Lançamento da ExpoPalhoça 2010 reúne autoridades e empresários
Blocos de Carnaval de Palhoça
Desfile das Escolas de Samba Florianópolis - Parte II
Baile Verde e Branco
Desfile das Escolas de Samba Florianópolis
Baile Infantil do Clube 7 de Setembro
Escolha da Rainha do Carnaval 2010
Posto Marola reabre as portas sob nova direção
Alfredo Wagner festeja o aniversário do Prefeito Ronério
Baile Municipal - Clube 7
Web Rádio Enseada festeja 2 anos
Aniversário Camila Bonfin Luz
Palhoça - Quarta-Feira, 10 de Março de 2010 - Boa Noite!!!

|Dito e Kito|Houve um período no início da nossa vida de surfista em que as praias de Imbituba eram nosso principal objetivo. Cerca de 100 quilômetros ao Sul de Palhoça, era de fácil acesso e as ondas de boa qualidade, como todos sabem na atualidade.
Dependendo da direção do vento tínhamos as opções da praia da Vila, praia do Porto e a praia D’Água, essa última, sempre sem crowd (surfistas em excesso), mas que, no entanto, era a praia que menos nos atraía, porque tínhamos que deixar o carro longe da nossa visão.
O nível do mar na praia D’Água fica bem abaixo do morro, um tipo de abismo, assim, tínhamos que descer cerca de 20 metros até as ondas. Geralmente chegávamos bem cedo ao pico, dávamos uma caída, depois hora do lanche, um descanso e mais uma caída.
Naquele dia saímos de Palhoça na madrugada. Eram quatro surfistas fissurados dentro do Fusca, na expectativa de boas ondas. Não deu outra: a praia D’Água tava quebrando. Vento terral, água clara e quente e ondas em torno de um metro e meio. O mar estava tão bom que nem descansamos, exceto um de nós, que preferiu ficar no carro tirando uma soneca depois do almoço.
Voltamos para o mar e deixamos nosso amigo no merecido descanso. Após várias ondas surfadas ouvimos gritos no alto do morro. Ao olharmos para cima visualizamos o surfista desesperado e o nosso Fusca na ladeira sem rumo e em alta velocidade, totalmente desgovernado.
Ao pegar no sono, ele não percebeu e tocou na marcha colocando em ponto morto, e, como o freio de mão estava em péssimas condições, o Fusca desceu ladeira abaixo. A sorte foi que o surfista sonolento conseguiu pular do carro, abandonando-o à deriva.
Como sempre, quando não há feridos, só nos resta dar boas gargalhadas das nossas próprias trapalhadas e lamentar profundamente mais um Fusca destruído em nossas mãos.
|Dito e Kito|Pelo segundo ano consecutivo, a Praia da Joaquina, em Florianópolis, vai abrir o Circuito Catarinense de Surf Profissional, edição 2010, no próximo final de semana (5 a7 de março), oferecendo uma premiação de R$ 30 mil. Os surfistas da Guarda, Júnior Maciel, Nodin Silveira e Vinícius Pereira, já estão treinando forte para a competição.
O terremoto no Chile foi de maiores proporções que aquele que atingiu recentemente o Haiti, mas porque então não fez tanto estrago nas construções quanto lá no Caribe? Segundo analistas, a resposta está na corrupção, ou seja, o Chile é um país onde esse mal não está tão enraizado e têm leis rígidas e tolerância zero, assim, as construtoras são obrigadas a utilizar material de boa à ótima qualidade e os fiscais não são submetidos ao “jeitinho brasileiro” na hora de avaliar os imóveis para os licenciamentos.
As boas ondas na Prainha (ao lado da Guarda do Embaú) com a entrada de swell (ondulação) na última sexta-feira do mês de fevereiro (26), quando as direitas em torno de dois metros quebraram forte durante todo o dia, atraíram a equipe Freesurf, que veio em busca de boas fotos para divulgar a marca. Na foto, o paulista Binho Nunes e os gaúchos Daison Pereira (campeão profissional daquele estado) e Rodrigo Pedra Dornelles (ex-WCT).
Enquanto não vem o asfalto, a via que liga a BR-101 à Guarda do Embaú e à Pinheira precisa urgentemente de manutenção. Paralelepípedos soltos e os buracos colocam em risco os motoristas. Segundo o secretário do Sul do município, Laudelino Soares, a estrada, que era estadual, passou ao Município, portanto, é mais um encargo para a secretaria, que já está providenciando os reparos. Aliás, conforme o secretário, mais uma máquina chegou ao Sul para aliviar as constantes reclamações pela falta de estrutura da pasta.
Terminou esta semana a enquete no nosso blog (http://blogdomarcoskito.blogspot.com/) sobre a verticalização pretendida pela administração do prefeito Ronério Heiderscheidt (PMDB) na Baixada do Maciambú. Pelo “sim” optaram 30% dos votantes e pelo “não” foram 70% da votação.
Toma posse neste sábado (6) na presidência do Centro Comunitário dos Moradores da Passagem do Maciambú, depois de uma eleição muito disputada, o senhor Quintino Pedro Gonçalves (Tininho), que foi reconduzido ao cargo para mais três anos. Terá pela frente a responsabilidade de manter o Posto de Saúde; o Posto Policial Militar; o Salão Comunitário, a Praça da Igreja; aula de judô, curso de Informática e o campo de futebol, que já está sendo reformado com a ajuda da administração municipal. Convenhamos, a tarefa não será fácil. Vai precisar, com certeza, da ajuda da comunidade.
|Dito e Kito|No início da década de 80 um dos lugares que eu mais gostava de visitar era a Lagoa de Ibiraquera, em Imbituba. Ficava hospedado na casa de um amigo, que não era surfista, mas tinha um irmão mais novo que gostava do esporte e ia junto comigo só pra ver. Foram dias e dias surfando praticamente sozinho na praia do Rosa, na praia do Luz ou na praia de Ibiraquera.
Durante o dia surfe e a noite as baladinhas com o irmão mais velho. Ele possuía um Fusca que nos levava para todos os lados. A Foca, como chamávamos o carro, era um verdadeiro guerreiro. Nunca pifava, além de alguns pneus furados, pois a estrada era realmente muito ruim.
No carnaval de 1982 não foi diferente. Lá fomos para a Lagoa de Ibiraquera mais uma vez. Nosso intuito era, agora, somente as noitadas que aconteciam no famoso bar chamado Bicão. Lá era nosso point. Sempre deixávamos o bar na madrugada e íamos em direção de casa por uma estrada muito empoeirada e esburacada.
Num daqueles dias, no meio do caminho, começamos a sentir um cheiro de queimado. Depois veio a fumaça e, como diz o ditado, ”onde há fumaça há fogo”. Quando meu amigo, que estava no volante, sentiu que havia algo errado colocou a marcha no ponto morto e desligou o motor, deixando o carro andar suavemente. Quando vi que era sério, não contei tempo: abri a porta e coloquei o pé no chão a fim de sair do carro.
No entanto, naquela confusão e desespero, não percebi que o carro estava em movimento e não deu outra: quando coloquei os dois pés no chão saí no embalo da Foca e caí de peito, me arrastando por alguns metros e sofrendo várias escoriações leves.
A cena foi tão inusitada que nem deu tempo para sentir as dores quando percebi que o meu amigo estava se “rachando” de tanto rir. O sinistro foi apenas um curto circuito que fez com que o fusca não funcionasse mais e tivemos que chamar o guincho. Aquela cena continua na minha mente e quando chega o Carnaval, ou quando nos encontramos, dou boas gargalhadas.
|Dito e Kito|Essa expressão é tão antiga, mas nunca perde o seu significado. Pois o cidadão comum e a administração municipal, com o auxílio do estado, estão simplesmente fazendo o inverso com a Baixada do Maciambu.
A região é muito especial, tombada e reconhecida internacionalmente pela Unesco como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica; abriga espécies raras e ameaçadas de extinção e tem uma natureza exuberante que atrai turistas das mais variadas partes do mundo. Mas isso parece não importar.
Vamos, então, começar pelo cidadão. Construções sem a mínima preocupação com a legislação; lixo de toda a espécie pelas praias e avenidas; volume do som no limite; esgoto na rede pluvial ou sem a mínima especificação técnica para não atingir o lençol freático são algumas das situações que agravam a falta de cuidado com o nosso lugar.
A administração pública municipal, e isso não é de agora, segue no mesmo caminho. Com a desculpa de que a sede fica distante 30 quilômetros geograficamente, não fiscaliza, e quando o faz, não resolve, salvo raras exceções. Na mesma linha vem o poder público estadual que, mesmo reconhecendo que a região é muito importante, não executa a sua tarefa de colocar em prática programas e projetos baseado num desenvolvimento realmente sustentável, que venham a alavancar a região nas adjacências ou inserida no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.
Ainda temos alguns fatores que, inevitavelmente, nos prejudicam e ajudam a matar a galinha dos ovos de ouro, como por exemplo, a praça do pedágio, que dividiu o município e impôs mais um imposto ao já combalido morador do Sul do Município.E a mais recente notícia: a verticalização (construções de até 12 andares). Mas, só isso, também não basta. A falta de saneamento tem colocado uma das mais belas praias do Brasil, a Guarda do Embaú, em xeque, quando considerada imprópria para banho.
Mas o que isso tem a ver com “história de surfista”? Eu explico. Desde o início da década de 80 os surfistas, por intermédio da Associação de Surfe e Preservação da Guarda do Embaú, têm alertado a população e as autoridades para o caos que a falta de fiscalização e planejamento poderiam causar. Inúmeros pedidos, solicitações e denúncias com o endosso das outras associações já foram feitos até a presente data, mas parece que “matar a galinha dos ovos de ouro” é primordial até agora.
|Dito e Kito|Outro dia li a notícia na Internet, a mídia que mais veicula informação sobre surfe, que o nove vezes campeão do mundo, Kelly Slater, está lançando uma prancha inovadora. Em conjunto com a Channel Islands Surfboards, Slater está desenvolvendo um novo modelo de prancha inspirado nas corridas de barcos.
Pois é, com base no fundo das super máquinas aquáticas de velocidade, a prancha apresenta um “buraco” similar, no qual a água é comprimida e um pequeno canal em forma de túnel, que passa por cima, fica encarregado de drenar todo ar.
Entro neste tema não para falar da prancha propriamente dita, que ainda ninguém viu na água, além de Slater e alguns sortudos, mas para falar sobre o próprio Slater.
Já em 2004, quando fiz assessoria de imprensa para a Fecasurf no WCT Brasil, na praia da Joaquina, uma das pautas era saber, após uma “expression session” (melhor aéreo), qual prancha usava para aquela “brincadeira”.
Lembro bem do dia ensolarado, com ondas em torno de meio a um metro e que os surfistas podiam usar Jet Sky (town in) para conseguir mais velocidade para os aéreos. Slater demonstrava total intimidade com a modalidade e tinha nas mãos uma prancha que eu teria que saber como era.
Ao sair da água consegui uma brecha e, na areia, entrevistei o campeão que me atendeu prontamente, mas muito rápido. Não lembro bem das palavras, mas ele dizia que estava usando uma prancha “normal” para aquele tipo de mar, ou seja, sem inovações. Ele não ganhou o prêmio, mas empolgou o público.
Dito isso, o fato é que sempre se espera algo surpreendente de um campeão, ainda mais quando se é nove vezes campeão do mundo. Slater tem estado à altura das expectativas e sempre apronta uma. Dessa vez é esta prancha com super canaleta e saída de água por cima.
Resta saber quando o ícone do surfe vai estrear esse novo modelo. Será em Snapper Rocks, Austrália, onde rola a primeira etapa do World Tour? O que se passa na cabeça do gênio agora? É ver para crer...
Em mais um dia daqueles de cinema - com muito sol e água azul -, e depois de uma sessão de surfe na Prainha (ao lado da Guarda do Embaú), percebi algo raro quando dois surfistas se dirigiam ao outside (onde quebram as ondas): um segurava o ombro do outro. Fiquei mais atento e constatei que se tratava de um surfista deficiente visual. Algo raro e muito inspirador.
Da areia fiquei observando para saber como seria sua performance que varou a rebentação normalmente e ficou esperando as ondas. Depois de várias tentativas lá foi ele cortando a onda. Enfim, surfando normalmente.
Ao voltar, já na Vila da Guarda, coincidência ou não, pois como jornalista fiquei impressionado e instigado para falar com eles, não é que os encontrei? Evidentemente que fui falar com a dupla.
O cara se chama Elias Diel, o Figue, de 36 anos. Tinha futuro no surfe, mas aos 16 anos sofreu um acidente e ficou cego. “Faz três anos que voltei a praticar o esporte. Estou amarradão”, comentou, todo empolgado com um sorriso. Seu amigo, Gustavo Leipnitz, disse que são como uma família e sempre tem alguém para servir de guia ao Figue, que é de Balneário Camboriú, instrutor de Yoga e praticante de surfe na praia Brava, em Itajaí/SC.
Figue foi, inclusive, inspiração para o documentário de vídeo “Uma Luz no Fim do Tubo”, produzido pelo jornalista Antônio Zanella, que conta a história de superação de Elias. O documentário conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cinema de Aventura e Turismo, em Socorro (SP), no ano passado.
Aquela imagem, no entanto, do surfista deficiente visual nas ondas, ficou gravada da minha mente. Isso sim que é exemplo de vida e força de vontade! Isso se chama superação e quebra de barreiras. E nós, aqui, reclamando da vida...
|Dito e Kito|Na década de 80 acampar na orla era a saída para o surfista que não tinha como pagar uma pousada ou um hotel. Morando na sede (centro) do município de Palhoça, nosso destino quase sempre era a praia da Pinheira ou a Guarda do Embaú, a cerca de 30 quilômetros ao Sul. Não tinha tempo ruim, depois de combinado com a galera, a barca era certa.
Para aumentar a emoção íamos com as namoradas, que quase sempre nos acompanhavam sem que suas mães soubessem, quer dizer, a minha namorada dizia que iria dormir na casa da amiga, e assim por diante. Acho que hoje ainda é assim. Mas este é outro papo.
O fato é que era uma verdadeira aventura sair do centro de Palhoça até chegar à praia da Pinheira. Pneu furado ou falta de gasolina eram os empecilhos mais comuns. A estrada (BR-101) naquela época era tranquila, mas ao sair dela começava outra aventura. A estrada antiga que dava acesso às praias de Palhoça, cerca de seis quilômetros de chão batido, sempre nos dava dor da cabeça, fosse pela chuva ou pelo excesso de poeira.
Passada essa fase, as ondas nos esperavam. Ficávamos geralmente no meio da praia, antigo Hotel do Espanhol. As condições para o surfe sempre eram uma incógnita. Não havia Internet, surfe repórter ou alternativa que indicasse as condições. Era na raça mesmo.
Nosso local preferido era acampar ao lado de um pequeno riacho. Ali passamos muitos finais de semana. Num desses chegamos com vento sul, o que era bom e surfamos, para nós iniciantes, boas ondas. A noite chegava ao som da viola ao lado da fogueira e um garrafão de vinho, se bem me lembro, daqueles muito doce.
Evidentemente que um garrafão para quatro pessoas é ressaca na certa. Aliado a isso, durante a madrugada o vento virou para Nordeste, e esse vento na Pinheira pega de cheio. Quando acordamos parecia que estávamos no deserto do Saara. Areia nos olhos, na boca, na orelha, enfim, a barraca quase foi engolida pela tempestade.
Mas essa era a nossa maior alegria. Sentir a natureza bem de perto, não importava como, nem onde. Acho que é isso que está faltando hoje ao ser humano. Essa integração maior com a natureza.
|Dito e Kito|Ao passar na praça central da Palhoça observei que na decoração de Natal deste ano tem um Papai Noel segurando uma prancha. Fiquei pensando como seria este mundo tão explorado se o Papai Noel tivesse o feeling do surfe nas suas veias. O fato é que um Papai Noel nascido no Hawaii – a Meca do surfe mundial -, por exemplo, talvez estivesse mais ligado ao nosso estilo de vida.
Mas seja de onde ele venha o resultado é uma festa que envolve não apenas a liturgia cristã, mas a soma de diversas crenças populares. De certa forma, ele existiu. Segundo alguns historiadores, o bispo Nicolau nasceu por volta do século III, na região conhecida hoje como Turquia, e era famoso por sua paixão pelas crianças. Rico, costumava distribuir presentes, inclusive jogando-os pela janela.
Em pouco tempo, a história do velhinho e sua extrema bondade espalhou-se também pela Grécia e pela Itália. Alguns afirmavam que Nicolau operava milagres, mesmo após sua morte. Foi então que a Igreja Católica decidiu torná-lo santo e sugeriu que o Dia de São Nicolau fosse comemorado junto com o nascimento de Jesus, no dia 25 de dezembro.
E a roupa vermelha, de onde veio? Pois é, foi em 1931 que o bom velhinho ganhou a famosa vestimenta vermelha e branca e graças à Coca-Cola. O que era apenas para ser uma campanha publicitária para aquele ano acabou ganhando o mundo.
Então, enquanto milhares de crianças, e até os adultos, sonham com os presentes no Natal, os milhões de surfistas no mundo bem que poderiam considerar o Natal como a data em que nasceu o espírito do surfe e fazer, pelo menos, um momento de reflexão. A vida está exigindo isso! Feliz Natal e ótimas ondas em 2010!
|Dito e Kito|O surfista australiano Taj Burrow ficou com o título do Billabong Pipeline Masters 2009, etapa final do World Tour, encerrada nesta terça-feira (15), em ondas de até 1,5 metros, em Banzai Pipeline, North Shore de Oahu, Hawaii.
Na final, até minha mãe, que assistiu pela Internet junto comigo, percebeu a superioridade do australiano e falou: “o cara de camiseta azul tá ganhando”. O cara era Taj, que não deu chances do começo ao fim da bateria e derrotou com muita garra e disposição o norte-americano Kelly Slater pelo placar de 12.83 a 7.10 pontos.
Slater, nove vezes campeão do mundo, estava apático e parecia desesperado para segurar mais uma vez o caneco, como fez no ano passado. Pela vitória, o australiano faturou US$ 40 mil, somou 1.200 e pulou para a quarta posição no ranking da elite mundial.
Mas quem comemorou com antecedência foi outro australiano, Mick Fanning, o novo campeão mundial que garantiu seu segundo título no último sábado (12), depois da derrota do compatriota Joel Parkinson logo na estreia. Já o título da Tríplice Coroa Havaiana ficou com o aussie Joel Parkinson.
Do trio brazuca, Adriano de Souza terminou na quinta posição no ranking mundial e garantiu sua permanência na elite, enquanto Heitor Alves (29) e Jihad Khodr (40) perderam a vaga, entrando Jadson André e Marco Polo.
Entre as mulheres a australiana Stephanie Gilmore fez barba e cabelo ao vencer a Tríplice Coroa Havaiana e conquistar o título de campeã do circuito mundial. A brasileira Silvana Lima bateu na trave e foi a vice-campeã no ranking mundial, com a catarinense Jaqueline Silva ficando na décima segunda posição.
Para completar a supremacia australiana, Daniel Ross faturou o título de campeão da segunda divisão do surfe, o WQS.
Então, meu caro leitor, se você encontrar alguma dessas feras por aí, pode acreditar, porque eles estão de merecidas férias até final de fevereiro de 2010, quando começa o tour mundial. Ano que vem tem mais. Aloha!
|Dito e Kito|Num dia qualquer do verão de 2009 encontrei Avelino Bastos, renomado fabricante de pranchas. Como se diz no linguajar do surfista: um shaper. Tive a oportunidade de trabalhar com Avelino durante o WCT 2004. A marca produzida por ele era uma das patrocinadoras do evento.
Mas entre tantos assuntos que conversamos surgiu aquela nostalgia dos velhos tempos. Quando o romantismo pairava nossas cabeças e o surfe era um ingrediente a mais nas nossas aventuras. Ele dizia com muita propriedade que lá em 1981, quando começou a fabricar as suas pranchas, existiam apenas mais dois outros fabricantes na Ilha. Vejam só: Para se ter uma ideia, hoje, segundo informações desse empresário, são mais de 200. Isso só em Florianópolis.
Aí ele começou a lembrar como foi a sua importante trajetória, de surfista, shaper, empresário e promotor de campeonato de surfe, até chegar onde está, proprietário de uma das fábricas de pranchas com a mais alta tecnologia da América Latina. Recentemente, disse ele, inaugurou novas instalações com a preocupação de proteger o meio ambiente.
Desse encontro casual duas coisas me chamaram a atenção. A primeira foi que, segundo ele, já lançou e deu suporte a atletas de renome mundial, como os irmãos Teco e Neco Padaratz, David Husadel e Peterson Rosa, entre outros - a idade ideal para a criança começar a praticar o surfe antes de partir para as competições é aproximadamente a partir dos dez anos. É esse o momento que vai definir se o surfista vai querer ser competidor ou não, e mais ainda, não estará enjoado do esporte se começou aos cinco anos, por exemplo.
O segundo ponto foi a tecnologia usada atualmente para a concepção do “shape”, ou seja, a forma e as medidas da prancha. Essa tecnologia de ponta, inventada por ele, portanto nacional, faz praticamente tudo via computador, sem envolvimento direto das mãos, que só aparecem para a análise e verificação dos erros. Ele consegue deixar uma prancha pronta para o surfista cair na água em quatro horas. Algo inimaginável há bem pouco tempo.
Evidentemente que nossa conversa fluiu solta no espaço e no tempo e poderia ter ido muito mais longe. Mas a realidade mostra que a evolução está em todos os setores. Quem poderia imaginar também a transmissão ao vivo pela Internet das competições de surfe ao redor do mundo?
|Dito e Kito|Esses temporais que têm acontecido constantemente e que estão sendo chamados de “ciclones extratropicais”, para nós, do litoral catarinense, na década de 80, eram as famosas lestadas. Ventos fortes variando em todas as direções e chuvas constantes nos remetiam às ondas. É lestada! Tem onda no costão da praia da Pinheira. Pronto! Estava formado o alvoroço nas nossas cabeças. Temos que “dar um jeito” e pegar aquelas ondas. Esse “jeito” era o meu jipe ano 1948, já apelidado de Beirada.
Mas naquele dia, o coitado do Beirada estava sem condições, aparentemente. Tinha ido para a oficina mais uma vez com problema do arranque. Aquela situação já estava muito chata. Sempre que estávamos na frente das meninas o danado pifava e tínhamos que pagar o maior mico empurrando.
Procura daqui, procura dali e ninguém conseguiu carro para irmos até a Pinheira. As notícias eram ótimas a respeito das ondas. Fomos então até a oficina, bem no centro de Palhoça, ver a situação do Beirada. Em nosso mecânico podíamos confiar sem medo. Apesar da pouca ou nenhuma visão, ele era um especialista em jipes, principalmente os antigos. O que ele dizia era lei.
“Não está pronto”, disse ele, “tirei o arranque, mas empurrando pega”. Um olhou pro outro e, sem pestanejar, decidimos: então empurramos. Foi o que fizemos. Saímos por volta do meio-dia. A viagem foi tranquila até chegarmos ao meio da praia da Pinheira (antigo Hotel do Espanhol). Naquela época, em dias de chuva, era preferível andar de carro pela praia.
A chuva era tanta e a maré tão cheia que mal dava para ver um grão de areia. Havia uma lâmina de água em toda a orla. Do Hotel do Espanhol até o costão da Pinheira são cerca de quatro quilômetros. “Vamos encarar”, foi a nossa reação. Andamos alguns minutos e a água começou a bater no fundo do jipe. Mais alguns minutos e pronto: atolamos. E agora?
Desligar o carro nem pensar, pois como iríamos fazê-lo pegar novamente sem arranque? Então fizemos todas as tentativas possíveis. O carro cada vez mais atolado e a água batendo no escapamento. Havia outro agravante: não tínhamos muita gasolina. Ou seja, desliga para economizar ou deixa ligado e tenta sair da enrascada.
Nem um nem outro. O carro “morreu”. Ficamos sem ondas, sem carro e atolados na areia com água até o “pescoço”. Ops! Sem onda não! Tiramos as pranchas, nossos pertences e abandonamos o Beirada ali mesmo. Ao final do dia, com alguns raios de sol, exaustos, retornamos. Com a maré baixa e a ajuda de algumas pessoas salvamos o Beirada daquela melancólica situação, empurrando-o mais uma vez. Nosso dia estava salvo e o Beirada voltou para a oficina.
|Dito e Kito|Era o ano de 1992. Eu estava no Equador há duas semanas, sob o sol escaldante do mês de janeiro. O mar azul e a água quente são tudo o que um surfista pode desejar. Ainda mais quando as direitas de Punta Montañita estão a todo vapor.
Acordar cedo e fazer a primeira sessão de surfe. Tomar uma vitamina com pão integral e granola, somados à salada de frutas. Conversa em “portunhol” com amigos locais e já está na hora de mais uma queda naquela água cristalina. Aí vem o almoço à base de frutos do mar, que muitas vezes poderia ser apenas um peixe; ou ostra, camarão ou até uma lagosta. Mais uma sessão. Jantar e cama.
Assim eram os dias. Mas numa daquelas conversas fiz amizade com um surfista local que se ofereceu para ser o guia na noite, ou seja, mostrar os bares ou algum lugar onde houvesse festa. Marcamos então para o próximo final de semana, mais precisamente um sábado.
A surpresa não poderia ser maior quando o equatoriano apareceu com um carrão daqueles de cinema. Era um carro sedan prata, da marca Mercedes, emprestado do pai, que fez uma exceção, pois nunca antes havia emprestado o carro ao filho. Mas afinal, era uma boa causa: ser anfitrião do brasileiro.
Ao som do Bob Marley saímos em mais uma aventura. Percorremos vários bares, mas sempre preocupados com o carro - eu estava mais preocupado que o próprio dono. Sair à noite, mesmo que com alguém que conheça a região, em terra estranha, sempre é preocupante com um carro daqueles.
Até parece que estávamos adivinhando, mas enfim, a noite era nossa. Depois de peregrinar encontramos nosso reduto. Era uma festa particular, mas o local era daqueles sombrios, que, para quem já viajou para o interior dos países latinos, sabe muito bem. Procuramos deixar o carro num local visível e entramos na festa.
A diversão foi ótima. Hora de ir embora. Nos despedimos com beijinhos no estilo brasileiro e nos dirigimos a nossa Mercedes. Evidentemente que o leitor deve estar imaginando que até agora nada aconteceu, mas espere: encontramos o carro sem as quatro rodas, vidro lateral quebrado e sem o toca-fitas (muito moderno para a época).
O susto não poderia ter sido pior. E agora, era de madrugada e longe de tudo. O surfista equatoriano apavorado, pois temia a represália do seu pai. Não tivemos alternativa, chamamos o pai do garoto e esperamos o guincho. Depois daquele dia, surfei mais uma semana em Montañita sem, no entanto, a companhia do meu amigo equatoriano, que não apareceu na praia. Deve ter sido o castigo, que para surfista, ficar longe da praia, não tem coisa pior.
|Dito e Kito|Ao participar do 15º Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, entre os dias 11 e 15 deste mês, no Rio de Janeiro, foi possível perceber claramente o quanto a Grande Mídia pode ser um instrumento de segregação. Ao enfocar o tema “Mídia Hoje como Partido do Capital”, o curso trouxe à tona um domínio invisível sobre a maioria da população: a supremacia da Mídia sob a batuta do poder econômico.
Durante os cinco dias, dirigentes e jornalistas ligados aos principais sindicatos do País discutiram exaustivamente como quebrar essa hegemonia, assim como já estão fazendo alguns países da América Latina. Nessa vanguarda estão Uruguai, Argentina, Equador e Venezuela, exemplos que devem ser seguidos, pois estão conseguindo mexer neste verdadeiro “vespeiro”.
É consenso dos mais variados segmentos do país que precisamos de um marco regulatório que limite a ação das empresas de comunicação. Segundo alguns analistas presentes no curso, a Mídia está em crise, e por isso mesmo os grandes oligopólios (situação de mercado em que a oferta é controlada por um pequeno número de grandes empresas) unem-se e organizam-se para manter o poder da informação, e consequentemente, o poder econômico. Um exemplo está na Sociedade Interamericana de Prensa (SIP), que reúne as grandes corporações midiáticas do mundo e que lutam arduamente para manter o poder.
Outro assunto em destaque durante o curso foi o direito à informação, que deve ser a bandeira principal da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), a ser realizada no início de dezembro, em Brasília, já sinalizado nos vários encontros estaduais. Convocada pelo governo federal, mas reivindicada, sobretudo, pelos movimentos sociais, a Confecom debaterá a distribuição de concessões de radiodifusão, inclusão digital, qualidade de conteúdo veiculado, e até um novo Código de Ética, como deseja da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Questões como segurança, saúde, educação, dívida pública, pobreza, entre outras, também foram objeto de análise e estudo. Elas estão na ponta dos problemas nacionais, mas a Grande Mídia, aquela que detém o monopólio da informação, reluta em atacar com profundidade, criminalizando a pobreza e os movimentos sociais. Ela incita a utilização da “soberania da força”, disse o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito das Milícias, do Rio de Janeiro, durante os debates.
Na Europa e em países mais desenvolvidos não é permitido que o mesmo grupo domine a Televisão, a Rádio e o Jornal ao mesmo tempo. A Internet é um caso à parte, mas que também está na mira das grandes corporações midiáticas. Apesar de ser uma concessão pública no nosso país, todos sabem quem manda na informação. O advento das novas tecnologias (Internet); a baixa credibilidade; as mudanças aceleradas e, principalmente, a possível regulação as leis de políticas públicas e até o surgimento das rádios comunitárias, sinalizam para a quebra desse monopólio.
A tarefa não será fácil. Será necessário um pacto nacional. Segundo o professor de Comunicação da Universidade de São Paulo (USP), Laurindo Leal Filho, que debateu o tema “O direito à Informação e à Confecom”, existem três bancadas distintas no Senado: “da terra (latifúndio), do céu (religioso) e do ar (comunicação)”. Sabemos que tudo passa por lá, mas o Brasil precisa entrar nessa nova onda e democratizar a informação, uma ponte para construir a hegemonia na sociedade, essa sim, legítima.
|Dito e Kito|Todos sabem o horror que é sair da Guarda do Embaú em pleno feriadão, principalmente com dias e noites deslumbrantes como nesse Finados de 2009, e eu fiz isso. Em princípio na dúvida, depois na certeza, me preparei para pegar a BR-101 em pleno domingo, para, talvez, uma oportunidade única da minha vida.
O objetivo era, nada mais nada menos, que curtir o show do Ki Mani Marley, o filho do Rei do reggae. O convite havia sido feito generosamente pelo Nei e pelo Deivid, os “caras” da Life Club, no norte da Ilha de Florianópolis, que estão apostando numa Ilha mais jamaicana.
Ao sair da Guarda, já na adrenalina, as notícias não eram muito boas: “tem fila na BR”. E isso era por volta das 22 horas. Mas fui. Quando cheguei à saída da praia do Sonho, quase mudei de ideia e fiz a volta. Mas insisti e na descida do Morro dos Cavalos entrei na Enseada do Brito para fugir do excesso de veículos. Na praça do pedágio, para variar, mais fila.
Passando esta fase, ainda fiz um pit stop para o cachorro-quente e as caroneiras. Era por volta da meia-noite quando entrei na Life. O reggae já estava bombando com aquelas bandas que fazem o aquecimento.
Mas eu não prestava atenção nas músicas porque estava com a mente nos anos 80, quando íamos às surftrips de Fusquinha ao som do Bob Marley. Momentos inesquecíveis. Parece que eu estava em transe. É o filho do Rei que está aqui. O sangue do reggae jorra no cara. Um jamaicano que tem história para contar. Passaram anos e a saga dos Marley continua.
Quando foi anunciado, a galera foi ao delírio. Com sua voz rouca e o estilo característico de dançar, Ki Mani me fez reviver o passado. Seria injustiça compará-lo ao pai, pois Ki Mani tem, sim, estilo próprio da nova geração do reggae jamaicano, mas a voz é inconfundível, e fez com que cerca de duas mil e quinhentas pessoas fossem ao êxtase.
Assistir ao show já era o suficiente, mas tinha mais. Não é que os “caras” me colocaram frente a frente com o herdeiro do Rei do reggae? Pois é, a vida nos reserva cada uma! Confesso que fiquei muito emocionado. Muito simpático, Ki Mani atendeu às tietes e aos fãs com muito carinho, assinando camisetas e tirando fotografias, afirmando que adorou fazer o show aqui.
Quando voltei, o dia já estava amanhecendo. Até pareciam minhas primeiras investidas na Guarda do Embaú, quando iniciei a prática do surfe. Não raro era ouvindo Bob Marley. Não raro também, nas madrugadas. No outro dia, após o show, encontrei mais pessoas na praia que haviam feito o mesmo que eu e também não estavam arrependidas. Valeu pena, afinal, surfe e reggae tem tudo a ver!
|Dito e Kito|O australiano Mick Fanning foi o grande campeão do Rip Curl Pro Search 2009, nona etapa do ASP World Tour, encerrada nesta quarta-feira (28/10), em Supertubos, Peniche, Portugal. Mas as esperanças de termos um campeão mundial de surfe este ano foram por água abaixo já na terça (27), quando o paulista Adriano Mineirinho de Souza foi derrotado. Ele perdeu para o norte-americano Timmy Reyes, que venceu o duelo por 11.37 a 8.74 pontos, de um total de 20 possíveis.
Em ondas com até três metros na série, além do cearense Heitor Alves, do paranaense Jihad Khodr e do niteroiense Bruno Santos, Mineirinho era o único brasileiro que ainda estava na prova e tinha chances matemáticas de brigar pelo título mundial. Logo no início, Reyes arrancou nota 8.50, que, somada com outra onda fraca (2.87), lhe deu a vitória do confronto.
Mineirinho não encontrou as ondas e o melhor que conseguiu foram notas 4.67 e 4.07. Ele ainda trocou de prancha no meio da bateria, mas as ondas boas não vieram. Faltando três minutos para o término da bateria, Timmy colocou pra dentro em uma onda da série, mas acabou esmagado e com a prancha quebrada.
Além de tomar um sufoco para conseguir sair do mar por causa da correnteza, ainda foi obrigado a deixar Mineirinho sozinho no outside (onde quebram as ondas). Nem sozinho ele deu sorte. As ondas não apareceram e o sonho de termos um campeão mundial ficou mais distante, pois os australianos Mick Fanning e Joel Parkinson, únicos concorrentes diretos ao título mundial, continuam na disputa da temporada nos tubos de Pipeline, Hawaii, a última etapa do ano.
Mas Mineirinho não fez feio; ainda é muito jovem e deverá ficar entre os cinco primeiros do ranking após a etapa decisiva do tour no Hawaii, que acontece entre os próximos dias 8 e 20 de dezembro. Portanto, leitores que apreciam o surfe, ano que vem tem mais para os brasileiros. E para os australianos fica apenas a expectativa de saber quem será o “aussie” campeão de 2009.
|Dito e Kito|Adquirir uma roupa de borracha (neoprene) no final da década de 70 era muito difícil. Poucas fábricas, todas do exterior, e o alto custo eram fatores que no inverno aqui no Sul do Brasil favoreciam, e muito, a diminuição de praticantes do esporte. Atenciosamente olhávamos página a página da única revista nacional de surfe que chagava às nossas mãos, imaginando vestir aquelas roupas elegantes de borracha que mais pareciam de astronauta.
Eram indústrias, principalmente australianas e americanas. Na Europa também eram raras e na América do Sul ainda não tínhamos ouvido falar de alguma marca famosa. Mas um dia um parceiro de “surftrip” veio com a novidade: “dizem que em Garopaba tem um cara produzindo artesanalmente roupas de borracha”.
Aquilo aguçou nossas mentes. Aqui, tão pertinho, iremos concretizar nosso sonho? Então vamos conhecer este cara. Fomos de moto. Eu, como sempre, de carona naquela 125 cc. Lembro que a viagem foi longa de Palhoça até a praia da Garopaba, sob o sol escaldante de janeiro. A BR-101 naquela época não era muito movimentada e logo chegamos ao morro do Siriú. Uma paradinha para dar uma olhada no visual do mar e das montanhas e partimos para o nosso objetivo.
A casa ficava na beira da praia de Garopaba. O nome do “cara” era Morongo. Paramos a moto na frente da modesta fábrica e visualizamos aquela figura magra e sem camisa pedalando na máquina de costura. “Será que é aqui mesmo?” – perguntei. Ao chegarmos mais perto tivemos a certeza de que estávamos no lugar certo.
A pequena fábrica estava a todo vapor na garagem do médico surfista. Eram poucas roupas de borracha fabricadas, mas feitas especialmente e com muito carinho para o surfista. Fizemos a encomenda e saímos alegres como crianças ao ganhar o primeiro presente. Ali, do fundo do quintal de Garopaba, estava começando uma das maiores empresas do mundo e nós, humildemente, participando daquele processo.
|Dito e Kito|O início da década de 80 foi marcado, para nós, alguns raros surfistas de Palhoça, como o da descoberta da Guarda do Embaú. Nossa presença era considerada estranha no local pelos poucos surfistas, entre eles, alguns paulistas, cariocas e gaúchos, que já haviam se estabelecido na então quase desconhecida praia da Guarda.
Mas isso não nos inibia. Conforme íamos aprendendo a arte de surfar, íamos marcando território. Já estávamos habituados a vir para a Guarda nos finais de semana de madrugada após a famosa boate Beijos e Beijos, de São José, ou depois da Boate do Clube 7, de Palhoça.
Era costume também trazermos uma barraca e acamparmos na grama, bem no centrinho da Guarda, onde hoje é o restaurante Guardião (antigo Amadeus), pois ali existiam resquícios de um antigo restaurante que havia sofrido um incêndio. Assim, ficávamos perto de tudo o que acontecia.
Numa dessas vezes, a busca por algo novo e inusitado por pouco não se transforma num triste episódio. A época era de descobertas para nós, jovens, e foi então que veio a iluminada ideia de experimentar o chá de cogumelo, produto em abundância na Guarda, já que o gado andava solto pelos costões e pelos pastos.
Estávamos em quatro na barraca e dois deles saíram em busca do fungo. Voltaram carregados e para preparar o chá utilizaram o liquidificador emprestado do dono de um bar. Depois de coado, era ter coragem para experimentá-lo. Eu tomei apenas alguns goles, mas os outros mais destemidos colocaram aquele líquido pegajoso goela abaixo.
Depois de certo tempo as sensações começaram a aflorar. Eu era o que menos estava sensível por haver tomado pouco e fiquei cuidando de um dos amigos que ficou encurralado na barraca querendo voltar ao normal. Tomou muito leite e mesmo assim dizia que nunca voltaria a ser o que era.
Evidentemente que aquilo não passou de alucinação, tanto é que nunca mais ele quis saber daquele veneno. Outros dois saíram caminhando ao entardecer e só voltaram depois da meia noite, contando que ficaram o maior tempo sentados no costão observando o mar e caminhando nas pedras numa viagem interminável.
Óbvio que fazer isto não ajudara a marcar o nosso território, mas com certeza o episódio marcou nossas vidas. Ao pasto só voltamos para acampar e aos costões somente para observar as ondas.
|Dito e Kito|Como num passe de mágica começam a aparecer entre o litoral da região Sudeste até o litoral Sul do Brasil algumas latas do tamanho de um galão de tinta de 3,6 litros, com um produto muito valioso e procurado pelos amantes da paz, da natureza e, porque não, do surfe e da polícia. Isso era em meados dos anos 80.
Várias são as histórias, ou hipóteses, para a aparição das latas no nosso litoral, mas o fato é que elas chamaram muito a atenção. A praia da Guarda do Embaú, naquela época, era muito frequentada por surfistas, principalmente, do Rio e São Paulo, e foi numa conversa de praia com essa galera que pela primeira vez fiquei sabendo sobre o assunto.
Dizia nosso amigo: “Vocês sabem que várias latas estão chegando ao nosso litoral? Parece que a polícia está fazendo plantão para resgatá-las”. Mas o que contém de tão importante para que a polícia esteja de alerta? - era a pergunta seguinte. “Dizem que estão cheias de ‘bagulho’ do bom. Vem de uma espécie muito rara aqui nas nossas bandas”, explicava o entendido. Estão falando que é o “bagulho da lata”, dizia.
Bem, aquilo ficou latente na minha cabeça por algum tempo não muito longo até que, em conversa dos bastidores, alguém falou que queria mostrar uma novidade que não poderia ser revelada publicamente. Meu instinto de jornalista foi mais forte e quis conhecer a “lenda”.
Pois não é que era verdade? A lata fortemente vedada estava cheia do “produto” que o Bob Marley adorava. Então fui atrás para saber como elas estavam chegando e qual o motivo.
Segundo explicação que nunca foi confirmada, as latas estavam numa embarcação que foi perseguida pela Polícia Marítima e para não ser apanhada em flagrante, a tripulação jogou milhares de latas no mar e as correntes as trouxeram para nossa costa.
Evidentemente que fiquei de olho, mas nunca vi lata nenhuma chegando à Guarda, mas sei de pessoas que dizem de fonte segura que as encontraram no nosso litoral. Aquela imagem “Da lata” não sai da minha cabeça, e, ainda hoje, quando estou surfando, fico apreensivo com medo de encontrar uma lata daquelas pela frente.
|Dito e Kito|A história de que os surfistas são “alienados” todo mundo já ouviu falar, ou até mesmo, já falou. Em alguns casos, até pode ser verdade, mas os surfistas da Guarda do Embaú têm uma importante parcela na conscientização e na luta pela preservação da natureza da região.
Panfletagem, ajuda aos órgãos ambientais, mutirão ecológico, ações na justiça, entre outros, são fatos corriqueiros para esta tribo que escolheu viver e surfar nas ondas da internacionalmente conhecida “Guardinha”.
Um momento emblemático, histórico, mas, no entanto, com grande risco, foi o movimento contra a implantação de um aterro sanitário (lixão) perto da nascente do Rio da Madre, em Paulo Lopes, cidade divisa de Palhoça. Isto ocorreu em meados na década de 80.
Vislumbrando lucros, Paulo Lopes ofereceu um espaço para o “lixão”, mesmo com as licenças ambientais contrárias dos órgãos ambientais, o que gerou grande revolta da comunidade praieira da região. Afinal, o Rio da Madre, sofreria, de um dia para o outro, enormes prejuízos e todo o “chorume” seria jogado no mar via rio.
Nessa luta entraram, além dos surfistas, biólogos, moradores e entusiastas da natureza. O aterro já estava funcionando há alguns dias, mesmo com investidas contrárias da Assembleia Legislativa, da mídia e dos órgãos ambientais.
A última “arma” para tentar parar o funcionamento do lixão era fechar a BR-101 para chamar a atenção do “mundo” para aquela catástrofe. E numa reunião às pressas da surfistada com os moradores e simpáticos à causa, decidiu-se paralisar a via que corta o nosso país para chamar a atenção naquela insanidade que estavam fazendo.
Claro que foi mais na emoção, no coração, do que na organização. Tanto é que decidido o dia, nem a Polícia e nem os meios de comunicação conseguiram chegar ao trevo de acesso na praia da Pinheira e da Guarda do Embaú, tamanho era o engarrafamento ocasionado.
O problema é que sem a segurança da Polícia Rodoviária o “movimento” corria risco de virar uma grande confusão, pois os motoristas não tinham informações suficientes sobre o motivo da paralisação e queriam partir para o confronto. A paralisação durou cerca de meia hora, quando os organizadores resolveram fazer uma passeata por dentro de Paulo Lopes.
Aí foi que o “bicho” pegou. A comunidade de Paulo Lopes estava ludibriada de que o “lixão’ seria uma boa e partiu para o confronto, resultando em algumas escoriações e carros riscados. Mas, enfim, ninguém ferido gravemente e restava agora esperar pelo resultado da ação.
O fato é que a causa foi ganha e a idéia do “lixão” definitivamente enterrada. Até hoje acho que a cidade de Paulo Lopes deveria fazer uma “Moção” de agradecimento aos surfistas por salvarem a cidade daquela catástrofe que seria receber todo o lixo da Grande Florianópolis.
|Dito e Kito|Os hábitos mudaram incrível e rapidamente na vida dos surfistas nestas últimas décadas. Fácil imaginar qual praia ir aos dias de hoje tendo a Internet como auxílio nas condições do tempo, mas e sem ela? Roupas de borracha também estão em abundância nas surfshops, mas como encontrá-las na década de 70? Pranchas estão acessíveis em qualquer Shopping Center, mas naquela época era difícil até encontrar uma loja que as vendesse. Sem contar a dificuldade na aquisição desses equipamentos devido ao preço.
Numa rápida volta ao tempo, vamos tentar imaginar como era a vida de surfista desde então. Com raras exceções, íamos sempre com a carga total do carro, ou seja, éramos cinco pessoas a dividir o espaço no “Fusca”, nosso carro preferido. Primeiro porque eram poucos os amigos que tinham carro e segundo, o combustível era considerado caro. As pranchas também eram em número menor do que os praticantes no carro, assim, cada um de nós tinha um tempo cronometrado para surfar, mas fazia parte do negócio.
O próximo passo era a escolha da praia. Então aí vinha a experiência do surfista: conhecer a direção dos ventos e também a posição geográfica das praias, para saber qual decisão tomar. Muitas vezes a escolha era errada, sem contar que o vento mudava durante o percurso.
No inverno usávamos todos os artifícios para fugir do frio congelante da água. Eram poucos os felizardos que tinham roupa de borracha. Desde dar um gole de “cachaça” até tomar chá ou chocolate bem quente era a saída para “esquentar“ o corpo. No máximo usávamos um colete ou uma jaqueta de neoprene. No geral era uma camiseta mesmo.
As pranchas eram chamadas de “louça”, tamanho era o cuidado. No começo, eram pranchas grandes com uma quilha. Depois veio a prancha pequena biquilha que ficou por um longo tempo até chegar a triquilha, a quadriquilha e estacionou nas três quilhas com variações de tamanho, espessura, tipo da rabeta e quilhas móveis.
Para saber o que acontecia no mundo do surfe era preciso esperar um mês até chegar a próxima e única revista especializada, que mesmo assim, dividia suas páginas entre vários esportes radicais. Era o máximo quando algum amigo trazia uma revista “gringa” que só falava de surfe, mas era algo bem raro.
Mas todo o desenvolvimento em termos técnicos não bate o impacto que a Internet produziu no surfe e nos surfistas. A evolução da rede ofereceu um substancial “up grade” (salto) no conhecimento das ondas no planeta. Lugares inimagináveis e longínquos foram descobertos pelos surfistas neste século com a ajuda da grande rede.
Seja pelo ar, mar, ou terra, o surfista está descobrindo novos lugares por causa da Internet. Além disso, é possível saber com poucas horas de antecedência se a ondulação vai entrar naquela praia e naquele dia. E mais, saber qual o melhor horário, dependendo da maré.
A informação corre o mundo muito rápido. Num simples clique é possível saber quem e quantos surfistas estavam, por exemplo, em alguma Ilha da Indonésia, em poucos segundos, basta ter um amigo por lá para passar as informações ou acesso a alguma câmera ao vivo.
Os tempos mudaram, não há dúvida, mas a nossa geração está tendo muita sorte, pois presenciou o nascimento do surfe na sua raiz e está vendo o seu desenvolvimento com uma rapidez nunca antes imaginada. Qual será o próximo passo?
|Dito e Kito|A Autopista Litoral Sul, responsável pela cobrança do pedágio no posto de Palhoça, negou a isenção de pagamento a todos os veículos emplacados na Cidade, como previa o projeto de lei aprovado pelos vereadores no dia 31 de agosto e vetado pelo vice-prefeito, em exercício, Valmir Schwinden.
Enfim, ninguém está isento. Nem aqueles que fizeram o cadastro por duas vezes e nem aqueles que esperaram para ver o que ia dar. A lei precisa passar na Câmara de Vereadores, que quando foi votá-la, resolveu mudar tudo e complicar mais ainda a vida do cidadão. Papelão da “nossa” Câmara de Vereadores, que faz tudo nas “coxas”. Será que não tem assessoria? Um pouco de inteligência? Discernimento para saber o que é certo ou errado? Do que pode e não pode? Parecem um “bando” a favor da maré.
E a nossa administração municipal, que fica levando tudo na “barriga”, esperando o “tsunami” chegar para então “catar” os cacos que sobraram? Essa é a triste imagem da nossa querida Palhoça. Mal administrada a nosso favor e à mercê da irresponsabilidade dos mandatários. A Cidade mais “dinâmica” do país não consegue sequer tomar uma decisão unânime a favor dos contribuintes.
Acho que já está na hora desse “povo” tomar vergonha na cara - e aqui incluo governo federal, estadual e municipal - e esquecer essa novela. Um pouco de honestidade não faz mal a ninguém. Pronto, chegou ao fim: quem tem que pagar pelo custo da falta de preparo dos políticos é o povo e o pedágio também.
Volto a este tema. Não fomos nós quem os elegemos? Então o que estamos a reclamar? Ano que vem tem eleição. Espero que você, leitor, lembre de tudo isso que está acontecendo e pense bem em quem votar. Estes que estão aí, com certeza, por tudo isso que estamos vendo, não merecem seu voto. E eu continuo tomando meu chá de açaí, esperando o pedágio cair!
|Dito e Kito|Quem já não ouviu falar do reverendo Moon, que se dizia “salvador da humanidade”, “Messias”, “Senhor” e “Verdadeiro Pai”? Também foi conhecido por promover casamentos em massa e por fundar o jornal Washington Times, em 1982. Era a famosa seita Moon. Mas o que que isso tem a ver conosco, os surfistas?
Na verdade é apenas a referência ao nome Moon que inspirou alguns surfistas muito imaginativos da Ilha de Florianópolis a criar a “seita Mur”, no final da década de 80. Eu ouvia eles falando e se cumprimentando, mas nunca soube exatamente o que significava. O fato é que era engraçado ouví-los usando a palavra “Mur” depois dos seus nomes. Por exemplo: Ledo Mur, Gama Mur, Baca Mur, etc. Eles até se dirigiam uns aos outros pelo diminutivo “murzinho”.
Eram surfistas de ponta de Florianópolis que formavam uma “tribo” muito especial. Até hoje a palavra soa nos meus ouvidos como uma referência daquela época, quando o surfe competição estava começando a surgir com força total. Mas o fato é que eu nunca soube o que realmente significavam aquelas três letras.
Como por um passe de mágica, e meio sem querer, acabei descobrindo seu significado recentemente, quando encontrei os “fundadores” da “seita Mur”, bem aqui, na Guarda do Embaú. Entre uma conversa e outra sobre as peripécias do passado, a palavra “Mur” acabou entrando no papo.
Logo puxei o assunto mais profundamente e tive a explicação sobre a criação da brincadeira. Eles ouviam falar da tal seita Moon e pensaram: por que não podemos criar uma seita nossa também? Foi aí que pensaram nas coisas em comum dos surfistas.
O primeiro é o mar. Pronto, surgia a primeira letra “M”. A segunda refere-se à união dos surfistas, surgindo a letra “U”. Já o “R” nada mais é que um cumprimento do tipo “rá”, pois quando eles se encontravam gritavam: “rá!”. Portanto, Mur, nada mais é que o mar, a união e o cumprimento.
Poxa, pensei, precisei levar mais de 20 anos para saber do significado da “seita Mur”, da qual tanto eu ouvia naquela época? Então, um “rá” para os nossos leitores e viva a “seita Mur”. Que criatividade dessa galera!
|Dito e Kito|A Praça do Pedágio instalada na BR-101, que dividiu o município de Palhoça, gerando grande descontentamento na população, mostra o quanto o país trabalha em desarmonia e que “planejamento” é uma palavra que não existe nas administrações governamentais. Este fato está latente desde a sua instalação e mostra o quanto é contraditória a nossa legislação nas três esferas (Federal, Estadual e Municipal), o que possibilita o faz de conta e a “briga” por quem manda mais.
Na esfera federal, o poder executivo e o legislativo dão mostras de como é fácil ludibriar o cidadão. O executivo fez de conta que executou em prol da população quando sinalizou para a colocação da praça em um local (na divisa de Paulo Lopes e Palhoça) e, em seguida, mudou para onde está. O legislativo esboçou uma reação, mas não passou de puro teatro, pois várias foram as tentativas em votar um projeto de lei que poderia acabar com essa esdrúxula situação.
No âmbito estadual, os senhores deputados aprovaram uma lei que isenta o pagamento da taxa do pedágio, mas caiu naquela história de que a rodovia é federal e o estado não pode legislar. Ficou o dito pelo não dito. Aqui, gostaria de abrir um parêntese: o governo do senhor Luiz Henrique da Silveira, do mesmo partido do prefeito de Palhoça, Ronério Heiderscheidt, do PMDB, simplesmente lavou as mãos. Não levantou uma palha em favor dos catarinenses. Algo incompreensível.
Para agravar a situação, o município de Palhoça ajudou muito mostrando como não se deve fazer, ou melhor, como aumentar a confusão. O Executivo fez um cadastramento, que foi invalidado. Depois esbravejou e disse que um novo cadastro era preciso, embutindo nele a questão do IPTU e uma série de exigências que inibiram o contribuinte de fazer o cadastro. Mas, enfim, prometeu que a partir do dia primeiro de setembro esses “coitados” que enfrentaram as filas seriam isentos.
Mas para ser isento era preciso aprovar uma lei na Câmara. Aí, quando tudo parecia estar resolvido, vêm os senhores vereadores, e que me desculpem, demonstrando total insensibilidade e falta de bom senso, querendo aparecer nos holofotes, fizeram emendas, que a revelia da urgência, isenta todos os palhocenses. Muito bom, mas só a partir do dia 15 de setembro e pasmem, sem explicar quem vai pagar a conta! Por que não aprovaram a isenção para quem já tinha feito o cadastro e depois resolviam a questão de outra forma?
Bom, aí a pergunta: Onde está o erro? É claro que o erro é nosso. Não fomos nós quem votamos nessa gente? Não fomos nós quem trocamos os votos por sei lá o quê? Como ousamos agora não acreditar naqueles que nós elegemos? Então ficamos assim, tomando chá de açaí, esperando o pedágio cair. Se o leitor preferir, pode tomar chá de cadeira, por que o circo que estaria levantando a lona irá permanecer por aqui, até quando, não sei.
|Dito e Kito|A tecnologia tem sido um dos fatores mais importantes para dar visibilidade e de grande ajuda para a evolução dos esportes. No surfe não é diferente.
A televisão, por exemplo, assim como acontece no futebol, influencia no horário das finais dos campeonatos de surfe, principalmente os internacionais aqui no Brasil, para transmissão ao vivo. A Internet passou a ser na mídia eletrônica um dos canais mais usados pelos surfistas para interação, troca de informações, ajuda na previsão das ondas, transmissão ao vivo das competições ou até para uma simples postagem de uma imagem que agrade o internauta praticante do esporte.
Recentemente levantou-se uma “lebre” de que o nove vezes campeão do mundo, o americano Kelly Slater, estaria sendo o incentivador de um novo formato de competição de surfe mundial, com apenas 16 surfistas. Ele desmentiu, mas há indícios de que alguma associação paralela à existente, assim como quase aconteceu na Fórmula-1, estaria sendo fundada para alavancar o processo do novo tipo de competição. Com número menor de competidores, menor o tempo do evento, o que facilitaria a transmissão ao vivo.
O Jet Sky (town in) também foi um alimentador dos sonhos dos surfistas que gostam de arriscar a vida nas ondas grandes. Sem ele, com certeza, ondas como Jaws, Mavericks e muitas outras consideradas tabus por longos anos não seriam desbravadas e surfadas. O “town in” foi a evolução nas ondas grandes.
Mas as inovações não param por aí. Recentemente o site waves divulgou um vídeo protagozinado e produzido pelo surfista Fábio “Fabuloso” Gouveia, cujas imagens foram geradas por uma câmera fixada na ponta de uma vara acoplada num capacete. A estrutura da vara foi confeccionada com restos de poliuretano, tecido de fibra de vidro e resina. O vídeo mais parece um game. O catarinense Jean da Silva também conseguiu imagens novas e inéditas dentro dos tubos com uma câmera acoplada no bico da prancha.
A mais recente notícia no mundo do surfe, no entanto, é sobre um novo design para pranchas, que há muito tempo vem variando com pequenas mudanças nas medidas e na quantidade das quilhas. O designer sueco Thomas Meyerhoffer, de 43 anos, que já trabalhou na Porsche e na Apple – o qual já desenvolveu projetos de computadores, cadeiras, óculos para esqui e embalagens de papel toalha - lançou pranchas com novo modelo. O diferencial é a promessa de ser mais rápida do que as tradicionais. Qual será o próximo passo no surfe não dá para prever, mas uma coisa é certa: a evolução não para por aí.
|Dito e Kito|A década de 80 foi aquela em que conheci muitas praias, mas particularmente costumava frequentar as do Sul da Ilha de Florianópolis. Acordar cedo e fazer o “check in” no Campeche, Morro das Pedras, Caldeirão, Armação, Matadeiro, Açores, Solidão e Naufragados era a certeza de um bom dia de surfe. Durante muitos anos seguidos, eu e alguns amigos fizemos a “cabeça” naquelas ondas.
Mas a primeira vez que fui para a praia do Matadeiro foi muito marcante. Para chegar à praia tem que atravessar um pequeno riacho com água na canela. Com as chuvas, o nível sobe e chega até a cintura. Esse rio divide a praia com o costão. Normalmente o costão virava uma pequena ilha com a força da maré e poucas vezes foi possível ir de carro até o costão. Mesmo assim tinha que ser um jipe ou buggy, pois sempre havia a possibilidade de atolar na areia.
Eu estava com um amigo de buggy e subimos tranquilamente até o topo do Morro. Lá era reduto daqueles que gostavam de acampar. E assim fizemos naquele dia. Éramos nós e mais alguns “malucos beleza”, apreciando as ondas. Fartos de tanto surfar, a noite era de contar histórias e apreciar o céu estrelado à beira da fogueira.
Aos poucos todos iam para suas barracas deixando o silêncio tomar conta do ambiente. As luzes das velas e dos lampiões iam se apagando, mas sempre ficava alguém para ver o visual do amanhecer. Realmente eram momentos inesquecíveis.
Já era de madrugada quando ouvimos gritos e pedidos de socorro. Levantamos rapidamente do nosso sono profundo quando vimos uma das barracas em chamas. Era um dos nossos vizinhos que esqueceu a vela acesa e dormiu. Foi o suficiente para que a leve brisa fizesse o “serviço”.
Nada restou para o nosso amigo. De nossa parte, tratamos de emprestar-lhe o suficiente para não passar frio. Quando o dia clareou foi possível avaliar os estragos. Naquele primeiro dia na selvagem praia do Matadeiro, além das ondas, aprendemos mais uma lição: com fogo não se brinca.
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