A gente não quer só comida/a gente quer comida, diversão e arte” deveriam ser mais atuais do que nunca. Mas, caro amigo Jacob, embora a fome das grandes multidões seja só de comida... continuamos sem medo de gritar: “Diversão e arte para qualquer parte!”.
O Prefeito Ronério foi claro essa semana ao ser questionado, mais uma vez, sobre o porquê da venda do prédio do Fórum Municipal, cedido ao Município pelo Tribunal de Justiça do Estado. Ele reforçou que sua administração segue um planejamento que não pode ser alterado da noite para o dia, ficando à mercê dos polêmicos abaixo-assinados.
Mas vamos com calma! O direito de expressar direito o que se pensa, se mal interpretado, pode facilmente transformar-se no errado. Não nos parece que esses cidadãos estejam alinhados com qualquer braço político; parece sim é que eles valorizam a política no que tange à sua essência: conjunto de princípios; a ciência da organização, direção e administração.
Essa “organização de direitos”, denominada “campanha O Fórum é Nosso!”, não tem, possivelmente, a pretensão de alterar a agenda ou metas da atual administração, e sim provocar a reflexão para uma realidade sem disfarce: investimentos na área cultural não são prioridades – é uma questão de “cultura política”.
Há, evidentemente, uma demanda de necessidades vitais para o equilíbrio de qualquer município. A dívida social que Palhoça vem acumulando ao longo dos últimos anos, devido ao crescimento acelerado e desordenado, conforta qualquer apelo iminente em prol da história, tradição, costumes e comportamentos desta sociedade.
Contudo, há de se compreender algum dia que para se planejar o futuro deve-se primeiro conhecer o passado. E a identidade de Palhoça está, fatalmente, associada à sua cultura.
Palhoça deu esta semana um notável passo em direção à democracia e à popularização da informação política. A Câmara de Vereadores, embora tenha implantado o projeto tardiamente, acertou ao instalar a TV Câmara, que transmite as sessões em áudio e vídeo via internet para o mundo.
A tecnologia, nesse caso, veio a calhar muito bem diante da carência de conhecimento político no âmbito municipal dos palhocenses, que sequer sabem os dias da semana em que acontecem as sessões (segundas e terças-feiras). A população não se interessa em presenciar as sessões e mal conhece os vereadores eleitos.
Agora, com a nova ferramenta, será possível conhecer não o caráter, mas a personalidade dos parlamentares palhocenses. Os cidadãos poderão conhecer (e cobrar) a análise e votação das matérias, posicionamentos em projetos polêmicos e, felizmente, o comportamento dos vereadores em plenário.
A vigilância, definitivamente, está instaurada! Tanto pela população, que poderá ficar por dentro de tudo (pelo menos durante as sessões), quanto pelos vereadores, que deverão comportar-se como manda o figurino, evitando os deboches e as encenações de praxe.
Sim, senhores vereadores, as câmeras vão registrar qualquer frase entoada, qualquer dedo apontado, qualquer indício de conchavo e, claro, o rostinho de todos vocês. Vamos lá cidadãos palhocenses! Vamos trocar a novela das oito por uma nova programação de gênero variável (suspense, drama e/ou humor) e classificação liberada para todas as idades.
Observar baleias francas é privilégio para poucos, especialmente em alto mar, com embarcações especializadas e seguras e profissionais de turismo. Afinal, são poucos os municípios brasileiros que têm a vantagem de receber todos os anos em suas águas esses mamíferos majestosos. Palhoça é um desses municípios, embora nem mesmo seus próprios moradores tenham essa certeza.
A temporada reprodutiva das baleias francas no Brasil acontece de julho a novembro. Habitualmente, a praia Guarda do Embaú e Praia de Cima são cenários para esse espetáculo, pois o litoral palhocense está inserido na chamada APA (Área de Proteção Ambiental) da Baleia Franca, que prevê a restrição de atividades náuticas e recreativas em geral, realizadas por embarcações motorizadas.
Nosso Município, portanto, possui todos os atrativos naturais necessários para explorar o segmento do turismo com mais vigor e seriedade. Segundo informações do Projeto Baleia Franca, de Imbituba, o turismo de observação de baleias francas gera hoje cerca de 1 bilhão de dólares/ano em nível mundial. O chamado “whalewatching” pode ser praticado na região com grande facilidade e vem sendo estimulado pelo Projeto em parceria com autoridades e empresários locais do setor turístico.
Então o que falta para Palhoça deslanchar nesse segmento? Com certeza, interesse político e organização da sociedade. O setor turístico do Município está definitivamente apagado, longe das prioridades – e não é por falta de observação e reclamação dos moradores da região Sul.
Palhoça precisa investir muito mais em infra-estrutura turística. Afinal, se o Município é “belo por natureza”, por que não dividir essa exuberância com o mundo e assim gerar mais emprego, renda e consciência ecológica pra nossa gente?
O fechamento do Restaurante Popular, na Barra do Aririú, é um caso, no mínimo, indigesto para os moradores daquela comunidade e redondezas. Ora, se o restaurante é “popular” e se foi criado para o Município, deve fazer jus ao seu papel: alimentar a população carente a preços acessíveis.
Os argumentos apresentados pelos três vereadores que disputam atenção e votos naquelas comunidades confundem-se todo o momento com a política. O fato é que o Restaurante Popular transformou-se num trampolim eleitoreiro a favor de quem se mostra “interessado” nele.
Vejamos: se a ideia de oferecer comida aos mais carentes saiu do papel e se está sendo disputada com unhas e dentes pela classe política, é por que se transformou sim numa vitrine de “benfeitores”. O fato de o Restaurante Popular estar fechado há tantos meses comprova a afirmação de que o povo, nesse caso, não está em primeiro lugar.
Independente do esforço e da dedicação da diretoria do Conselho Comunitário São Tomé, o Restaurante Popular tem sabor de política sim! E tudo poderia voltar ao normal não fosse a guerra de vaidade, orgulho e vingança.
Por que será que nossos vereadores, que estão tão preocupados com o futuro do Restaurante Popular, não usam a mesma energia para lutar, por exemplo, a favor da preservação e recuperação do nosso abandonado Parque Municipal? Por quê? Ora essa, caros leitores, por que dar comida aos pobres, indiscutivelmente, dá mais votos que preservar o meio ambiente. É ou não é?
Quem disse que faculdade é coisa apenas para jovem? Aprender e divertir-se entre amigos, sem dúvida, é uma combinação de vida adequável a todas as idades.
Neste sábado, a Faculdade da Maturidade, voltada para palhocenses acima de 50 anos, vai formar sua primeira turma. O projeto, idealizado pela Primeira-dama Dirce Heiderscheidt, faz jus à responsabilidade política de qualquer gestão: criar projetos sérios e inteligentes, capazes de formar os cidadãos para o bem.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existem hoje no Brasil cerca de 14,5 milhões de pessoas acima de 60 anos; um número que deve dobrar nos próximos 25 anos, chegando a 30 milhões de idosos. Por isso, é fundamental que os Municípios implantem, cada vez mais, projetos que atendam essa demanda com qualidade, partindo da ociosidade para a criação e a realização pessoal.
Definitivamente, os idosos devem fugir do isolamento social, da depressão e outras doenças causadas pela desocupação em excesso. O segredo é reinventar a terceira idade, movimentando o corpo e a mente, para que o ócio não se torne um inimigo. A velhice pode tornar-se amarga para algumas pessoas, mas, indiscutivelmente, tem um potencial singular.
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