Lançamento da ExpoPalhoça 2010 reúne autoridades e empresários
Blocos de Carnaval de Palhoça
Desfile das Escolas de Samba Florianópolis - Parte II
Baile Verde e Branco
Desfile das Escolas de Samba Florianópolis
Baile Infantil do Clube 7 de Setembro
Posto Marola reabre as portas sob nova direção
Alfredo Wagner festeja o aniversário do Prefeito Ronério
Baile Municipal - Clube 7
Escolha da Rainha do Carnaval 2010
Web Rádio Enseada festeja 2 anos
Aniversário Camila Bonfin Luz
Palhoça - Quarta-Feira, 10 de Março de 2010 - Boa Noite!!!

|Falando Sério|Era quase meia noite, sua companheira já estava dormindo, cansada das lides do dia. Juca começou a “cutucar” o passado, procurando nas gavetas do tempo as provas de uma existência vivida com muito amor. As fotos, desbotadas, traziam de volta o tempo pretérito. Era tudo tão simples, tão inocente, como no dia em que não dormiu, quando, pela primeira vez, segurou a mão da mulher que ele amava e agora estava presente em quase todas as fotos do álbum. Lamentou a falta de amor dos dias de hoje, quando os jovens, ao se conhecerem pela primeira vez, já se entregam sexualmente.
O jardim era dos namorados e das famílias, onde a juventude se reunia aos domingos para conversar e comentar o baile de sábado. A amizade marcava o relacionamento entre eles.
À tarde elas iam torcer pelo Guarani, assistindo aos namorados jogarem. As fotos registraram quase que a vida inteira do Juca. Ele se emocionava com tudo o que via e relembrava todos os acontecimentos de um passado que agora, ao rever as fotos, não parecia tão distante.
Ele pegou uma foto, tirada no Clube 7 antigo, de um bloco de carnaval e tentou reconhecer os outros componentes do bloco; ficou triste porque muitos já tinham partido. Pensou: amanhã pode ser eu que estarei ausente à reunião da vida. Lembrou das marchinhas de carnaval e cantou baixinho: “Confete, pedacinho colorido de saudade... ao te ver na fantasia que usei, confete, confete que chorei”.
Aí ele imaginou que talvez estivesse sendo saudosista porque achava que o passado era melhor que o presente. Mas ele estava apenas sendo nostálgico, apesar de às vezes parecer melancólico.
Continuou virando as páginas do álbum e deparou-se com uma foto tirada no Clube 7 antigo, referente ao “Baile da Primavera”, onde estava a rainha acompanhada pelas princesas. Recordou o baile, salão enfeitado de flores, moças e rapazes lindos, vestidos à caráter, elas de vestido longo e eles de terno azul e gravata borboleta. Às onze horas a rainha desfilou cercada pelas princesas. A orquestra tocou a “Valsa da Primavera” que dizia: “A primavera vem e quando vai leva o nosso bem”, enchendo o salão de pares românticos.
Juca dançava com seu amor. Ela, que estava com um lencinho de seda na mão, beijou-o deixando a marca do batom de seus lábios e ofereceu a ele. Ele o beijou e guardou no bolso dizendo: Eu o guardarei para toda a minha vida.
Juca guardou o álbum. Procurou o lencinho de seda e encontrou-o, guardado em seu escrínio de gratas recordações. Levou-o para a cama, deitou-se e segurou a mão do seu único amor. Colocou o lencinho sobre os lábios e adormeceu feliz.
|Falando Sério|Nos longínquos anos da minha vida adolescência, quando fazíamos alguma “arte” na escola e só um era interrogado, o professor ou diretor perguntavam bem alto: “E os outros?”. Nas ditaduras, depois de prenderem alguém, eles sempre gritavam, depois das torturas: “E os outros? Quem são e onde estão?”. Sempre pagava o justo pelo pecador, porque os pecadores sempre foram mais “espertos”.
O que estamos assistindo diariamente na vida pública brasileira, em termos de corrupção generalizada, é degradante. De repente um corrupto é preso e a nação inteira “baba” de satisfação. Ninguém pergunta: E os outros? Ficam felizes por beberem uma gota d’água no oceano dos políticos ladrões que infestam o serviço público brasileiro. Mas, tendo carnaval, futebol e novela para que pensar em coisas sérias? Eles, os bandidos, sabem que o povo quer festa e, tendo festa, foguetes... suas patifarias não serão lembradas.
O Brasil tem mais de cinco mil prefeitos e mais de 80 mil vereadores. Somam-se a eles milhões de cargos comissionados à disposição de uma maioria de incompetentes que infelicitam a nação e corroem seus alicerces. Nós, como contribuintes, somos esbulhados diariamente por quadrilhas organizadas em todos os partidos políticos, que apodrecem com o passar dos anos pela corrupção endêmica.
Entendo que presidente, governadores e prefeitos deveriam ser cassados caso nomeassem incompetentes e corruptos para cargos comissionados. Nada sabem de prioridades, planejamento, execução e administração, jogando no lixo dinheiro público mal aplicado.
Leio nos jornais que os deputados catarinenses assinaram uma lei concedendo gratificação de até R$ 9 mil por mês para 37 funcionários da Assembleia. Agora que o escândalo veio à tona eles dizem que assinaram sem ler e desconheciam o teor da lei. Em Palhoça, a Câmara de Vereadores teve uma lei com assinaturas falsificadas e ainda não sabe o autor ou autores.
Os componentes do poder legislativo no Brasil, salvo raríssimas exceções, envergonham os brasileiros. No entanto, estes não têm moral para reclamar porque é o povo que elege os corruptos. Fizeram uma enorme festa com direito a foguetes, porque prenderam um corrupto. E os outros? São milhões de ladrões, por este Brasil imenso, assaltando o dinheiro que pagamos de impostos e que nunca devolveram um centavo e nem foram presos, beneficiados pelo foro privilegiado. Quase todos os corruptos são reeleitos e fazem leis para se protegerem e continuarem dilapidando os cofres públicos, mancomunados com empresários desonestos.
A ética, o patriotismo e a vergonha na cara estão enterrados, bem fundo, na fossa da corrupção desavergonhada.
Infeliz de um povo onde a maioria de seus representantes políticos faz parte da miséria moral da nação.
|Falando Sério|Um dos piores defeitos dos humanos é ser uma raça de animais mal agradecidos e estupidamente ingratos. Temos como prova o péssimo tratamento que muitos filhos dão aos pais, quando esses envelhecem. Esquecem todas as preocupações, cuidados, dedicação, amor e sacrifícios, muitas vezes tendo que se “amarrar” nos bancos, com empréstimos para pagar os estudos dos filhos, que depois de formados e “bem de vida”, os abandonam como trastes velhos, esperando que eles morram para “avançarem” no que restou dos bens. Na maioria das vezes os internam em um asilo para morrerem por lá. Provavelmente os filhos farão o mesmo com eles.
Com os casais acontece a mesma ingratidão. Quando casam, quase nada têm de bens e vão adquirindo aos poucos, com muita luta e sacrifícios, com a mulher se desdobrando com a criação dos filhos, cozinhando, cuidando da roupa do marido e das crianças e ainda colaborando na renda familiar, trabalhando fora.
De repente o marido começa a sair com os amigos, fazendo suas farrinhas, conhece uma vigarista e abandona mulher e filhos por um “programa” que vai ser, quase sempre, permanente, muitas vezes levando doenças para dentro de casa, contaminando a família.
Isso acontece frequentemente com jogadores de futebol, artistas e cantores, que, enquanto não eram famosos, as esposas os mantinham “vivos” com enormes sacrifícios. O tempo passa rápido, eles ganham dinheiro, ficam ricos e a primeira coisa que fazem é abandonar a esposa e filhos por qualquer “Maria Chuteira”.
A ingratidão se faz presente em todos os lugares onde está o ser humano (o pior animal da terra). Quantos professores ajudaram os alunos a subirem na vida, a serem “doutores” e enriquecerem? E sequer recebem um reconhecimento, mesmo que seja apenas o respeito em forma de gratidão.
A ingratidão é frequente na vida social, na convivência entre as pessoas, quando indivíduos que nada tinham adquirem poder, “montados nas costas” de quem tinha prestígio e depois os esquecem. Quantas vezes alguém assume postos importantes numa comunidade e nem se lembra daqueles que fizeram de uma região desabitada uma cidade para se viver e conviver, organizando-a socialmente?
A ingratidão é fruto dos que têm mau caráter, são insensíveis e incultos. Certa vez, um prefeito disse que a educação, cultura e esporte não eram investimentos.
Enquanto as famílias, a escola, as religiões, a política e a administração pública em geral estiverem em poder dos analfabetos políticos e sem ética, nada de bom podemos esperar para o mundo.
|Falando Sério|Não vou fazer uma análise sociológica de país nenhum, nem de continente e até mesmo de qualquer cidade “mais dinâmica” ou de “melhor qualidade de vida”. Mesmo porque povo, religiões e políticos são iguais em qualquer lugar do mundo. Os conquistadores, se não foram os mesmos, agiram sempre com propósito iguais de dominação e poder absoluto, não respeitando os costumes e as culturas locais, impondo religiões, matando e saqueando as riquezas (ouro, pedras preciosas, etc.), levando o que podiam para os palácios e igrejas da Europa.
O que foi dito acima é apenas um preâmbulo para o prosseguimento dessa nossa conversa. Brasil e Peru têm muita coisa em comum. Lá e cá os surfistas divertem-se no Pacífico e Atlântico, mais no Pacífico por ter melhores ondas. Mas, onde os dois mais se parecem é no trânsito maluco, onde ninguém respeita às leis de trânsito, mais por falta de educação que por desconhecimento das leis e do bom-senso.
Se lá o trânsito é desorganizado, sem sinalizações, sem lombadas eletrônicas, sem guardas de trânsito, com motoristas estacionando em qualquer lugar (sobre calçadas, em esquinas, sobre passagem de pedestres), o buzinaço é de segundo em segundo, com 70% dos carros muito velhos, muitas vans, mini-ônibus e táxis rodando o dia todo pela cidade, aqui, não é muito diferente, apesar de termos mais carros novos circulando.
A falta de educação, de respeito, de juízo e de civilidade é a mesma. Muitos bacanas, aqui no Brasil, desfilam com carros caríssimos, mas têm “casca grossa”, não sinalizam para trocarem de pista, até parece que ainda estão dirigindo seus carros de boi; dirigem embriagados e com sandálias de dedo, estacionam em qualquer lugar, fazem piruetas em alta velocidade, provocam acidentes e não pagam os prejuízos de terceiros. Enfim, são bandidos à solta pelas estradas.
Os pobres se parecem, são gente boa. Lá não há este assistencialismo insensato (esmolas) que existe aqui, não há “bolsa família” nem “cotas” para ingresso em curso superior. Se o governo que ajudar e deve fazê-lo, por que não melhorar o ensino público, oferecendo oportunidade iguais? Tenho assistido em lotéricas pessoas apostando na loteria com o cartão do bolsa família. O governo estimula os pobres a terem filhos e não os inclui na frente de trabalho com escolas técnicas.
E assim o mundo vai em frente. Peru e Brasil têm belas histórias, embora sangrentas. Seus povos são sofredores. Os políticos, especialmente os brasileiros, são os mais corruptos do mundo e vão continuar assim por muitas décadas.
|Falando Sério|Em recente artigo comentei sobre muros erguidos por pessoas, instituições, países, políticos, fanáticos de todas as cores e paixões e todos os “istas” e “ões” que nos cercam, tornando quase impossível a convivência humana. Lembrei-me, então, das cercas de arame farpado, de finalidades diferentes, que demarcavam e protegiam as nossas propriedades, rasgando as roupas de quem tentava atravessá-las sem o devido cuidado.
As cercas de arame que me refiro foram as que conheci, quando ainda criança, não entendo o porquê delas existirem. Eram cercas construídas pela discriminação religiosa, no cemitério do Passa Vinte. O cemitério era dividido com cercas de arame farpado, em três partes: 80% para os católicos (era a religião da maioria dos moradores); 19% para os evangélicos luteranos (conhecíamos por protestantes); um 1% para suicidas, que não tinham direito à missa, orações, perdão e túmulo - era apenas uma cova rasa que ninguém se aproximava.
Essas atitudes me faziam matutar, embaralhando os meus pensamentos de garoto, que nada entendia de religião, que fui educado sem preconceitos raciais, religiosos, políticos, ou de classes sociais. Aprendi que todas as pessoas eram iguais em direitos e deveres e filhos do mesmo Deus. De repente esbarro naquela cerca de arame farpado.
Naquela época, os protestantes (cuja maioria era de descendentes de alemães) mantinham a “escola alemã”, o clube Concórdia, um boliche que ficava atrás do clube e a igreja erguida ao lado de onde hoje é o prédio espigão central. A “escola alemã” deixou de funcionar na segunda guerra mundial, quando o governo proibiu o ensino do idioma alemão no Brasil.
Quanto ao cemitério, não tenho lembrança de quando esses preconceitos terminaram e as cercas de arame farpado foram retiradas. Há, também, o caso dos divorciados, que anos atrás passaram a ser discriminados pela igreja católica, sem direito à comunhão. Tudo isso foi deixado para trás, tendo em vista que, atualmente, mais de dois terços de fiéis de qualquer religião já está no terceiro “casamento” e, se não fossem aceitos nas igrejas, certamente o dízimo teria uma baixa expressiva.
As cercas de arame farpado continuam existindo, especialmente na política internacional, onde os países poderosos executam embargos econômicos dirigidos. Na política nacional essas cercas vêm impedindo que pessoas honestas façam parte do poder, salvo raríssimas exceções, que conseguem atravessá-las mesmo tendo que rasgar as roupas para ultrapassá-las.
Eu amo meu país, meu estado e minha cidade. Continuo aqui para trabalhar pela coletividade e não para ficar rico com pilantragens e falta de ética. Não desanimo porque não devo me deixar subjugar pelos ladrões assaltantes dos cofres públicos.
Devemos ter sempre em mãos alicates poderosos (o voto) para cortarmos essas cercas de arame farpado.
|Falando Sério|Ainda jovem, quando estava estudando para fazer o vestibular na Faculdade de Direito, conheci um desembargador num ônibus circular de Florianópolis. Perguntou-me se eu estava estudando e o que pretendia fazer no futuro. Sabendo do meu desejo de seguir a carreira jurídica, deu-me alguns conselhos que me foram muito úteis. Disse-me para ser sempre justo e que fizesse prevalecer o direito e a justiça. Encontrei-o, anos depois, no mercado público de Florianópolis, à noite, em cima de um caixão, fazendo discurso para os operários. Escondido atrás de uma parede estava um de meus professores, gritando: “comunista!” e se escondendo covardemente para não ser visto.
Foi o primeiro muro ideológico que conheci. Até hoje fala-se sobre o “muro de Berlim”, o único muro comentado e criticado pela mídia de todos os países. E os outros muros? A divisão da Coréia em duas (Sul e Norte); a muralha da China continua lá e é atração turística; o muro de Israel está crescendo e ninguém critica. Por que será? Esquerda, direita, comunista, fascistas e tantos outros “istas” e “ões” estão aí infelicitando os seres humanos pelo fanatismo. Dos que mataram, torturaram e perseguiram na história de todas as ditaduras a maioria já morreu e não soube o que é ser justo.
Os muros continuaram a ser erguidos, cada vez mais fortes, mais altos e intransponíveis por obra dos que detêm o poder. No Brasil ergueram-se muros raciais com a aprovação de leis racistas, que criaram animosidades entre raças. Construíram muros entre os sexos e transexuais e aumentaram os homicídios. Aos menores deram o direito de roubar, não trabalhar e matar, com um muro vergonhoso construído contra a sociedade. Por que nossa Constituição estabelece que “todos são iguais perante a lei” se na prática isso não ocorre?
São dezenas de muros erguidos contra os honestos, os trabalhadores em geral, por culpa de uma sociedade omissa. O presidente estimula a guerra entre classes, criticando as elites e se esquece que ele, seus familiares e “companheiros”, hoje, pertencem à elite e usam os pobres para manterem os seus privilégios.
Os muros construídos pelos países ricos contra os pobres estão cada vez mais fortes. O que importa aos países ricos são o mercado consumidor e as vantagens fiscais.
Vamos construir muros, sim, para impedir que os corruptos arrumam cargos em todos os poderes da república e os maus empresários não matem a mãe natureza.
|Falando Sério|O relógio é um companheiro importante na vida de todos nós, que ficamos dependentes da anotação das horas que estabelecem e regulam todos os minutos da nossa existência. Mas, chega um momento em nossa vida que não nos interessamos pelo tic-tac daquele patrão severo que fiscalizou nossos passos por tantos anos. Eu, por exemplo, quando me aposentei guardei meu relógio na gaveta e nunca mais o usei.
Há 53 anos ganhei um relógio cuco que nos serviu por muitos anos, até que um dia resolveu descansar. Hoje, ele está sem ponteiro, enfeitando uma parede. Por muitos anos fui escravo do tempo, que passou tão rápido que não percebi. Como disse Graciliano Ramos em uma de suas obras: “mas no tempo não havia horas”. O tempo, para muitos, era e é indeterminado, impedindo-nos de estabelecer quantidade e qualidade nos anos que voam.
As perdas que todos nós sofremos fazem-nos adeptos, por desilusão e tristeza, de relógios sem ponteiros: Parados, dormindo preguiçosamente sobre o passado. Sabemos que tudo passa, que nós passamos e que não levamos nada quando partimos deste mundo, deixando, apenas, o que fizemos de bom e de ruim. Se olharmos para trás vamos nos encontrar de calças curtas, preocupando nosso pais com nossas traquinagens. Depois, adolescentes abobados, sem entender nada do tempo e da vida. Mas, inesperadamente, acordamos sendo pais, avós, bisavós. E choramos nossas perdas.
Gostamos de ouvir as músicas que marcaram nossa vida, nosso namoro, casamento, enfim, recordar o amor que conduziu por tantos anos nossos passos. E ficamos emocionados ao ouvir a música “O relógio”, na qual o compositor coloca todo o sentimento ao dizer: “Detém o tempo relógio, faz esta noite perpétua... para que nunca amanheça”.
“No tempo não existem horas” e os relógios não têm ponteiros. É só olharmos as fotos antigas e notarmos que o tempo, apesar de ter passado, estacionou ali, naquele momento de saudade, que muitas vezes estava esquecido no fundo do baú das nossas recordações. Até no futuro estará presente o passado, com relógios sem ponteiros ou com ponteiros parados, assim como num determinado momento o tempo termina para todos nós.
Na visão capitalista “tempo é dinheiro”, com base no mercado e no lucro rápido. Todo início de ano é o tempo que conduz nossos atos para que o cumprimento das obrigações para com o poder público. Há os que ensinam que “tempo é uma questão de preferência”.
Enfim, tempo, com ou sem relógio, é uma questão de viver com sabedoria.
|Falando Sério|Tudo o que as pessoas dizem deve ser muito bem analisado e interpretado de acordo com o caráter de cada um, em especial nos votos de passagem de ano, quando desejamos aos outros “próspero Ano Novo”.
Pela cultura política de grande parte das pessoas, muito particularmente daqueles que detém o poder, mesmo que temporário, “próspero Ano Novo” significa ganhar muito dinheiro, enriquecer, mesmo e em especial com atitudes desonestas. No Brasil encontramos em igrejas, templos diversos ou terreiros de macumba, a grande maioria de ladrões possíveis entre políticos, administradores, meio empresarial e grande número dos componentes dos poderes da república, inclusive do quarto poder, que é a mídia.
Não deveria ser assim. Recordo-me de um passado distante, quando existiam as festas de confraternização de Natal e Ano Novo, com abraços sinceros e votos de felicidade saídos do coração, com cantorias e risos, sem estímulo de álcool ou drogas das festas atuais. Nossos jovens estão se matando no prazer de uma cheirada, uma picada, uma fumada, gozando um presente sem futuro ou pisando no acelerador, cantando a “Estrada de Santos” de Roberto Carlos.
Próspero Ano Novo não precisa ser, necessariamente, ficar rico, exibir carrões ou fazer festas, muitas vezes bancadas e proporcionadas por atos de corrupção. Riqueza material não é sinônimo de felicidade. Minha mãe nos ensinava que ser feliz é andar de mãos dadas com o bem. É amar e ser amado, ter a mente aberta para vida, questionando o maniqueísmo bem e mal, certo e errado, bonito e feio e verdade e mentira. Dona Cármen perguntava para os filhos se, embora pobres, éramos felizes. Estudávamos, trabalhávamos, rezávamos e brincávamos. Aos poucos, com o passar dos anos, íamos progredindo com mais união e mais conforto. Cada dia mais trabalho e mais estudo, sem jamais gastarmos 90% do que ganhávamos. Tínhamos, sempre, uma pequena poupança. Assim, fomos construindo o nosso “Próspero Ano Novo”, acompanhado o ufanismo getulhista. Mas, cuidado, porque o ufanismo de hoje pode representar propaganda política.
Num diálogo de um filme policial, dois policiais conversavam sobre as desgraças do mundo. Um deles se lastimava dizendo que os maus sempre venciam. O outro respondeu que “os maus sempre vencem porque os bons, que são a maioria, se omitem”.
Desejo a todos um “próspero Ano Novo” alicerçado na lei, no direito e na ética.
|Falando Sério|Não quero discutir aqui o que o Natal significa para a religião. Desejo apenas repensar uma data tão festejada em todo o mundo. Recordo-me dos anos da minha infância e adolescência, quando nos reuníamos no dia do Natal – avós, pais e irmãos, para cantarmos Noite Feliz e recebermos os modestos presentes que nos proporcionavam tanta alegria. Era, de fato, uma festa cristã e familiar.
O Natal dos “tempos modernos” nada tem de familiar ou cristã; é, apenas, a festa do comércio, das marcas famosas, dos presentes caros, dos brinquedos eletrônicos, enfim, da modernidade. São raras as famílias que se confraternizam. O “espírito de Natal” morreu faz tempo. Hoje é pura enganação. São suntuosidades que não condizem com a história da miséria do nascimento de Jesus, com foguetórios, bebidas, luzes, muita bagunça e superfaturamento.
Apesar de ser um descrente da raça humana e de suas estórias – religiosas ou políticas – sinto-me emocionado ao notar o brilho da alegria nos olhos das crianças, ainda inocentes, ao verem o Papai Noel. Que bom seria que esse brilho perdurasse por toda a vida, que acompanhasse as crianças em todas as suas fases biológicas!
Se isso não ocorre é porque os pais deixaram de ser crianças, transformando-se em adultos rabugentos, chatos, egoístas, sem ética e sem cultura humanística, dando o mau exemplo de serem como qualquer animal irracional, que apenas satisfaz seus instintos e suas necessidades fisiológicas.
Seria ótimo se os pais dessem aos filhos, no Natal, em primeiro lugar, um bom exemplo de vida, em seguida uma cartilha com regras éticas de conduta, comportamento social, educação, cultura, sentimentos de amor, gratidão, desprendimento, coragem para lutar pela liberdade e pela honra. Depois, então, dêem brinquedo, de acordo com suas posses e a idade dos filhos.
Eu adorava ser criança, poder brincar de pés no chão, saborear frutas subindo nos pés de árvores, plantando e colhendo verduras, fazendo calos nas mãos de tanto cortar lenha, trabalhando em conjunto com meus irmãos e irmãs. E o mais importante era ser amado por uma mãe maravilhosa – nosso Papai Noel e Coelhinho da Páscoa – que não era lenda.
Não faço nenhum pedido, porque o que eu gostaria de pedir seria: educação e cultura para um povo inculto (de todas as classes sociais), um 2010 com menos canalhas e menos corruptos.
Agradeço a atenção que me deram em 2009. Espero corresponder com mais qualidade em 2010!
Juarez Nahas.
|Falando Sério|Todos nós, quando criança e adolescente, aprendemos muitas lições boas e ruins, ensinadas pelos pais, parentes, professores, religião, amigos, meios de comunicação e do dia-dia em convivência com o mundo. A maioria dessas lições fica conosco por toda a vida, ajudam ou prejudicam no núcleo social.
Recordo-me da época em que eu estudava em Florianópolis, tínhamos aula de religião e o padre ensinava que muitas almas sofriam no purgatório, porque seus donos tinham cometido pecado. Mas, se nós fizéssemos boas ações, pegando um papel no chão e colocando no lixo, ou levantando uma cadeira caída, ajudando um velhinho(a) a atravessar a rua, nós estaríamos salvando essas almas encaminhando-as para o céu. Com isso, o padre nos ensinava a compaixão, o comportamento social e a gentileza.
Minha mãe dizia que deveríamos procurar, sempre, boas companhias, sermos honestos, falarmos a verdade, lermos bastante para adquirir cultura e ter a mente livre, lutarmos incansavelmente sem desânimo e não temermos nada a não ser as forças da natureza e a maldade humana.
Há os que escutam e exercitam o que aprenderam. Mas, como se diz na gíria, para a maioria deles os bons conselhos “entraram em um ouvido e saíram no outro”. É bem mais fácil aprender o errado, como bem têm demonstrado os homens públicos, de um Brasil desamparado. Será que os pais deles os ensinaram a roubar? Com certeza eles, os corruptos, estão ensinando, pelo exemplo, seus filhos a serem desonestos.
Estamos vivendo em um país considerado o mais violento do mundo. O que se vê no futebol é de arrepiar e de se esconder de medo. Marginais travestidos de torcedores invadem os gramados, destroem o patrimônio do clube, agridem a todos que encontram pela frente, batem na política e saem contando vantagens. Aprenderam com os pais malcriados e violentos que os levaram ao campo quando eram crianças. São um bando de criminosos covardes que agridem os torcedores do seu time até mesmo na vitória, como fizeram os do Flamengo.
Nem protestar esses vândalos sabem. Com a desculpa de defenderem direitos (MST, grevistas, fanáticos de toda a espécie, torcedores bandidos, etc.) eles destroem bens públicos, propriedades particulares, assaltam, roubam das pessoas o direito de ir e vir e ninguém é punido. Vivemos num país que “bagunçou geral”, onde a impunidade é a lei máxima, que permite e estimula os corruptos a se locupletarem do dinheiro público e os criminosos em geral de não sentirem a mão pesada da lei.
São essas, as “lições para sempre”, que nós queremos para nossos filhos e netos?
|Falando Sério|Um profeta visitou o Congresso Nacional e gritou no microfone: “O partido político que não estiver infectado pelo vírus da corrupção e da podridão moral, que atire a primeira pedra ou levante a mão”. Ninguém se mexeu. O profeta, então, perguntou: “Entre vós, se existir algum honesto que levante o braço.” Dos mais de seis mil políticos presentes, entre senadores, deputados, presidente, governadores, prefeitos, vereadores e dirigentes, apenas 200 ergueram os braços. Os outros não o fizeram porque estavam protegendo a carteira no bolso de trás, por não confiarem uns nos outros.
O profeta começou a recordar todos os casos de corrupção nos últimos sete anos. Perguntou em altas vozes: “Onde está o Valdomiro, que recebia dinheiro dos bicheiros? E aquele dos correios? E o homem do dinheiro na cueca que trabalhava para o irmão do Genuíno? E o bispo da Universal que era deputado, com 10 milhões? E os mensaleiros? E o assalto no coração do país? Por que a maioria de vocês tem com um galho de arruda na orelha? É para tirar o azar ou é para identificar os que são da quadrilha? E os empresários que dão propina para ganharem licitações e superfaturarem as obras? E os cartões corporativos? E os milhões das ONGs, do MST e outros?
De repente, o profeta chorou. Indagado por que chorava, ele disse: Meu país está doente. O vírus da corrupção e da patifaria espalhou-se por todo o território nacional. O ABC da desonestidade e da sem-vergonhice vem sendo ensinado nos municípios, que é o curso primário da corrupção, com vereadores e prefeitos; o segundo grau são os governos e as assembleias; o curso superior é o congresso e o doutorado é a presidência. “Nunca antes neste país” presenciamos tanto homem público ladrão. São políticos desavergonhados que comem pizza, panetone e chupam sorvetes todos os dias. Sem contar, é claro, com os que enchem a barriga com águas vitaminadas.
Estou chorando pela falta de hombridade daqueles políticos que assinam lista para abertura de CPIs e depois recebem dinheiro ou emprego para retirarem as assinaturas. Choro por um povo que melhorou sua qualidade de vida, mas não se educou o suficiente para saber escolher seus representantes. Ultimamente tenho rezado muito, implorando ao Papai Noel para que faça com que os políticos bandidos tropecem e batam com a cabeça no meio-fio, matando os neurônios corrompidos e fortalecendo o lado bom do cérebro, se existir. E os empresários “bonzinhos”, que distribuem dinheiro para ajudar os políticos corruptos, aguardando uma reza para irem pro céu. Ao invés de receberem um raio na cabeça, caem pacotes de notas de cem.
O Miguel, que estava vestido de Papai Noel, escutando o profeta, sentiu sua barba sendo puchada por uma criança, que lhe sussurrou ao ouvido: Papai Noel, me dá no Natal uma rua, para eu poder brincar e chupar bastante sorvete?
|Falando Sério|“Quando estiveres entre os lobos, uiva como eles” (George Gudjeff)
Quando eu estava no Instituto de Educação “Dias Velho”, em Florianópolis, havia um colega que tinha sido expulso de vários colégios por incomodar demais os professores e a direção. Ele sentava na última carteira, próximo à parede, fazendo barulho. Quando o professor chamava a atenção dizendo: “O sr. aí, pare com isso”, ele olhava pra trás (fazendo de conta que existia alguém atrás dele), gozando do pobre do professor.
O que assistimos hoje, em todo o país, de norte a sul, leste a oeste, desde ao mais alto mandatário ao mais simples prefeito ou vereador, quando são chamados de corruptos é a mesma coisa: olham para onde não há ninguém e gozam do idiota do eleitor. Com a experiência dos meus quase 80 anos, posso afirmar que sempre se roubou neste país e que gerações inteiras de políticos se beneficiaram com a corrupção. E agora está muito pior.
Quais são os culpados pelo atraso do país, pela miséria do povo, pela ignorância, analfabetismo, pelos desdentados, pela destruição da natureza, pela violência crescente, pelo trânsito conturbado, pela morte de doentes em posto de saúde e de hospitais, pelo retorno de doenças que haviam sido erradicadas e por tudo o que há de ruim em nosso meio? Só há uma resposta: Os políticos mentirosos, demagogos, populistas irresponsáveis e corruptos.
Sou de um tempo em que ideal, patriotismo, ética, comportamento social, educação e civismo eram virtudes obrigatórias ao homem público e às pessoas “de bem”. Aprendíamos a amar a pátria, a ter respeito pelos símbolos da nação. O que vemos hoje é a corrupção desenfreada e descarada dominando os poderes de uma república falida pela falta de autoridade moral, de um povo omisso que só quer festa para ficar de boca fechada e não raciocinar, dominado por uma classe política cuja maioria se serve da nação, com escândalos diários de um lixo moral que envergonha até mesmo uma sociedade que adora votar em ladrões.
É por isso que a democracia vai enfraquecendo. É por isso que surgem os ditadores grandes e anões. Se nos mais de cinco mil municípios tivéssemos, pelo menos, mil deles bem administrados, com prefeitos e vereadores honestos e competentes, bem intencionados com a coisa pública, nós seríamos outro país, bem mais próximo do desenvolvimento. Temos que mostrar aos políticos que o país não é só deles, mas do povo que trabalha e cuja maioria não quer escolas. A maior vergonha para um país é ter a maioria de seus políticos (senadores, deputados e vereadores) sendo comparados pelo poder executivo para aprovarem picaretagens.
Tenha certeza que muitas pessoas pensam como eu e que estão bastante indignadas com tanta patifaria. O poder corrompe. Como disse Che Guevara: “El poder quiere um mundo de gente dócil e medíocre, el poder destesta los rebeldes y a los gênios, pero mucho más detesta a los gênios rebeldes”.
|Falando Sério|Eu estava saindo da loteria, com o pensamento voltado para o prêmio de R$ 15 milhões que a Mega-sena oferecia, quando, inesperadamente, encontrei-me com Sherlock Holmes. Após cumprimentá-lo e pedir um autógrafo, indaguei-o dos motivos que o traziam até Palhoça. Sherlock, com toda a fleuma inglesa, respondeu: - Faz uns dias eu vi em um jornal bastante lido na Inglaterra, chamado “Palavra Palhocense”, a reportagem sobre a falsificação de uma lei e do sumiço de um arquivo na Câmara de Vereadores da Cidade mais dinâmica do mundo e a mais Bela por Natureza. Resolvemos, eu e meu caro Watson, analisar todo o ocorrido.
Achei muito importante esse interesse do maior detetive do mundo, pois o crime em questão esbarra num grave problema para os que estão tentando resolvê-lo: Não há mordomo para ser responsabilizado. Como me esclareceu Sherlock, o caso tem muitos detalhes a serem analisados: 1º - as assinaturas foram toscamente falsificadas, como dizem os envolvidos; 2º - o vigia viu uma pessoa descer as escadas com uma pasta de arquivo e colocar dentro de um carro preto. Provavelmente o vigia deve reconhecer essa pessoa; 3º - as portas não foram violadas, portanto, o criminoso tinha uma cópia das chaves; 4º - Ficou uma pegada de um calçado que estava sujo de barro; 5º - existem interessados e beneficiados na questão; 6º - o roubo da pasta que arquivava as fitas que poderiam identificar o meliante, que sabia de antemão onde a pasta estava; 7º - a facilidade que o criminoso teve para agir é extremamente suspeita.
O maior detetive do mundo, que nunca permitiu que os crimes ficassem insolúveis, que ajudava a famosa polícia inglesa (Scotland Yard) a solucionar intrincados problemas criminais, virou-se para seu ajudante, dizendo: - Meu caro Watson, temos em mãos uma batata quente, pelos subterfúgios, e talvez, pelos personagens da trama criminosa. Sir Arthur Conan Doyle confia na minha experiência, pois pretende escrever mais um romance policial.
Sherlock reclamou da pouca transparência das apurações, porque quanto mais provas ele puder analisar, mais fácil irá se tornar a sua missão. Por essa razão iria solicitar subsídios sobre o caso ao “João do Jornal”, grande conhecedor dos mistérios fantasmagóricos da cidade.
Eu falei ao Sherlock que seria muito importante que todo esse mistério fosse desvendado, por razões éticas de agressão à democracia e à república, já que foram falsificadas as assinaturas de um morto que era prefeito, de vereadores e ainda o roubo de um arquivo, motivos muito graves para que o Ministério Público e a polícia se envolvam, para levarem o criminoso ou criminosos perante à Justiça, para a devida punição.
Sherlock aproximou-se e falou baixinho: - Depois que eu falar com o vigia, vou apresentar o criminoso.
E colocou o cachimbo na boca, dizendo para aguardarmos o próximo capítulo.
|Falando Sério|Não vou explicar o que é democracia porque de tanto que é falada todos conhecem. Só que nem todos a interpretam com o respeito que ela merece, por isso, quem assume o poder vira rapidamente ditador. Temos, também, os fanáticos, que são ditadores pela falta de cultura. Porém, existem os patéticos de cultura prepotente, autoritária, que não admitem o contraditório. São os ditadores anões de inteligência, que não aceitam o império da lei, por consequência, odeiam a democracia.
A democracia ainda é o melhor regime político, apesar dos maus políticos que dirigem o país, os quais mancham as liberdades individuais. Querer censurar a mídia, criticar TCU, TER, STF e todos que veem erros em seus governos; são atitudes anti-democráticas. Criar “arenões” como base política, legislando à revelia do povo que paga impostos, é estabelecer uma ditadura mascarada. Antes, nos anos negros da ditadura, a “Arena” era o partido político dos generais, composta por oportunistas e por quem tinha medo do regime militar. O arenão de hoje é formado por uma maioria de políticos corruptos que só quer receber as benesses do poder.
Às vezes leio no “Diário do Leitor” opiniões de cidadãos comuns, de advogados, jornalistas, professores e outros medidos a importantes, e fico horrorizado em ver que ainda existem tantas mentes mofadas, ultrapassadas, que ainda acreditam em Adão e Eva. São pobres de espírito e analfabetos políticos, que criticam ditaduras em outros países, mas querem ditadura para o Brasil. São aprendizes de torturadores e puxa-sacos de quem tem o poder e a força. Desconhecem a cultura humanística e devem achar que a vida iniciou quando Cristo nasceu. Esses ditadores anões ainda falam em direita e esquerda, comunismo e capitalismo, como se ainda estivéssemos nos anos da Guerra Fria.
Numa democracia devemos aceitar as múltiplas opiniões políticas, religiosas e aturar até políticos que opinam sobre tudo, mas nunca sabem das imoralidades que acontecem em seus governos. Por que não aprovamos o regime parlamentarista, com um primeiro ministro que possa ser substituído, caso não corresponda, sem traumas políticos e sem golpes?
É inconcebível que jornalistas, tão odiados pelo poder, sejam favoráveis ao regime ditatorial, assim como professores e advogados prefiram ditaduras. O que nós devemos fazer é exigir do poder judiciário a aplicação da lei, sem delongas, punindo rigorosamente os corruptos que envergonham a democracia.
Nós, também, podemos puni-los, não votando neles. Porque democracia é a “lei do povo para o próprio povo; é liberdade, é a voz do pensamento”.
|Falando Sério|“Porque ficar adulto é isto: Perder a memória” (Rubem Alves).
Como é triste ser triste! Viver por viver, sem objetivo algum, sem família para amar ou por quem ser amado. Sofrer pelos filhos que os abandonaram, pelo marido ou esposa que se foram, pela família que existia e desmoronou. É tornar-se adulto e jamais ser criança. Como diz o escritor Rubem Alves: “Os poetas são as crianças que se recusaram a ficar adultas”.
As pessoas com os sentimentos embrutecidos pelos revezes da vida não conseguem ser nostálgicas. Nostalgia é poesia. Vivem emburradas, não sorriem e nem gostam de crianças. As festas de Natal – apesar do chamamento comercial – nos devolvem a inocência da criança que fomos. Ouvimos as mesmas músicas, os mesmo enfeites nas casas e no comércio. Lembramos do Papai Noel que podemos ser se soubermos nos travestir de crianças.
No mundo louco de hoje, de tamanha violência e de tanto mau exemplo, às vezes não sei o que ensinar aos meus netos e bisnetos. As religiões caíram no descrédito, tendo influência apenas entre os mais simples e pobres de espírito e funcionam como uma casa de penhor. Os poderes da república estão apodrecidos, influenciados por uma classe política desmoralizada. Como posso dizer a eles para amarem ao próximo como a si mesmos se eles podem vir a ser vítimas desse amor? É certo que eu hei de ensinar-lhes a ética, a bondade, o respeito às leis e a exigirem seus direitos cumprindo com seus deveres.
A cultura social presente é a leitura do contraditório. Os jovens aprendem a correr atrás de negociatas, bons empregos, ficarem ricos, seja na atividade pública ou privada, ter poder, pelo dinheiro ou pela política, se sentirem adultos tendo vergonha de amar e voltar a ser criança. Isso é ser feliz? Ou, quem sabe, optar pela pobreza, ter emprego, ganhar o quase suficiente para sobreviver, ter família para sustentar e não ter segurança econômica e nem tempo para amar e ser criança. Isso é ser feliz?
É muito difícil ensinar alguém a ser honesto neste mar de corrupção, violência, incompetência, atraso, desamor, falência das religiões, canalhices do agente público e burrice coletiva. Há um vazio de humildade, humanismo, sabedoria, poesia, amor, do ser criança, numa sociedade embrutecida que dialoga com máquinas. É a encruzilhada com que todo ser humano honesto se depara nesta sociedade de incultos.
O que posso ensinar aos meus netos e bisnetos? Apenas a força do exemplo e do amor à liberdade. Quando eu partir pouco importa se vou deixar bens ou dinheiro. O que eu quero é deixar amor, amizade, lembranças e muita saudade aos que eu amei e àqueles que me amaram.
|Falando Sério|Quando eu era Jovem sentava com os amigos em uma mesa de bar e bebíamos cerveja, conhaque,vinho, cuba, refrigerante e outras espécies de bebida. Cada um bebia o que gostava, mas a preferência era sempre pela cerveja. Alguns colegas, para “aparecerem”, convidavam outros que passavam, dizendo: “pode chegar que fulano vai pagar”. Faziam “média” com dinheiro dos outros. Muitos políticos também agem assim: conhecem o mundo em passeios com os amigos e as despesas são pagas pelo povo.
Presidentes, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores, com a alegação de irem a serviço do país, dos estados e dos municípios, curtem ao invés de administrarem o país. E o dinheiro que pagamos nos impostos desaparecem no ralo da corrupção.
Já imaginaram os bilhões que são gastos em propagandas enganosas e promessas nunca cumpridas? Eles, os mentirosos, pensam que fazem favores ao povo construindo casas, pontes, viadutos, escolas, estradas, ginásios, etc., com o dinheiro suado dos brasileiros, que pagam em impostos mais da metade dos seus salários. Todo esse dinheiro é gasto para exaltar a imagem dos políticos, numa propaganda ilegal e imoral.
Os milhões que o governo dá aos sindicatos, UNE, MST e outros para piorarem o governo e seu partido político, acabariam com a miséria no país. E os partidos políticos que apóiam o governo não permitem que se apure a bandalheira institucionalizada.
O governo e os políticos, ao invés de estimularem a poupança, estimulam, sim, a gastança. O FGTS, PIS, PASEP, etc., que foram criados com a intenção de amparar os trabalhadores após a aposentadoria e ajudá-los na velhice, estão sendo dilapidados por decisões de cunho político.
Outro exemplo que irrita e desanima as pessoas honestas são os prêmios distribuídos pelos políticos. O bom cidadão, aquele que cumpre suas obrigações, trabalha, poupa, cumpre a lei e paga os impostos em dia, não tem direito algum neste país onde os políticos premiam os maus pagadores, perdoam seus débitos e ainda dão prêmios aos que não cumprem com os mandatos básicos da cidadania. Os políticos agem assim porque o dinheiro que eles esbanjam fazendo campanha sai do nosso bolso.
São milhões e milhões gastos com a demagogia e o populismo, enquanto os eleitores deles, os mais pobres, morrem nos corredores dos hospitais, os filhos não tem educação de qualidade, moradia decente, transporte público barato nem segurança para sobreviverem com o mínimo possível de qualidade de vida. Enquanto eles...
|Falando Sério|Quem não tem lembranças, não viveu. Quem não gosta de recordar o passado, já morreu. Boas ou más, as recordações remetem-nos aos tempos de infância, adolescência, juventude, idade adulta e velhice. Se chorarmos, se sorrimos, se tivemos dificuldades econômicas ou se não passamos por problemas financeiros, se fomos felizes ou não, tudo está arquivando em nossa mente; é só abrirmos as gavetas dos nossos sentimentos que as recordações afloram como as flores na primavera.
Pobre daquele que não se recorda da infância, brincando ou brigando com os irmãos ou com os amiguinhos, da casa grande ou pequena, rica ou pobre, com natais alegres ou nem tanto, do colégio onde estudou, das professoras ou professores que lhe ensinaram o ABC, dos funcionários, da sopa no recreio, da educação física e dos colegas de classe.
Se chegamos à velhice e não somos capazes de ter saudades de tantos anos de vida em comum, com esposa filhos e irmãos, dos colegas do ginasial e do curso superior, somos pobres demais em sentimentos e inteligência. Aqueles que detestam o passado são doentes, complexados, mal-humorados e infelizes.
Como é bom, depois de 30, 40 anos encontrarmos ex-colegas de escola, do futebol, do exército e apertarmos as mãos com alegria! Parece até que todos aqueles anos de um passado remoto, adormecido, retornaram num minuto. Conheço muita gente que viveu uma infância e juventude com extrema dificuldade, com os pais “morrendo a trabalhar” para oferecer-lhes melhores dias no futuro, e que hoje, vivendo melhor, esquecem-se dos pais e se envergonham de terem sido pobres. Esses continuam: com uma miséria maior por serem pobres de espírito.
Chegamos à idade adulta, somos bacharéis, advogado, dentistas, médicos, professores, empresários, etc., enriquecemos e nunca mais nos lembramos dos mestres que nos transmitiram os ensinamentos necessários para nosso crescimento intelectual, social e nos preparam para a vida. Será que nossa existência é tão simples assim: estudar, aprender e partir? Não ficou nada para recordar? E os primeiros amores, os primeiros amigos, as primeiras festas, as músicas, os natais, as páscoas, o primeiro terno, o primeiro baile? Se nada ficou na memória, então já morremos faz tempo.
Os que tiveram ideias e lutaram por elas, de mãos dadas a um número restrito de amigos e companheiros, e por isso foram perseguidos, torturados e alguns mortos, será que não sentem orgulho pelo passado consciente de lutas, a começar pela sua cidade e subindo ao Estado e à toda a Nação em busca da justiça social e contra a corrupção?
É natural que medíocres, os alienados, não têm do que se recordar que tenha algum valor, já que não participaram da vida, apenas vegetaram. Foram bonecos, carneiros ou uma massa inculta e covarde, sem história, sem passado, sem cultura humanística e sem recordações.
|Falando Sério|Paulo morava no centro de Palhoça e todos os dias, às 16:00 horas, saía de carro para comprar pão. Num certo dia, ele estava um pouco estressado, por várias razões: Na saída do loteamento Probst passou pela rua onde tem uma garapeira, com carros estacionados nos dois lados da rua, ficando passagem pelo meio apenas para um veículo. Quando estava no final da rua apareceu outro carro em sentido contrário, exigindo que ele desse ré. Paulo disse que não sairia dali, porque estava com a razão. Discutiram um pouco e os dois saíram resmungando. Continuou a viagem e, no cruzamento do viaduto, quase enlouqueceu de tanta baderna.
Seguiu em frente. No May Bear, tinha um ônibus de músicos estacionado na calçada prejudicando a visão; o bico da calçada atrapalhava a manobra. A respiração dele já estava ficando acelerada. Diminuiu a velocidade do carro e repetia em voz alta: Estou calmo... eu estou calmo... Dirigiu-se ao patural e, quando o carro começou a entrar nos buracos, quase estourando os pneus e arrebentando com os amortecedores, ele abriu o vidro e berrou: “Não tem Prefeito... não tem Prefeito...”. As pessoas que passavam em outros carros acharam que ele era louco.
Paulo comprou pão e retornou pra casa. O trânsito continuava insuportável. Eram carros estacionados em qualquer lugar, carroças com cavalo mordedor atrapalhando, bicicletas na contramão e motoristas ignorantes colocando atrás do carro. Chegou em casa, tomou café e, mais calmo, resolveu ir ao banco andando. Vai pela calçada até a Vara da Justiça defronte ao Cartório do Registro Civil, mas teve que andar sobre a rua, porque tinha uma moto e um carro sobre a calçada.
Um cachorro de rua ameaça morde-lo. Defronte ao Clube 7 depare-se com correntes impedindo a passagem livre dos pedestres. Em frente ao Banco Brasil carros e motos expulsam as pessoas da calçada e, mais adiante, um fio de nylon cerca a calçada e provoca acidentes. Sentada no chão, uma mulher com uma criança no colo pede esmola. Logo à frente, um rapaz forte pede dinheiro, talvez para comprar droga.
Nessa altura dos acontecimentos, ele já estava explodindo de estresse. Atravessou a praça, no estacionamento da Zona Verde, e um guarda multava um carro. Ele não entendeu. O Tavinho, no outro lado da rua, fazia gestos obscenos para os motoqueiros. No dominó da praça, os velhinhos discutiam.
Meio tonto, resolveu voltar pra casa. No meio do caminho, um foguetório atordoava as pessoas. Na sinaleira do Fórum, Paulo, bastante nervoso, esperou o sinal fechar. Quando foi atravessar a rua, uma bicicleta, que vinha na contramão, o atropelou e o rapaz ainda o chamou de velho burro. Sem controle, ele pulou no pescoço do rapaz e, com as duas mãos, tentou esganá-lo, gritando sem parar: “Eu quero paz... eu quero pazzz...”.
Foi internado numa clínica e até hoje vive sedado. A única palavra que ele pronuncia sem parar é “PAZ”.
|Falando Sério|Quantas vezes somos atropelados por bicicletas, dirigidas por adolescentes ou adultos, que se acham no direito de furar sinal e andar na contramão? Se a polícia olhasse bem, veria que, por ironia, muitas dessas bicicletas são roubadas. As motos, pilotadas por homens ou mulheres, são o mais triste exemplo da falta de autoridade, num país onde reina o mau exemplo e o pouco caso com o direito dos outros. E, cada dia que passa, vão morrendo mais e mais jovens que poderiam vir a ser agentes do futuro do país, se fossem melhor orientados, mesmo que fosse com sanções educativas. Com os carros acontece o mesmo.
Tudo começa com lares desestruturados, com escolas abandonadas pelo poder público, pela falta de seriedade das religiões e a frouxidão das leis penais, aprovadas por políticos descompromissados com a sociedade brasileira, inclusive disseminando maus exemplos de comportamentos imorais e antiéticos.
A falta de respeito pelo direito dos outros, a ignorância institucionalizada, o comportamento social vergonhoso de gerações que pensam estarem sozinhas no mundo, geram a violência e o desrespeito à vida. O estímulo dos governos à violência, permitindo e incentivando o ódio racial (lei da desigualdade racial), transformando homens e mulheres em inimigos (lei Maria da Penha), enaltecendo a diversidade sexual, idosos abusando de seus direitos e menores amparados por lei que só lhes dão direitos.
De que adianta estar escrito na nossa Constituição Federal que “todos são iguais perante a lei?”. Fazem leis populistas e eleitoreiras para continuarem no poder e terem as facilidades dos cofres públicos, aprovados pelo voto de um povo omisso, analfabeto político, que só quer assistir às novelas e discutir futebol.
Hoje em dia, homenageiam e criam dia pra tudo. Provavelmente a cadelinha que serviu de tiro ao alvo e foi operada deverá ter o seu dia. Foi um ato brutal. Só que morrem por dia milhares de crianças e adultos de fome, pobres sem assistência médica, sem cirurgias, sem postos de saúde e ninguém se preocupa com eles.
E os honestos? Coitados. Vivem enxovalhados, não têm data no calendário, são discriminados, têm seus direitos usurpados e servem de riso para os corruptos que mandam no país. Falta organização para os honestos (os políticos ladrões se protegem), gritar, exigir seus direitos, “peitar” os políticos e fazer campanha contra os ladrões do dinheiro público.
Eles, os “caras” chorões, vão acabar com a miséria por causa das Olimpíadas, assim como acabaram com a violência e a pobreza no “PAN”. E o povo inteligente??? Acredita e bate palmas. Afinal, vivemos num paraíso ou num inferno?
|Falando Sério|Várias vezes utilizei os canos da Casan para ir até a Coloninha levar os sapatos para serem arrumados na sapataria do Seu Ivo. Quase todas as pessoas usavam esse atalho para irem e virem mais rápido. A emoção era passar sobre o rio Passa Vinte, por cima dos canos. Para irmos até a Pedra Branca atalhávamos pelos pastos, passando por entre fios das cercas de arame farpado, que muitas vezes rasgavam nossa roupa e nossa pele, sem contarmos com as corridas que os touros bravos nos davam durante a travessia. Eram atalhos que nos ajudavam a chegar mais depressa ao nosso destino.
Esses atalhos eram inocentes, próprios de garotos, de quem não tinha carro, e não prejudicavam ninguém. Ao contrário, ficávamos mais saudáveis por andarmos e respirarmos o ar puro daqueles tempos sem poluição.
Hoje, os atalhos são outros. Poucos são aqueles que iniciam a maioridade pensando em trabalhar muito, estudar, economizar para ter uma poupança que lhes dêem a garantia de uma vida melhor, com mais conforto para si e sua família. Tudo isso conseguido num compasso lento e médio, sem jamais gastar além do que ganham. A maioria corre atrás da facilidade, na maior parte das vezes ilegais e imorais, atalhos para perderem tempo rumo ao enriquecimento, mesmo que de forma ilícita.
No atalho de adquirirem um diploma muitos corrompem comprando provas, ou colam durante os exames. Outro atalho bastante conhecido para o enriquecimento rápido é entrar na política. Alguns realmente gostam da atividade política e trabalham honradamente com o ideal de bem servir a população e o país. São tão raros, hoje em dia, que o eleitor que não é burro e não depende de favores políticos, está desiludido e pessimista quanto ao futuro das nossas instituições. A maioria desonesta vê, na política, a sua redenção financeira com as fraudes que o poder lhes proporciona e a corrupção desenfreada e impune, com a aprovação de imorais, de um povo analfabeto político e dependente.
No relacionamento humano, homens e mulheres utilizam todos os atalhos possíveis. Eu tinha um amigo que gostava de namorar viúvas. Na primeira vez que passeavam, ou iam ao cinema, ele a convidava para ir a um motel, argumentando que se eles dentro de um mês irão fazê-lo, por que perder tempo?
No presente é assim que agem as pessoas. Sequer se conhecem; após um copo de cerveja já estão “ficando”, usando o atalho da permissividade. Só que jamais atingirão a grandeza do amor. Apenas exercitam o sexo, que, muitas vezes, é um atalho para a infelicidade.
Em qualquer atividade ou atitude humana “é preciso haver uma moral. Sem ela não haveria regras e todos se matariam. Mesmo os marginalizados têm um código moral.”
|Falando Sério|Desde criança até aos dias de hoje eu nunca entendi o que a religião ensinava nos cursos de doutrina. As catequistas antipáticas, cheias de razão, falavam em pecado, castigo e inferno, que deveríamos pedir perdão pelos nossos pecados e tínhamos que nos arrepender. Éramos crianças inocentes, numa época em que não conhecíamos nem entendíamos dos “pecados” de hoje. Chamar nome feio, pregar pequenas e inocentes mentiras eram os “pecados” que tínhamos que confessar de dez em dez dias, com a penitência de rezas intermináveis. Não era possível haver arrependimento real nem motivo para o perdão, pela insignificância dos “pecados”.
Depois que se cresce e se recebe melhores informações e educação dos pais, entende-se melhor a vida, os “pecados”, o arrependimento e o perdão. Vê-se o quanto há de hipocrisia no mundo. O ganancioso sempre quer mais, não importa quantas vezes tenha se confessado; os caluniadores só se “arrependem” e pedem desculpas publicamente para não serem processados. Quantos criminosos, após seu ato cruel, choram e dizem estarem arrependidos para comoverem as pessoas? Quantos, ao envelhecerem, arrependem-se de suas maldades porque não têm mais energia para continuarem sendo maus? Os políticos, quando estão no poder, se enchem de autoridade e importância; perseguem a maltratam seus opositores. Depois que são alijados do poder se dizem arrependidos e se fazem de bonzinhos. Quantos criminosos cretinos que prejudicaram, torturaram e mataram pessoas indefesas nos períodos dos de ditadura, dizem, hoje, que estão arrependidos?
Todos eles acham que basta se confessarem e dizerem que se arrependeram que ganharão o perdão e estarão “puros” para ingressarem no “céu”. As pessoas tratam mal os outros, subordinados ou não, depois podem se arrepender, mas, no entanto, o arrependimento é uma forma de se autoperdoar.
Deveríamos nos arrepender das coisas boas e importantes que deixamos de fazer. Por exemplo: não ter se esforçado por um futuro promissor para proporcionar aos filhos melhor qualidade de vida; não ter amado pai, mãe, filho e todos os familiares como deveríamos, num sentimento recíproco, pois amando, num dar e receber, se constrói um mundo melhor. “Não é o tempo que conta e sim o que dele fizeste. Não é a idade que importa, mais sim o que alcançaste enquanto crescias. Não é o dia do aniversário que louvo, mas todos os dias que fizeste o outro feliz”.
O arrependimento é uma atitude patética e inútil. Pode-se afirmar: agora é tarde demais! Vocês podem se arrepender de terem lido este texto. Acontece que já leram e não há como desfazer o ato.
|Falando Sério|Eu estava lá. Anoitecia, a lua cheia começava a espiar por detrás dos montes e a faixa de luz passeava pelo mar chegando até a praia, como se o céu atirasse pó de ouro sobre as águas. A mãe natureza sorria de contentamento, por estar oferecendo aos seres humanos um espetáculo grandioso e romântico. De repente, ouviu-se uma voz que emocionou a todos que apreciavam o show da natureza, pela firmeza de suas opiniões. Não se conseguia localizar de onde aquela voz saia, apenas se ouvia o som como se estivesse passeando montado nas asas do vento.
A voz dizia: - Razão tinha “Juca Velho” quando afirmava que os seres humanos eram incapazes de entender a vida, porque não respeitavam a natureza. Quantos, agora, têm olhos para ver e mente para sentir tanta beleza? A lua não é como os humanos, que se fecham dentro de seu egoísmo e da sua ganância e não repartem o pão. A lua recebe a luz do sol e a divide com o mundo, numa atitude desprendida e romântica, tentando semear e participar da vida e do amor.
O número de pessoas foi aumentando pouco a pouco. Saíam das casas, desciam dos apartamentos, transeuntes que passavam, todos se dirigiam à praia para escutar aquela voz. Uns diziam que era algum maluco engraçadinho, com um microfone escondido, gozando do povo. Outros, fanáticos religiosos ou medrosos, achavam que era mesmo um porta-voz de Deus anunciando os últimos dias.
A voz continuou: – Vocês que ora me escutam, raciocinem e se perguntem por quê nessas catástrofes, chuva, vento, seca, enchentes, desmoronamentos e tornados, nenhum político é atingido com a freqüência que os pobres são? Primeiro, porque eles não moram em área de risco; segundo, porque se eles morassem lá o poder público já teria solucionado os problemas. Abram os olhos e as mentes e desconfiem daqueles que chegam até vocês prometendo maravilhas. São mentirosos que se interessam apenas pelo poder e suas corrupções. A mãe natureza vem sendo torturada pelos humanos, que destroem a flora e matam a fauna. Eles, os políticos, mentem quando dizem que fazem leis que obrigam o “uso sustentável do solo”. Mas aprovaram um novo Código Florestal para atender interesses contrários à preservação ambiental, destruindo o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e da preservação do manancial de Pilões. Essas leis são bombas que vão explodir no cotidiano dos pobres.
Ouviu-se, então, uma voz de mulher perguntar ansiosa: - O que devemos fazer? A voz respondeu: - Anotem os nomes de todos os maus políticos, desde o Presidente até os vereadores, e só votem neles se um dia um elefante conseguir passar pelo buraco de uma fechadura. Diga aos políticos que eles são funcionários públicos e têm que trabalhar em benefício do povo que os pagam, o que não é favor nenhum.
Fez-se um silêncio sepulcral.
A lua, alheia a tudo isso, continuava subindo e espargindo seus raios dourados pela imensidão do mar. Os casais de namorados se abraçaram enlouquecidos de paixão.
Só os loucos lúcidos compreenderam aquele momento mágico.
|Falando Sério|Quantas vezes nós saímos a passear de carro, por lugares que não conhecemos, esquecemos de levar um mapa para nos orientarmos nas entradas e saídas das cidades e nem sequer pedimos informações às pessoas que já conhecem o caminho? Muitas vezes as estradas se modificaram. O entendimento das responsabilidades também mudou. Assim, se caminharmos pela vida e formos imprudentes talvez paguemos seriamente por nossa imprudência - isso, no plano pessoal.
Agora, imaginemos uma sociedade coletivamente desorganizada, onde cada um faz o que quer, sem respeitar as leis e o direito dos outros. Valores e princípios são jogados no lixo; honra, honestidade, decência (na década de 60 pregavam o amor livre), respeito, lealdade, ética, humanismo, amizade e autoridade são coisas do passado. No meu tempo de criança os vizinhos eram como se fossem membros da família, ajudavam-se mutuamente. Hoje mais parecem inimigos.
As gerações de hoje são mentes sem rumo, assim como os poderes constituídos frouxos, sem autoridade moral, com políticos que envergonham uma nação impotente, sem forças para lutar contra o errado. As famílias estão contaminadas pelos problemas existenciais, pelas incompatibilidades, pelo desamor entre marido e mulher e pais e filhos, dificuldades financeiras, doenças, álcool, drogas, vaidade querendo ter o que não pode. Pais e mães sem autoridade atiram monstrinhos nas ruas sem a mínima educação. Há, também, casos de filhos desorientados entre vários pais e várias mães.
O que notamos é a falência total do lar, da igreja e da escola. A religião como ponto de encanto dos desencantos humanos; a justiça como ponto de encontros dos desencontros humanos; o lar, como fábrica de marginais, sem amparo psicológico e intelectual, pela mediocridade cultural e falta de autoridade dos pais; a escola, pelo total abandono pelas autoridades competentes, abandono material, profissional e de segurança, pois o que interessa aos políticos é um povo inculto, dependente e sem personalidade. A educação e a cultura vêm sendo destruídas por políticos analfabetos e corruptos, por leis madrastas, pela falta de respeito e educação que as tornam inviáveis pra promover o aprendizado e o humanismo.
Os maus exemplos partem do alto. Estimulam a gastança, a boçalidade, o ter o que não se pode, embora devendo até os fios de cabelo. Aí, então, acentuam-se os complexos e impera a violência. E as leis? As leis não acompanham a evolução dos problemas da sociedade. Os políticos não endurecem as leis com medo de pagarem por suas canalhices.
A humanidade está sem bússola. Os pontos cardeais se confundem e se resumem num único nome: IMPUNIDADE.
|Falando Sério|Cidade da Fé era um município distante de tudo o que fosse evolução. Sua população era formada por fanáticos religiosos, beatos e hipócritas. Por isso mesmo era uma cidade triste, sem alma, sem sorriso, sem amizade sincera. As crianças tinham que se confessar uma vez por semana, não podiam assistir à televisão, fazer teatro só se fosse peça religiosa. Aprendiam que tudo o que acontecia de mal com as pessoas era castigo de Deus, por elas terem cometido pecados. A juventude não podia dançar nem namorar sem a autorização dos pais e abençoados pelo padre.
Assim, a Cidade da Fé ia se tornando a cidade do atraso, da falta de cultura geral porque só era permitido que se lesse apenas um livro: A Bíblia, em especial, o antigo testamento, ressaltando a mão pesada de Deus castigando os que pecavam.
Certo dia apareceu na cidade uma moça para lecionar no colégio local a matéria Filosofia. Ela vinha de outro centro onde se respeitava a opinião alheia, onde a cultura transbordava, transformando mentes, semeando ideais de liberdade e de respeito.
Iniciou seu trabalho ensinando o que é Filosofia, citando os filósofos e sua idéias. Os alunos começaram a acordar para o mundo e adoravam a professora. Assim, foi sendo formada uma nova mentalidade na Cidade da Fé, sem radicalismos e aprendendo o que é um Estado laico.
A igreja e os conservadores começaram a reagir. Diziam que a professora era anarquista, comunista, contrária à lei de Deus e sem moral, pois estava grávida e não tinha marido. Investigavam os pais a tirarem seus filhos da escola caso a diretora não demitisse a professora. A diretora, por sua vez, estava satisfeita e elogiava o trabalho da jovem, que era amada pelos alunos.
As beatas marcaram uma reunião na escola, com a direção, o padre e a professora. Como todos estavam presentes, a reunião começou. O padre foi o primeiro a falar, dizendo que estava representando a sociedade da Cidade da Fé, exigindo a demissão da professora por ela estar desencaminhando as crianças e a juventude, roubando-lhes a fé. A professora argumentou que o mundo não começava nem terminava naquela cidade e, sem filosofia, a humanidade seria sempre selvagem e nunca se libertaria dos preconceitos e do fanatismo. A diretora lamentava aquela discórdia, pois os alunos adoravam a professora.
As beatas xingaram e ameaçaram a jovem. A reunião acabou sem acordo. No dia seguinte a professora foi encontrada desacordada, com hemorragia por ter abortado após uma violenta surra. Os alunos a levaram ao hospital e, após um mês, ela se recuperou. Antes de partir ela rogou uma praga cidade: - Nesta cidade não nascerá nunca mais uma criança com vida!
Hoje, por quarenta anos seguidos, depois desses acontecimentos, a cidade da Fé é triste, sem fé, sem crianças e sem jovens, com sua população só de velhos, reduzida à metade. O fanatismo religioso, o preconceito e ignorância destruíram a cidade. São décadas sem se ouvir um vagido sequer.
|Falando Sério|Todos nós somos personagens do teatro da vida. Cada indivíduo representa um papel sem saber de cor as suas falas. Quantos tem sucesso nas variadas representações, seja como palhaço, herói, amante, traído, sortudo, azarado, rei, escravo, pobre, analfabeto, letrado filósofo, idiota, honesto, desonesto e, finalmente, feliz ou infeliz.
Artur da Távola, em sua crônica “O Pranto Pelo Adivinho”, mostra-nos, com muito sentimento, momentos de nossas vidas que deixaram de ser vividos. Podem ser situações de alegria ou de tristeza, quase tudo advindo pelo acaso e por circunstâncias alheias à nossa vontade. Entretanto, há ações que só dependem de nós para que nossa existência seja de satisfação íntima, pela coragem de se viver sem ser preciso esconder um amor que lateja em nosso peito e acende os neurônios da felicidade.
Certa vez, quando eu ainda era jovem, conheci um senhor com mais de 60 anos, que estava solitário olhando para a imensidão do mar, com lágrimas silenciosas escorrendo-lhe pela face. Eu, com pouca experiência da vida, compadecido com o estado de tristeza daquele senhor, perguntei se podia ajudá-lo. Ele me respondeu: - Ninguém pode me ajudar. Estou chorando por não ter tido a ousadia de viver um grande amor, apesar dele estar tão próximo de mim. Foram 40 anos de convivência e tivemos três filhos. Agora, ela partiu e eu não tive a coragem de dizer que a amava. Não tenho mais oportunidade de me redimir. Quanto tempo perdido! É a realidade do “não vivido”.
Conheço diversas histórias de mulheres que ficaram solteiras porque não tiveram o desprendimento de confessar o seu amor. Não é só no relacionamento amoroso que acontece o “não vivido”. No terreno das idéias isso é muito comum por não termos coragem de dizer o que pensamos, emitindo opiniões, mesmo que sejam contrárias ao pensamento da maioria. Atitudes que devemos tomar contra o que entendemos estar errado. Assim agindo, perdemos a oportunidade de demonstrar que temos personalidade e que queremos participar da vida.
Se tivéssemos opinião, se fôssemos corajosos para lutar por tudo aquilo que é justo, não seríamos comandados por ladrões, mostraríamos aos bandidos (autoridades ou não) que eles é que deveriam ter medo de nós, os honrados neste país de corruptos. Mais uma vez aparece a figura do “não vivido”.
Por que evitamos amizades, deixamos de agir com gentileza e respeito por acharmos que estamos nos humilhando? Seria mais sábio se vivêssemos com humildade, com a certeza de que não levaremos nada deste mundo, apenas deixaremos o que fizemos de bom ou de ruim. Não escondamos o amor que podemos doar. Que o “não vivido” deixe de fazer parte da nossa existência.
|Falando Sério|Certa vez, conversando com uma senhora que havia chegado de uma viagem à Europa, perguntei se ela havia gostado do passeio, de ter conhecido Paris, Madri, suas arquiteturas com diferentes estilos da cultura dos povos nos séculos passados, seus museus com artes dos gênios que semearam a cultura com suas obras magníficas, e recebi a seguinte resposta: “Eu já estava enjoada de ver tanta velharia. Não gostei da viagem, a gente só ia visitar museus, palácios, igrejas e prédios velhos”.
Esse é o raciocínio do novo rico inculto e da maioria dos políticos brasileiros, que só enxergam cifrões em tudo o que fazem. Pra que cultura se não dá dinheiro? Em Palhoça, tinha um prefeito que dizia: “Educação, cultura e esporte não são investimentos.” Infelizmente a “cultura” da maioria dos políticos brasileiros é ter o poder, colocar seus parentes e amigos dependurados na beirada do cofre, usufruir desse poder para fazerem negociatas e aumentar impostos para arrecadar, já que gastam mal o dinheiro que arrecadam nos vários impostos que nos obrigam a pagar.
O exemplo vem de cima, onde o governo federal “torra” nosso dinheiro nos mais de 25.000 cargos comissionados e, agora, quer nos impor o pagamento de mais um “imposto do cheque”. É fácil fazer caridade (e muita política partidária) com o dinheiro alheio. É esta a verdadeira “cultura” da maioria deles: presidente, governadores e prefeitos, que seguem religiosamente a mesma cartilha.
Se os políticos lessem livros, ouvissem os filósofos, frequentassem teatros, conversassem com pessoas cultas, na certa seriam melhores. Saberiam da existência de uma palavra importante: Memória. A mesma memória que eles teimam em destruir.
Em 1969, quando assumi a promotoria em Palhoça, o fórum ficava numa casa pequena, sem muitas condições para o trabalho da Justiça. Conversei com o Juiz e fomos ao Tribunal pedir a construção de um fórum novo e amplo, no que fomos atendidos. Até hoje ele ainda existe.
Amanhã, provavelmente, será demolido e sua memória esquartejada pela ganância. É assim que o poder público joga dinheiro fora. Por que não aproveitar o prédio para oferecer cultura aos estudantes e ao povo em geral? Por que não ficar na história por atitudes corretas semeando a educação e a cultura? Por que depender sempre de São José e Florianópolis? Por que não ficar na história procedendo com honradez, protegendo a natureza e respeitando a história?
No presente o Horto Florestal “já era” e o edifício do fórum está pra ir. No futuro, imaginemos que, de repente, apareça algum prefeito que também só pense em especulação imobiliária e acabe com o “Guarani” (1928), venda o Venceslau Bueno (1932), o “Ivo Silveira”, a antiga “Fucabem” – já que fazem parte (os políticos) da (in) cultura – derrubem a prefeitura (1895), a capelinha e as construções antigas da Enseada do Brito, se eles acham que a memória nada vale, pois é tudo “velharia”. Até na área onde hoje é o cemitério dá para construir vários espigões ou um loteamento popular.
Parabéns à jornalista Mariana (brilhante), ao Edmilson e ao “Margarida” por suas inteligentes opiniões. Ser culto é respeitar o passado e sua memória. É preservar, no presente, a sua história, para que possa ser contada e admirada no futuro.
O escritor “Oscar Wilde” escreveu: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.
|Falando Sério|Manuel Bandeira disse em uma se suas poesias: “A casa era por aqui.../ Onde? Procuro-a e não acho./ Ouço uma voz que esqueci:/ É a voz deste mesmo riacho (...) A usura fez tábua rasa/ Da velha chácara triste:/ Não existe mais a casa.../ - Mas o menino ainda existe.”
Eu, relembrando meus tempos de menino, pergunto com extrema e gostosa nostalgia, e alguma revolta, onde estão os cenários que emolduravam minha existência e sempre foram parte vital de meus passos, meus olhos e meus sentidos? Onde está a casa da Rua das Olarias, onde vivi com alegria por 11 anos? Onde estão os rios Sceidt e do Jorge Luz, onde nos banhávamos com frequência? Hoje não existe nem vestígios, pois lotearam até seus leitos, numa brutal ganância imobiliária.
Onde era a capelinha, hoje é um açougue. Onde estão a fábrica de bebidas do Seu Juliano, o armazém do Seu Evaldo Baash, os cinemas, a Escola Alemã, as propriedades do vô Pedro, que eram reservas ecológicas e hoje são loteamentos “carecas”? O “isoladão” com as “asinhas de seda” e muitas árvores, hoje abriga um loteamento. Onde está a igreja de duas torres com dois sinos tocados por cordas grossas puxadas por nós, que subíamos no blim e descíamos no blom (já falei sobre isto)? Era um bater mais romântico, participativo. Hoje, eles batem com o aperto de um botão, mecanicamente, sem alma.
Onde estão as serenatas, com violão, acordeon, sax, clarinete e contaria romântica, respeitosa e apaixonada, sem excesso de bebida, sem nenhuma droga, sem nenhum outro estímulo que não fosse a poesia do momento, a amizade e o amor? Onde estão as famílias estruturadas, o que restou da infância inocente (hoje crianças de 8, 10 anos usam drogas e matam)? Que fim levou a educação, o respeito, a cultura e a dignidade?
Onde estão o ar puro e a água cristalina se o presente é só poluição e destruição da natureza? Onde estão os homens honrados deste país do pinóquios, mentirosos contumazes que aprovam um código Ambiental que atenta contra a natureza, dizendo que é para ajudar o pequeno agricultor, se todos nos sabemos que é para beneficiar os grandes empresários (agricultores, pecuaristas, da construção civil e hoteleira)? Mentem quando dizem que estão dando benefícios fiscais para indústria automobilística e náutica para ajudar o povo. Por que então não reduzem os impostos do óleo diesel e gasolina para baixarem o preço dos alimentos e do transporte coletivo? Aí, sim, estariam ajudando o povo.
Onde estão os políticos não remunerados, como os vereadores de outrora que eram figuras de respeito da sociedade? O país paga bilhões – legais, mas imorais – para os poderes legislativos e executivo e, no entanto, gasta muito mais com a corrupção desenfreada entre eles. Temos “coronéis” na área federal, nos estados e municípios, mandando e desmandando, políticos decadentes, alguns corruptos outros “matutos” que se julgam autoridades. Infelizmente, sem autoridade moral.
Não podemos ser contrários ao progresso, ele vem ao natural. Somos contra os desumanos do enriquecimento fácil, anti-social e criminoso. Não somos saudosistas, querendo negar os benefícios do presente. Somos nostálgicos, sim! É a eterna saudade de uma vida feliz. É “o menino que ainda existe”.
|Falando Sério|Banalizaram o sentido das palavras. Hoje, qualquer um é herói. Até jogador de futebol que marca um gol (o que é sua obrigação e é pago pra isso) é chamado de herói. Vulgarizaram uma palavra que significa “arriscar a vida pelo dever ou em benefício de outrem.” Como o dicionário ensina, herói é “indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade... notabilizados por realizações (motivos nobreS)... capaz de suportar exemplarmente infortúnios e sofrimentos... indivíduo notabilizado por suas realizações (pela pátria ou pelo próximo)”.
É certo que essas pessoas, com as qualidades acima mencionadas, não são chamadas de heróis num país de corruptos. Os “heróis” são eles, os ladrões do dinheiro público, que desdenham a pessoa honesta; são aqueles que não respeitam as leis nem a ética. É só olharmos a maioria dos nomes de ruas, prédios públicos, etc., com nomes de políticos. Se perguntarmos ao povo (eleitor) em quem eles preferem votar, temos certeza que eles votarão sempre em corruptos que lhes compram o voto.
Ser honesto num país de ladrões e bandidos é ser herói, apesar de ser dever de todos nós termos ética. Somos impotentes diante de tanta canalhice porque somos covardes, omissos, mesquinhos e medíocres.
De que adianta vivermos 70, 80 anos, se não cumprimos com nosso deveres de cidadãos, de colaboração social corajosa, dando exemplos de honestidade e de trabalho, combatendo os canalhas que mentem, roubam e dão maus exemplos à sociedade? Se nossa vida foi fria ou morna nós fomos medíocres. Não existem heróis no lixo moral nem entre os omissos.
Os ex-combatentes da segunda guerra mundial, os que morreram no campo de batalha, os que foram feridos e os que regressaram à sua Pátria foram heróis e, por serem verdadeiros heróis, são abandonados pelo poder público. Se fossem covardes ou políticos corruptos seriam homenageados como heróis. Ou se fossem jogadores de futebol com bolso cheio de dinheiro. Se um jogador faz o gol que deu a vitória ao seu clube ou à seleção é homenageado como herói. É banalização do heroísmo.
A homenagem que se faz no dia das mães ou dos pais é apenas comercial. Todos os dias são deles (pais e mães) pela responsabilidade de encaminhar os filhos para a vida, dando bons exemplos, ensinando-lhes a ética nas relações humanas e no compromisso com a construção de uma Pátria que seja respeitada pela grandeza moral do seu povo. Ser pai e mãe não é apenas procriar - isso qualquer animal irracional faz. Ser pai e mãe é educar os filhos com os ensinamentos dos direitos e deveres, instruindo-os a nunca votarem em político corrupto.
Pai, está sendo homenageado! Olha-te no espelho e pense bem se aquela imagem é do pai que gostaria de ter, de abraçar e dizer: “Meu Herói”.
|Falando Sério|
Aderbal era um rapaz educado, tinha 22 anos, meio inexperiente das coisas da vida. Não era mais virgem, mas a experiência que tinha das mulheres era pouca, por ser meio inibido. Era filho único e vivia com a mãe viúva que tratava como se ele ainda fosse criança. Eles conversavam bastante e Aderbal aconselhava a mãe a se casar novamente, já que ela era bastante jovem para se “enterrar em vida”. Ele estudava à noite e trabalhava num escritório durante o dia.
A mãe do Aderbal, incentivada pelo filho, começou a frequentar as reuniões da Associação das Viúvas. Organizavam o chá das 18:00 horas uma vez por semana, realizavam viagens de ônibus para conhecerem outros lugares e, duas vezes por mês saíam à noite para dançarem nas baladas e festas frequentadas pelos filhos. Aderbal chegou a encontrar a mãe algumas vezes, toda produzida, parecendo uma garota de programa. Os amigos dele dançavam com ela e bebiam umas cervejas.
Aderbal aconselhava a mãe a ter cuidado quando saísse para se divertir, porque era perigoso, pelo fato de muitos vagabundos, bandidos e golpistas ficarem de olho nas mulheres de mais idade, com a finalidade de serem sustentados por elas. A mãe respondia que sabia muito bem o que estava fazendo, que apenas se divertia.
Os dois, mãe e filho, gostavam de frequentar o mesmo salão, onde dançavam, bebiam, conheciam outras pessoas, namoravam e depois iam embora. A mãe saía antes e Aderbal ia pra casa bem mais tarde. Algumas noites ela chegava em casa depois dele. Assim, o tempo foi passando. Aderbal soube, por intermédio de um amigo, que, no andar de cima do salão, tinham quartos que eram alugados para programas, inclusive com mulheres contratadas para atenderem à freguesia. Alguns amigos seus já haviam lhe falado a respeito, lhe aconselhando a fazer um programa com uma “trintona” muito especial.
Chegou mais um final de semana. Lá pela maia noite Aderbal saiu para se divertir na mesma danceteria sempre. Sua mãe já havia saído com suas amigas. Lá chegando, tomou duas cervejas, dançou, falou com os amigos e disse: - Hoje, eu durmo por aqui mesmo. Pelas três horas tomou mais uma cerveja, falou com o agenciado de mulheres que lhe mostrou o quarto onde deveria entrar.
Entrou meio nervoso, sem saber o que fazer. O quarto estava à meia luz. Despiu-se e esperou tomando uma dose de uísque. Uma música suave antecedeu a entrada da mulher, seminua. Aderbal foi ao encontro dela. De repente, ao se olharem, os dois gritaram ao mesmo tempo: Aderballl!!!... Mãeeeeeee!!!!.... e caíram desmaiados.
|Falando Sério|São raras as pessoas que não gostam de olhar fotos antigas. São aquelas que não querem aceitar que o tempo passou tão rapidamente, que já não são os mesmos de 20, 30 ou 50 anos atrás. Rugas, cabelos brancos, nem pensar. Acham que olhar para os filhos e netos é o suficiente para esquecerem o passado, os parentes e os amigos e que as cirurgias plásticas vão esconder suas idades.
Olhar uma foto antiga é como tomar um fortificante para renovar as energias. É trazer o passado de volta, é rever familiares e amigos que passaram por nossa vida e que gostaríamos de revê-los.
Neste momento que escrevo, tenho à minha frente a foto (1948) de minha primeira família, que eu tanto amava e, emocionado, recordo uma época maravilhosa da minha existência. Infelizmente minha mãe, um irmão e uma irmã já nos deixaram. Repasso a vista nas fotos da escolinha de 1959 até 1999, fico imaginando quantos garotos (muitos já são avós) eu vi crescer. Vejo o timaço do Guarani de 1967, quando fomos jogar em Lages e eu era o presidente. Fico feliz olhando as fotos dos famosos bailes do Clube 7 antigo, com as moças lindas da nossa sociedade que hoje são mães, avós e até bisavós.
Gosto demais de me ver adolescente com a primeira e única namorada, sentado no jardim. Há uma frase que diz: “Os primeiros amores são como os primeiro dentes; caem sem dor e deixam um lugar para os novos.” Isso não ocorreu comigo. Fico nessa mescla de alegria e tristeza quando olho a foto de minha segunda família que eu amo demais, lamento que um membro já tenha nos deixado.
São tantas as fotos desde 1936, que revelam histórias de tantas vidas, familiares, amigos e colegas que, se escritas, encheriam uma biblioteca. São histórias de muita luta, muito amor, muita dignidade que ajudaram a formar uma sociedade de cidadãos que valorizavam a ética e davam bons exemplos aos filhos e à comunidade. Muito diferente dos dias de hoje, quando uma minoria dominante, salvo raríssimas exceções, não tem honra e só transmite valores negativos à uma sociedade acovardada.
Ao ver as fotos antigas me pergunto onde andarão meus amigos de festas, bailes, parceiros de ônibus, de futebol, colegas do 1º, 2º e 3º graus e do serviço público? Cada um seguiu um rumo diferente. Alguns foram felizes, outros a vida foi madrasta. Quantos já partiram! “Emoções”, de Roberto Carlos, retrata bem nossa vidas: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.
Perdas todos nós temos. Em especial aqueles que vivem muito assistem, com tristeza, a partida de entes queridos e que fazem parte da história da nossa vida. Mário Quintana escreveu em seu soneto ”Recordo Ainda” um verso que dizia: “Eu quero meus brinquedos novamente”! Eu repito, com imensa saudade: Eu quero minha família e meus amigos novamente.
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